Precisamos aprender a escutar os filhos

Para a educadora parental Renata Pereira Lima, ouvir o que as crianças têm a dizer pode ser incômodo, ao nos fazer pensar e rever algum conceito ou decisão. "Será que estamos preparados ou abertos para isso?", questiona ela

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Pai olha atento para filho; Por que é preciso aprender a escutar os filhos
Conversar é mais que trocar palavras, é escutar e compreender o que o outro está dizendo

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Eu jogo tênis há um tempo. Aprendi quando era criança, larguei e voltei algumas vezes ao longo da vida. Agora “tomei gosto” e não largo mais!

Uns anos atrás ouvi um ex-jogador profissional dizer uma coisa que chamou muito a minha atenção: “a gente pensa que tênis é um esporte de braço, mas tênis é um esporte de perna”. Uau! Eu nunca tinha visto o tênis daquela forma…sem mexer bem as pernas, não tem como se posicionar direito para bater a bola, não usamos a força das pernas para impulsionar o corpo e aí acaba sobrando tudo para o braço fazer… Conclusão: a bola não vai tão forte quanto poderia e ainda corremos o risco de lesionar o braço, o ombro, o cotovelo…

Percebi que um paradigma parecido acontece com a conversa. A maioria de nós pensa que conversar é sobre falar, trocar palavras, ideias, mas, antes de mais nada, conversar é sobre escutar: sem ouvir o que o outro tem a dizer, sem perceber como aquilo chega em mim, sem ter a vontade de compreender o que foi dito, não existe conversa.

E é aí que moram todas as dificuldades da comunicação. A gente tem muito mais vontade de falar do que de escutar. Aposto que você conhece mais “bons falantes” do que “bons ouvintes”.

Isso acontece porque escutar implica em compreender (dá trabalho!) e compreender implica em risco (dá medo!). Se eu compreender uma pessoa, é possível que essa compreensão cause uma alteração em mim, nas coisas que eu penso e acredito, e todos nós temos medo de mudar (mesmo sabendo que nem sempre é ruim mudar!). Por isso, a escuta ativa é tão rara.

Isso vale para conversas em geral e com o filho também. Escutar o que o filho tem a dizer pode ser incômodo, pode nos fazer pensar e rever algum conceito, plano ou decisão. Será que estamos preparados ou abertos para isso? Será que queremos mudar?

Vou dar um exemplo. Imagine que seu filho adolescente começa a falar em mudar de escola. Você não quer que ele mude, pois você gosta da escola, acredita no seu projeto, é perto da sua casa. Seria uma dor de cabeça pensar em mais esse assunto justo agora.

Um dia, ele tem a chance de te explicar por que não está feliz na escola atual…e você escuta…e o que ele diz faz sentido para você…Apesar de ser uma decisão difícil de ser tomada, você passa a pensar nisso com mais consideração do que antes…

Precisamos ter coragem para escutar de verdade.

Desejo boas conversas para você, ops, boas escutas para você!


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