7 atitudes para reduzir as manifestações de ódio e intolerância nos homens

O educador parental Mauricio Maruo sugere medidas para que o homem acesse sua fragilidade e assim consiga contribuir para a mudança desse cenário

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Pai e filho se abraçam
Dar mais abraços nas pessoas queridas é uma das sugestões do educador
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Em tempos de manifestações de ódio, discórdia e acusações (vide o exemplo das eleições) muitas pessoas se expressam com as ferramentas que têm para impor suas vontades, distribuindo violência.

Segundo a ONG Safernet, de proteção dos direitos humanos no ambiente digital, em 2022 os crimes de ódio na internet tiveram aumento de quase 70% no primeiro semestre, e esse número aumenta mais próximo às eleições.

A pesquisa revela que as denúncias de ódio que mais se destacaram foram as de racismo, lgbtfobia, xenofobia, neonazismo, misoginia, apologia a crimes contra a vida e intolerância religiosa, em sua maioria, praticadas por homens.

Isso nos leva a entender que os homens são uma grande parte dos agentes do aumento da violência no Brasil.

Em quase sete anos de pesquisas dentro de rodas de conversas paternas, os dados que coletei me trouxeram a essa estatística: 

  • Dentro de um grupo de 10 homens/pais somente 4 frequentaram a roda de conversa para falar sobre seus sentimentos e emoções; desses 4 homens, 2 traziam questões relacionadas ao controle da violência ou ódio.

Ou seja, fazendo um cruzamento dos dados entre a pesquisa da Safernet com a minha, posso afirmar que muitos homens/pais têm sim atitudes violentas no seu relacionamento familiar, podendo ser verbal, física ou psicológica. Somo a essas estatísticas todos os comentários de intolerância que apareceram em artigo meu postado no portal R7 no ano passado, o que só evidencia como a internet funciona como uma válvula de escape para que as pessoas possam expressar sua raiva.

No meio de tantas manifestações de raiva e ódio dos homens, como podemos tentar reverter esse cenário?

Acredito que um bom caminho seja ir contra a cultura patriarcal machista que faz com que o homem, historicamente, seja categorizado como o ser “forte” gerando privilégios opressores.

Mas como ir contra essa cultura?

Entendendo que essa “força” na qual a sociedade taxa os homens, na verdade é um aprisionamento muito mais perigoso e silencioso do que já vimos. 

Segundo os dados coletados pelo documentário Silêncio dos Homens cerca de 83% das mortes por homicídios têm um homem envolvido. Os homens vivem em média sete anos a menos que as mulheres e se suicidam quatro vezes mais. Cerca de 17% têm alguma dependência química e 30% sofrem disfunção erétil devido ao estresse ou à ansiedade.

Mas o dado mais complexo divulgado pelo documentário e que talvez seja o ponto crucial para revertemos esse cenário de ódio e raiva é que somente 3 entre 10 homens têm a “coragem” de conversar com outro homem sobre seus medos, angústias e tristezas.

Precisamos entender que o homem só se torna “forte de verdade” quando consegue acessar sua fragilidade.

Então, para dar minha contribuição para reverter esse cenário, separei abaixo sete atitudes simples para que o homem acesse sua fragilidade de forma segura:

1. Seja honesto com você mesmo

Já ouviram falar da “caixa do homem”? 

É um termo usado para se referir a todos as características tóxicas a que os homens são expostos desde pequenos, como por exemplo: 

  • Meninos não podem chorar.
  • Meninos não brincam de bonecas.
  • Homens precisam ser fortes.

E por aí vai…

A atitude de ser honesto com você mesmo é simplesmente deixar fluir a conexão com o seu “eu” e ouvir o que o coração tem a dizer, livre das amarras e preconceitos.

2. Converse com o seu “eu” e escute o que ele tem a dizer

Essa atitude é a continuação da primeira, conversar verdadeiramente com o “eu” interno é entender que existe algo pulsando dentro de você, talvez aquele garotinho que não conseguiu ser livre como queria quando pequeno, ou aquele menino que sempre precisou demonstrar que era forte, quando na verdade não era. Enfim, tente ter uma conversa bem verdadeira com você mesmo. *Dica: Se precisar, crie um ambiente seguro para que você possa ter essa “conversa” sem ser interrompido.

3. Chore sempre que tiver vontade

Eu choro bastante, na presença de muitas pessoas ou sozinho. O outro dia estava conversando com uma amiga sobre paternidade, quando a conversa entrou no tema ancestralidade, e comentei como era a minha relação com meu pai. O assunto me fez chorar um bocadinho e recebi um abraço bem acolhedor da minha amiga. Comentei para ela que até hoje só vi meu pai chorar uma vez, em todos meus 45 anos.

4. Cuide bem das relações afetivas, principalmente com as amizades positivas

Somos seres que precisam se relacionar, porém a maioria das pessoas que conheço têm muita dificuldade em abrir o coração para isso. Quando falo sobre cuidar bem das relações, estou falando em cuidar bem da construção dessa relação, escutando o seu “eu interior” e não palpites externos. Pessoas que te fazem sentir bem são aquelas que precisam ser cultivadas.

5. Sempre que possível, exponha seus sentimentos e emoções para as pessoas que você confia

A escolha das boas amizades traz também a segurança de poder ser quem você realmente é, sem máscaras, sem medo e sem cobrança. Com isso você já tem seu “local seguro” para se abrir e expor tudo que está sentindo.

Na Comunicação Não Violenta, chamamos essa amizade de Anjo Empático, que é a pessoa que acionamos quando precisamos desabafar todas as nossas emoções (boas ou ruins) para que o copo não transborde.

6. Descubra novas formas de comunicação que sejam construtivas

No item anterior quando falei em desabafar, muitas pessoas podem interpretar como descarregar seus sentimentos e emoções na outra pessoa, mas não é bem por esse lado. 

Encontrar formas de se comunicar sem atritos é um ótimo sinal para a construção de laços, então essa é uma atitude que faz com que voltemos ao início da nossa conversa.

Quando falo sobre formas de se comunicar estou falando da construção de diálogos, estar aberto a falar mas também a ouvir.

A arte da escuta empática reduz em 50% o uso da violência.

7. Pratique algum tipo de terapia que o ajude a entender melhor suas fragilidades

Eu fui uma pessoa que por muito tempo relutei a respeito do uso de terapias para me entender melhor. Estava enraizado dentro da cultura patriarcal machista e não sabia pedir ajuda, porém a paternidade me trouxe também esse presente. 

Saber que existe algo pulsando dentro de mim e que, devido aos padrões sociais, eu não conseguia acessar, me fazia muito mal.

Hoje eu entendo que muitos homens têm acesso a essa transformação do estereótipo “homem forte” para o “homem verdadeiro”. Sei também que essa transformação não é obrigatória para quem não quer abraçá-la, mas para quem quer não é preciso passar por isso sozinho, então procure ajuda, procure outros homens que estejam passando pela mesma transformação, isso faz um bem danado para o nosso coração.

Atitude bônus:

Abrace muito mais pessoas do que você abraça hoje. Seu coração agradece.

Acho que essa nem precisa de uma explicação 🙂

*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.

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