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Para ler com seus filhos: Quando um passarinho pede ajuda

Este ano, um vídeo de 8 minutos chacoalhou o planeta. Registrado por uma adolescente, o vídeo mostrou o norteamericano George Floyd sendo morto por um policial. Muitos elogiaram a coragem da garota, por filmar a brutalidade do guarda, outros perguntaram por que ela não tentou ajudar o homem que morria. Estou entre os primeiros: acredito que ela foi corajosa e inteligente. E que seu ato poderá evitar que milhares de pessoas sejam agredidas ou mortas por autoridades insensíveis.
Por vias inesperadas, o fato me fez recordar dois curiosos livros infantis, que contam de passarinhos frágeis precisando de ajuda, e o que aconteceu com eles.
Em Passarinho às oito e pouco, de Jaqueline Conte, uma mulher conta ao filho sobre um pássaro azul que entrou em casa e não conseguia mais sair, pois dava de cara nos vidros da janela. O menino pergunta o que a mãe fez e ela conta que fotografou e fez
um poema. Alguns dias depois, o mesmo passarinho volta e a mãe abre os vidros, para ajudá-lo a voar. Dessa vez, porém, é o menino que resolve escrever o poema. Como salienta Roseana Murray, na apresentação do livro, “a janela se abre para que
as palavras encontrem seu rumo e estrada”.
Em A pontinha menorzinha do enfeitinho do fim do cabo de uma colherzinha de café, um filhote de pássaro cai do ninho e é socorrido por uma colherzinha de café. Ela tenta alimentá-lo, mas o bico do bichinho é pequeno demais, até para o cabo, para o
fim do cabo, para o enfeite do fim do cabo… o pobre já quase morrendo de fome. Até que ela consegue sucesso com a pontinha menorzinha que dá título ao livro. Elvira Vigna usa de forma singular os diminutivos, que tantas vezes serviram para
infantilizar a linguagem dos livros infantis. Aqui, pelo contrário, evidenciam a luta da colherzinha – que pode ser também a nossa – para ajudar os mais fracos.
Ficha técnica dos livros:
PASSARINHO ÀS OITO E POUCO. Texto de Jaqueline Conte. Ilustrações de Adilson Farias. Editora Insight, 2019.
Jaqueline Conte, paranaense, é jornalista, escritora e pesquisadora de literatura infantil.
Adilson Farias, paranaense, já ilustrou dezenas de livros.
A PONTINHA MENORZINHA DO ENFEITINHO DO FIM DO CABO DE UMA COLHERZINHA DE CAFÉ. Texto de Elvira Vigna, imagens de Simone Matias. Editora Positivo, 2010.
Elvira Vigna, carioca, foi romancista, ilustradora e autora de livros infantis; faleceu em 2017.
Simone Matias, paulista, é ilustradora e professora de artes.
Leo Cunha
O escritor Leo Cunha publicou mais de 70 livros, como "Um dia, um rio" (Ed. Pulo do Gato), "O que é preciso pra ser rei?" (Ed. Pequena Zahar), “Infinitos” (Ed. Melhoramentos) e "A grande convenção dos sapos" (Ed. Globo). Sua obra recebeu os principais prêmios da literatura infantil brasileira, como Jabuti, Nestlé, FNLIJ, Biblioteca Nacional e João-de-Barro. É também jornalista, tradutor e professor universitário.
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