Cerveja sem álcool é uma bebida segura para grávidas?

Não é porque uma bebida traz o rótulo de “sem álcool” ou “zero álcool” que ela pode ser consumida indiscriminadamente durante a gestação. Sociedade Brasileira de Pediatria divulga recomendações importantes

Uma cerveja ou um vinho com a palavra “sem álcool” no rótulo pode parecer uma alternativa segura para quem está grávida e sente vontade de tomar uma bebida parecida com a que consumia antes da gestação. Mas a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) acaba de fazer um alerta: essas bebidas também devem ser evitadas durante a gravidez.

O motivo é uma diferença que pode passar despercebida. No Brasil, a legislação permite que uma bebida seja classificada como “não alcoólica” mesmo quando contém menos de 0,5% de álcool. Mas não há uma quantidade segura de álcool para a gestante, mesmo que ela pareça muito, muito pequena.

O alerta foi publicado pela SBP em setembro, por conta do Dia Mundial de Prevenção do Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), que aconteceu no dia 9. A entidade recomenda que mulheres grávidas evitem completamente bebidas que possam conter álcool, inclusive as classificadas comercialmente como “sem álcool”.

“Sem álcool” não significa necessariamente 0% de álcool

De acordo com a legislação brasileira, uma bebida pode ser considerada não alcoólica quando tem menos de 0,5% de álcool por volume. Ou seja, uma bebida rotulada dessa maneira ainda pode conter uma quantidade pequena de etanol. Existe ainda uma categoria diferente. A expressão “zero álcool”, “zero % álcool” ou “0,0%” é permitida, segundo as regras citadas pela SBP, para produtos que tenham até 0,05% de álcool residual.

Parece uma diferença pequena ou insignificante, mas não existe consenso científico que estabeleça uma quantidade de álcool considerada segura durante a gestação. “O corte legal de 0,5% ABV (Alcohol by Volume) organiza o nosso mercado interno, mas ele não é suficiente para garantir o consumo seguro à gestante, pois qualquer exposição ao etanol é potencialmente prejudicial para o bebê”, afirma a pediatra Fabíola Suano, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da SBP.

E a bebida “0,0%”? Também deve ser evitada?

Segundo a SBP, sim. Os especialistas destacam que, mesmo nesses produtos, pode haver álcool residual e que estudos já identificaram, em diferentes situações, níveis de etanol superiores aos indicados nos rótulos. Por isso, a recomendação é evitar completamente bebidas que possam conter vestígios de álcool durante a gestação.

Mas, calma! Isso não significa que uma gestante que tomou uma bebida “0,0%” deva entrar em pânico. A orientação é preventiva: como não há uma quantidade de álcool estabelecida como segura, a maneira mais segura de evitar a exposição é não consumir bebidas que possam conter etanol.

Por que o álcool preocupa tanto na gravidez?

O álcool ingerido pela mãe atravessa a placenta e chega ao feto. Como o organismo do bebê ainda está em desenvolvimento, a exposição pode interferir em diferentes etapas desse processo. O consumo de álcool durante a gestação está associado aos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), um conjunto de condições que pode incluir alterações físicas, cognitivas, comportamentais e de desenvolvimento. Entre as manifestações possíveis estão microcefalia, deficiência intelectual, malformações faciais, cardiopatias congênitas, dificuldades de aprendizagem e alterações comportamentais.

O Ministério da Saúde também reforça que não há quantidade segura de álcool durante a gestação e recomenda que ele seja evitado independentemente da dose. Não, nem “só uma tacinha”.

E se eu bebi antes de descobrir a gravidez?

É relativamente comum que a mulher consuma bebidas alcoólicas nas primeiras semanas antes de saber que está grávida. Ao descobrir a gestação, a recomendação é interromper o consumo e informar o obstetra durante o pré-natal. O profissional poderá avaliar a situação e acompanhar a gestação de acordo com o histórico de cada mulher.

O mais importante é não transformar a informação em culpa. A descoberta da gravidez é justamente o momento de mudar os hábitos e seguir as orientações do pré-natal.

Então, o que a grávida pode beber?

Água, água com gás, sucos, água de coco, leite e outras bebidas que não contenham álcool podem fazer parte da alimentação, de acordo com as necessidades e orientações individuais.

A recomendação mais segura, segundo a entidade, é optar por bebidas que não contenham álcool em sua composição.

 

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