Aos 22 anos, Millie Bobby Brown adota segundo bebê e reforça que nem sempre a adoção é um “plano B”

Atriz, que se tornou mãe pela primeira vez aos 21 anos, acaba de anunciar a chegada do segundo filho por adoção. História chama atenção para uma possibilidade ainda pouco discutida: escolher a adoção como primeira forma de construir uma família

Aos 22 anos, a atriz britânica Millie Bobby Brown já é mãe de dois filhos. Ambos chegaram à família por meio da adoção. A atriz britânica e o marido, Jake Bongiovi, anunciaram recentemente a chegada do segundo bebê, um menino. A primeira filha do casal, uma menina, foi adotada em 2025.

A notícia chama atenção por vários motivos. Millie é muito jovem, está no início da vida adulta e não construiu sua família a partir de uma história de infertilidade conhecida publicamente. Ainda assim, a adoção esteve presente desde cedo no projeto de maternidade da atriz. Em entrevistas anteriores, ela já havia contado que desejava adotar desde criança.

A divulgação da notícia levantou uma discussão interessante: a adoção não precisa ser um plano B.

Há uma ideia bastante arraigada na sociedade de que alguém pode considerar a adoção depois de tentar engravidar e não conseguir, como se o filho adotivo viesse depois de uma tentativa frustrada de ter um filho biológico. Mas não precisa ser assim e, para muitas famílias, não é. A adoção é também uma escolha consciente de parentalidade, feita por pessoas que poderiam engravidar, mas desejam construir a família por outro caminho.

“Quero adotar”

Para algumas pessoas, o desejo de adotar aparece antes mesmo do desejo de engravidar. Pode estar relacionado a experiências pessoais, valores, histórias familiares ou simplesmente à percepção de que a parentalidade não precisa necessariamente começar pela gestação.

É importante diferenciar o desejo de ter um filho do desejo de adotar. A adoção envolve uma criança que já existe, que tem uma história anterior e que pode ter vivido situações de perdas e rupturas.  Por isso, mais do que a idade cronológica, o preparo para a adoção envolve a capacidade dos futuros pais de compreenderem as necessidades daquela criança e de construírem uma relação que respeite sua história.

Existe “cedo” ou “tarde” para adotar?

A idade de Millie também chama atenção. Isso porque outra expectativa social dá conta de que a adoção aconteça mais tarde na vida. Mas por quê? Será que ser jovem, por si só, define se alguém está preparado ou não para ser pai ou mãe?

Nem sempre. O que conta mais do que o ano de nascimento da pessoa são outros aspectos. Entre eles, a disponibilidade emocional, a estabilidade da vida familiar, a existência de uma rede de apoio e, principalmente, a compreensão de que a criança não chega à nova família como uma “folha em branco”.

No Brasil, inclusive, a legislação estabelece critérios objetivos para quem pretende adotar. A adoção pode ser requerida por maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, desde que sejam observados os demais requisitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e que exista diferença mínima de 16 anos entre adotante e adotando.

Adoção não é tratamento para infertilidade

Outra associação que a história de Millie ajuda a questionar é a de que adoção e infertilidade caminham necessariamente juntas. Uma pessoa pode ser fértil, não ter qualquer dificuldade para engravidar e ainda assim desejar adotar. Da mesma maneira, alguém pode ter filhos biológicos e também adotar. Não existe uma única história ou regra que leve uma família à adoção.

Perguntas como “mas você não tentou ter um filho de vocês?” ou “você adotou porque não podia engravidar?” podem parecer curiosas, mas carregam a ideia de que existe uma hierarquia entre as diferentes formas de construir uma família.

A história da atriz é só dela e não precisa ser transformada em modelo. Afinal, não para desconsiderar que a realidade de uma atriz de 22 anos, com uma estrutura financeira e uma rede de apoio particulares, não é comparável à de todas as famílias. Mas ela pode servir para ampliar a conversa.

Adoção pode ser a primeira escolha, pode acontecer quando a pessoa é jovem, pode acontecer mesmo sem um contexto de infertilidade, pode acontecer antes ou depois de filhos biológicos, pode fazer parte do projeto familiar desde o início – seja qual for o formato dessa família.

O que não muda é que, qualquer que seja o caminho escolhido pelos adultos, a prioridade precisa ser a criança: sua história, suas necessidades, seu tempo e seu direito de crescer em uma família preparada para acolhê-la. A gente não precisa perguntar por que alguém resolveu adotar. A pergunta é: “Por que não?”

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