Protetor solar com cor vale a pena? Veja o que muda na proteção da pele

Além de uniformizar o tom da pele, algumas fórmulas ajudam a proteger contra a luz visível, que pode agravar manchas como o melasma. Entenda o que observar na hora de escolher o produto

Se tem um produto indispensável na sua rotina de skincare é o protetor solar. Mas, na hora de escolher, você prefere os com cor ou sem cor? Sabia que a diferença vai além do efeito cosmético?  Algumas fórmulas de protetores com cor contêm óxidos de ferro, pigmentos que ajudam a atenuar parte da luz visível que chega à pele. De acordo com especialistas, essa proteção adicional pode ser especialmente interessante para quem tem melasma ou tendência a desenvolver manchas.

A radiação solar inclui diferentes faixas, entre elas a ultravioleta e a luz visível. Os raios UVA estão associados ao fotoenvelhecimento e à pigmentação, enquanto os UVB têm participação importante nas queimaduras solares. Embora seja menos lembrada quando o assunto é proteção solar, a luz visível também pode contribuir para o escurecimento de manchas, sobretudo em pessoas predispostas à hiperpigmentação. É nesse contexto que os protetores solares com cor podem ser aliados. Os óxidos de ferro presentes em algumas fórmulas ajudam a bloquear parte dessa luz, complementando a proteção contra a radiação ultravioleta.

A dermatologista Camila Nunes, da Clínica De Fina, explica que a fotoproteção continua indispensável, mas precisa considerar outros fatores que influenciam o surgimento e a manutenção das manchas. “Em pessoas com melasma, a luz visível também merece atenção, porque pode contribuir para a pigmentação. Por isso, vale avaliar se o protetor solar escolhido oferece proteção adequada para as necessidades daquela pele”, afirma.

O que diz a ciência?

Um estudo publicado em 2014 na revista científica Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine investigou os efeitos da proteção contra a luz visível em pessoas com melasma.

A pesquisa acompanhou 68 participantes durante oito semanas, das quais 61 concluíram o estudo. Todos receberam tratamento tópico com hidroquinona a 4% e utilizaram protetores solares com FPS igual ou superior a 50. Um grupo usou um produto que oferecia proteção contra a radiação ultravioleta e a luz visível, com pigmentos como óxidos de ferro, dióxido de titânio e óxido de zinco. O outro utilizou um protetor com proteção contra a radiação ultravioleta. Os resultados indicaram melhora maior no grupo que utilizou o produto com proteção contra a luz visível.

É importante observar, porém, que todos os participantes também receberam tratamento para o melasma. Portanto, não é possível atribuir a melhora exclusivamente ao protetor solar. Ainda assim, o estudo reforça a importância de considerar diferentes faixas de radiação no cuidado com as manchas.

Todo protetor solar com cor oferece essa proteção?

Não necessariamente. A presença de cor, por si só, não garante proteção eficaz contra a luz visível. O efeito depende da composição e das características da fórmula, incluindo os pigmentos utilizados.

Na hora de escolher o produto, também é importante observar a proteção contra os raios UVA e UVB. O FPS indica principalmente a proteção contra os UVB, responsáveis por grande parte das queimaduras solares. A proteção contra os UVA também merece atenção, especialmente para quem deseja prevenir o fotoenvelhecimento e o agravamento das manchas.

Por isso, pessoas com melasma ou hiperpigmentação recorrente podem se beneficiar de uma avaliação dermatológica para identificar o produto mais adequado às características da pele e às necessidades individuais.

Como usar o protetor solar corretamente?

Escolher um produto adequado é apenas parte do cuidado. A aplicação correta também influencia a eficácia da fotoproteção.

  • Use diariamente: aplique o protetor nas áreas expostas, mesmo em dias nublados.
  • Distribua de maneira uniforme: siga as orientações do fabricante e não se esqueça de regiões como orelhas e pescoço.
  • Reaplique quando necessário: respeite as instruções da embalagem, especialmente após contato com água, transpiração intensa ou fricção com toalhas e roupas.
  • Complemente a proteção: chapéus, roupas adequadas e busca por sombra ajudam a reduzir a exposição solar.
  • Procure orientação dermatológica: manchas persistentes ou que mudam de aspecto precisam ser avaliadas, e o tratamento do melasma pode exigir cuidados além da fotoproteção.


Fonte: Camila Nunes, dermatologista da Clínica De Fina; estudo publicado em 2014 na revista científica Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine.

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