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Você vive de fone de ouvido? 4 motivos para usar com moderação
O fone de ouvido virou companhia para praticamente tudo: no caminho para a escola ou para o trabalho, durante a atividade física, enquanto as crianças assistem a vídeos, jogam ou conversam com os amigos. Para algumas pessoas, ele acompanha até a hora de dormir, com podcasts, músicas, sons relaxantes ou ruído branco.
O problema é que, quando o acessório passa muitas horas nos ouvidos, alguns cuidados importantes acabam sendo ignorados ou esquecidos. E não é só o volume que importa, viu? Tempo de exposição, frequência de uso, umidade, higiene e até o hábito de dormir com os fones entram nessa conta.
“Quando falamos sobre fones, quase todo mundo pensa apenas em volume alto. Ele é realmente um dos principais fatores de risco, mas precisamos considerar também o tempo de exposição. Um volume que parece tolerável pode representar uma exposição importante quando permanece por muitas horas todos os dias”, explica o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros.
A seguir, ele explica os principais pontos de atenção.
- Dormir de fone aumenta o tempo de exposição
Se o áudio continua tocando durante a noite, são mais horas de exposição sonora além daquelas acumuladas ao longo do dia. E, quando o assunto é audição, intensidade e duração estão diretamente relacionadas: quanto maior o volume, menor deve ser o tempo de exposição. “Dormir com o fone tocando significa acrescentar potencialmente várias horas à exposição que aquela pessoa já teve durante o dia. Por isso, não basta dizer ‘eu não escuto tão alto’. Precisamos saber por quanto tempo, em qual intensidade e com que frequência isso acontece”, afirma o otorrino. Por isso, para quem gosta de adormecer ouvindo alguma coisa, uma alternativa é programar o desligamento automático do áudio depois de determinado período, em vez de deixar o som funcionando durante toda a madrugada.
- O ouvido também precisa de ventilação
Ficar muitas horas com um objeto dentro ou sobre o ouvido pode aumentar o abafamento e o contato com calor, suor e umidade, especialmente depois da atividade física. Isso pode favorecer irritações na pele do ouvido externo. “O canal auditivo possui pele e mecanismos naturais de proteção. Quando mantemos um objeto ali por muitas horas, principalmente associado à umidade e ao suor, podemos favorecer irritação e problemas do ouvido externo. Dor, coceira, sensação de ouvido tampado ou secreção não devem ser considerados normais”, explica Bruno. Depois da academia ou de outra atividade que provoque suor, portanto, vale dar um tempo antes de colocar os fones novamente. O próprio equipamento também deve estar seco antes de voltar para o ouvido.
- Fone de ouvido também precisa de higiene
O acessório pode passar pelas mãos, ficar dentro da bolsa, no bolso, sobre mesas e em outras superfícies. Depois, vai diretamente para o ouvido. Por isso, a limpeza também faz parte dos cuidados. A recomendação é higienizar os fones seguindo as orientações do fabricante e evitar compartilhá-los com outras pessoas. Se o equipamento ficar úmido depois de exercícios ou de muitas horas de uso, o ideal é deixá-lo secar completamente antes de utilizá-lo novamente.
- Preste atenção aos sinais que o ouvido dá
A exposição sonora excessiva nem sempre provoca uma alteração perceptível de imediato. Alguns sinais podem aparecer de maneira discreta, como a necessidade de aumentar progressivamente o volume, dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos, sensação de ouvido abafado depois de usar fones por muito tempo ou zumbido ao retirar o aparelho. “Não precisamos esperar alguém perceber uma perda auditiva importante para começar a cuidar da audição. A lógica deveria ser justamente a prevenção. O jovem de hoje provavelmente vai utilizar dispositivos de áudio durante muitas décadas. Precisamos pensar na quantidade de exposição sonora que esse ouvido vai acumular ao longo da vida”, alerta o especialista.
O celular pode ajudar
Alguns celulares e sistemas operacionais oferecem recursos que acompanham a exposição sonora, mostram os níveis de áudio utilizados e permitem estabelecer limites de volume. Vale conferir as configurações do aparelho e prestar atenção aos alertas. “Se o próprio celular começa a avisar repetidamente que sua exposição sonora está alta, não é um alerta para simplesmente ignorar. É uma oportunidade para rever volume, duração e frequência de uso”, orienta o médico.
Outro cuidado importante é com os ambientes barulhentos. No transporte público, na academia ou em locais com muito ruído, é comum aumentar o volume para tentar encobrir o som externo. O problema é que isso eleva ainda mais a exposição.
Não precisa ser radical
Não é que você ou seu filho não possam usar os fones de jeito nenhum. A questão é evitar que o uso se transforme em uma exposição sonora praticamente contínua. “Os fones fazem parte da vida moderna e não precisam ser tratados como vilões. O problema é transformar uma ferramenta que deveria ser usada com equilíbrio em uma exposição praticamente contínua, do momento em que acordamos até enquanto dormimos”, conclui o otorrinolaringologista.
Canguru News
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