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Pai ‘grávido’: participação do homem desde a gestação é essencial
O homens não fazem uma pausa na vida para serem pais, não enfrentam transformações no corpo durante a gestação, não precisam se preocupar com a carreira, nem seguir dietas restritivas na gravidez e na amamentação. É fato que as mulheres são mais atingidas no processo maternal que os homens no paternal, e ninguém tem culpa disso, já que nos é inviável biologicamente gestar um filho.
São duas crianças aqui em casa, mas eu acharia justo, se houvesse a opção é claro, da esposa engravidar de um dos filhos e o marido do outro. Seria perfeito! Já imaginou? No início, quando discutíamos um segundo filho, eu sempre fiz o papel de quem insiste e quer muito, e na época a Renata não queria, mas fui colocando uma ideia de irmão aqui, outra sobre a amizade que eles teriam ali e, no fim das contas, ela aceitou. Mas no meio das discussões ela dizia: “Engravida você para ver se é bom, corpo, hormônios, trabalho, tudo isso de novo. Não é fácil”. Por hora meus argumentos caiam por terra, mas por fim veio nossa Marianinha, linda e maravilhosa.
Me pego fazendo essa reflexão por pensar em como eu poderia compensar as transformações que não sinto, mesmo estando grávido. Como assim, grávido? Sim! Homens não carregam os filhos no ventre mas vivenciam a gravidez junto com a esposa. Assim como ela, seus compromissos precisam se adequar, o tempo em casa, a contribuição nas tarefas do lar, as agendas com o obstetra e várias outras atividades – tudo isso também tem que ser responsabilidade do homem.
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A consciência sobre o bebê que vai chegar, no pai, se torna maior quando ele participa do processo todo. E se ele não quer e não se interessa pela gestação, vale convidá-lo para as consultas, sugerir que baixe aplicativos que acompanham a formação do bebê na barriga e fora dela e discutir com ele processos do parto. Se preciso, mães devem ficar à vontade de cobrá-lo de sua participação. Nós homens, em geral, não temos essa referência de acompanhar tão bem a gestante, mas precisamos ser a geração que vai criar essa referência.
O empenho e suporte que o grávido oferece já começa defini-lo como pai. Os homens precisam saber disso para que o casal entre no jogo ganhando e não empatando ou perdendo. Não engravidamos nem podemos sentir tudo o que as gestantes sentem, mas podemos praticar a empatia pelo outro e isso é fundamental para a segurança da construção do casal e da família.
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
Ton Kohler
Ton Kohler é pai solo do Pedro, 8, e Mariana, 6 anos. Publicitário, escritor, palestrante, educador parental e Tedx Speaker. Produz conteúdos sobre consciência da equidade parental e de gênero para redes sociais no perfil "Papai em Dobro", focado em saúde e bem-estar da família.
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