O que mais esgota no pós-parto não é dormir pouco — é nunca dormir direito

Estudo mostra que mães de primeira viagem passam meses sem conseguir sono contínuo. Especialistas alertam para impactos na saúde mental, memória e exaustão física
Sono pós-parto Foto: Magnific

Toda mãe de recém-nascido já ouviu a frase: “aproveita para dormir enquanto o bebê dorme”. Mas um novo estudo mostra que o problema do pós-parto vai muito além da quantidade de horas dormidas. O verdadeiro desafio é a fragmentação constante do sono.

Pesquisadores analisaram dados de mães de primeira viagem antes e depois do parto e descobriram que, nos primeiros meses de vida do bebê, as mulheres passam longos períodos sem conseguir dormir de forma contínua, algo essencial para a recuperação física e mental.

O estudo, divulgado pela revista Sleep, acompanhou 41 mães entre 26 e 43 anos ao longo da gestação e do primeiro ano pós-parto. Os resultados ajudam a explicar por que tantas mulheres relatam exaustão extrema, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de “névoa mental”.

Sono picado

Na primeira semana após o parto, as participantes dormiram, em média, apenas 4,4 horas por dia. Antes da gravidez, a média era de 7,8 horas. Mas o dado que mais chamou atenção dos pesquisadores foi outro: o maior bloco contínuo de sono caiu de 5,6 horas para apenas 2,2 horas na primeira semana após o nascimento do bebê.

Em outras palavras: mesmo quando a mãe consegue somar algumas horas de sono ao longo do dia, o cérebro raramente entra em ciclos restauradores completos. O problema não é apenas dormir menos, mas nunca conseguir manter o sono.

O impacto vai além do cansaço

A ciência já sabe que o sono fragmentado afeta diretamente a memória, a atenção, a regulação emocional, o humor, a imunidade e até a tomada de decisões.  No pós-parto, isso pode aumentar a vulnerabilidade a ansiedade, depressão pós-parto e sensação de sobrecarga extrema.

Segundo os pesquisadores, quase um terço das mães do estudo passou mais de 24 horas sem dormir em algum momento após o parto. Mesmo meses depois, quando o total de horas de sono começou a melhorar, a continuidade ainda seguia muito comprometida. Entre a 8ª e a 13ª semana, o maior período seguido de sono ainda era de apenas 4,1 horas.

Entender o sono ajuda a reduzir culpa

Falar mais sobre sono materno é importante para diminuir a romantização da exaustão pós-parto. Muitas mães acham que estão “falhando” por se sentirem mentalmente lentas, emocionalmente abaladas ou incapazes de dar conta de tudo, mas a realidade é que o cérebro humano não funciona bem por longos períodos sem sono contínuo. O descanso materno, que, às vezes, é tratado como luxo, deveria ser entendido como necessidade biológica.

Embora despertares noturnos sejam esperados com bebês pequenos, algumas estratégias podem reduzir os impactos da privação de sono:

  • Revezamento de turnos entre cuidadores;
  • Priorizar ao menos um bloco maior de sono por dia;
  • Aceitar ajuda prática;
  • Reduzir cobranças domésticas;
  • Buscar apoio em casos de sofrimento emocional intenso.

Especialistas também alertam que mães que apresentam tristeza persistente, irritabilidade extrema, ansiedade intensa ou insônia mesmo quando o bebê dorme devem procurar avaliação profissional.

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