Conheça as ‘mãetoristas’, profissionais do transporte de crianças

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Mãetoristas

Escola, aula de inglês, supermercado, médico, natação, casa do amigo… Levar os filhos para as atividades do dia a dia, e ainda conciliar com as demandas domésticas, pode ser uma verdadeira maratona para os pais. E quando há mais de uma criança em casa, a logística complica. Diante do tempo gasto dentro do carro, muitas mães até brincam que assumiram a função de ‘mãetoristas’. 

Mas de uns anos pra cá, esse termo deixou de ser uma brincadeira para se tornar uma profissão: já existem aplicativos e grupos de mães que trabalham com transporte de outras crianças em horários fixos. Um deles, que reúne mãetoristas profissionais é da empresa GoKids, em São Paulo.

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Como o serviço funciona

Por meio do aplicativo, os pais entram em contato com a empresa que, de acordo com a demanda, indica uma mãetorista disponível na região onde o serviço será realizado. A partir daí, o contato é todo feito com a motorista responsável. Em geral, as solicitações são para levar as crianças à escola ou atividades extracurriculares, em compromissos semanais ou mensais. Também é possível marcar corridas avulsas, desde que combinadas com antecedência.

“É um serviço com o olhar e o cuidado de uma mãe”, afirma a empresária Leonora Lira, 44 anos, que lançou o serviço. Ela explica que o aplicativo foi criado em 2018, mas desde 2014 as mãetoristas se reuniam em grupos de WhatsApp para indicações de clientes e discussão de temas relacionados ao trabalho. Leonora também ressalta a vantagem do aplicativo permitir aos pais acompanhar o trajeto de seus filhos no carro em tempo real.

O único porém é que crianças de até 5 anos devem estar acompanhadas por um responsável no carro, como um parente ou uma babá. Crianças acima dessa idade e adolescentes de até 17 anos podem andar sozinhos.

Quem são as mãetoristas

Há cerca de 90 mulheres vinculadas ao aplicativo, que atuam em diversos bairros da capital paulista. A maioria delas, 98%, são mães, mas há também quem escolheu esse trabalho por se identificar com o perfil da profissão.

Todas as profissionais são autônomas, sendo responsáveis por montar a própria agenda, combinar valores dos serviços e cuidar da manutenção do veículo. Os responsáveis pela criança entram em contato direto com elas para ajustes e contratações. O aplicativo apenas indica a motorista parceira e permite o monitoramento pelos pais sempre que seus filhos estiverem no carro.

Para dirigir, as condutoras apresentam uma lista de documentos exigidos pela Legislação dos Aplicativos de Transporte (veja abaixo quais são) e participam de entrevistas presenciais realizadas pela GoKids. Mensalmente, elas pagam pelo uso do aplicativo de monitoramento. 

Requisitos para atuar como mãetorista

Para ser uma mãetorista profissional, é necessário apresentar os seguintes documentos:

  • CNH (Carteira Nacional de Habilitação);
  • CRLV (Certificado de registro e licenciamento de veículo);
  • Atestado de Antecedentes;
  • Seguro do carro;
  • Seguro APP (Acidentes Pessoais para Passageiros);
  • Comprovante de residência;

Além disso, é preciso cumprir outros requisitos:

  • Ser mãe ou mulher que tenha experiência com criança;
  • Ter no mínimo cinco anos de CNH;
  • Possuir veículo com quatro portas com menos de dez anos;
  • Possuir cadeirinhas ou assentos adequados para cada criança transportada no carro;

A diretoria da GoKids organiza entrevistas presenciais com as candidatas a condutoras para verificar o enquadramento no perfil.

A união das mãetoristas e o surgimento da GoKids

A empresária Leonora Lira, de 44 anos, começou a reunir mãetoristas em 2015. Já em 2014, ela percebeu que muitos pais buscavam empregos alternativos ou formas de complementar a renda por conta da crise econômica do país. Insatisfeita com sua área de atuação, o secretariado executivo, ela viu no transporte privado de crianças uma oportunidade para empreender. 

“Eu estava tendo um custo muito alto para deixar meus dois filhos na escola e ir trabalhar. Além disso, não me sentia feliz na minha área e queria ter um negócio próprio”, conta Leonora. Ela conheceu uma mãetorista autônoma que já realizava trajetos para outras crianças, e viu ali ‘uma luz no fim do túnel’ para começar a empreender.

Leonora Lira, fundadora da GoKids. Foto: Arquivo pessoal

No ano seguinte, Leonora começou a trabalhar como mãetorista e decidiu reunir outras mulheres que faziam o mesmo trabalho. “Era triste e um desperdício trabalhar sozinha. Por que não organizar isso?”, diz a empresária. Ela criou um grupo de WhatsApp e passou a convidar condutoras que já dirigiam para crianças com a proposta de trocarem contatos e experiências.

Com o tempo, o grupo cresceu, e surgiu a ideia de inserir tecnologia no serviço. Após dificuldades com custos, ela finalmente conseguiu desenvolver o aplicativo da GoKids para fornecer monitoramento de rota. As mãetoristas selecionadas ainda estão reunidas no WhatsApp, mas são divididas entre as regiões da cidade. Uma equipe de mulheres auxilia Leonora na coordenação do negócio.

Regulamentação

A próxima etapa do serviço é um enquadramento jurídico próprio. Leonora diz que as mãetoristas seguem a Legislação dos Aplicativos de Transporte, que regulamenta apps como Uber e 99Pop, por exemplo.

Ela acredita que é necessário criar uma lei própria para a mulher que é mãe e presta serviços para outras mães. “É uma necessidade das famílias terem um serviço de transporte particular que não é nem uma van escolar nem um motorista de aplicativo convencional”, explica Leonora.

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