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A presença do pai na educação de filhos com deficiência
Em comemoração ao Dia dos Pais, celebrado no mês de agosto, eu fiz um vídeo em homenagem ao meu marido e postei nas redes sociais, falando que, ao contrário das estatísticas, ele é um pai presente e amoroso que não fugiu diante do diagnóstico difícil de uma doença rara na filha e assumiu com responsabilidade o seu papel. Me surpreendi com a quantidade de compartilhamentos e comentários que o exaltavam, colocando-o como um herói e enxergando o fato dele exercer a paternidade atípica como algo extraordinário.
Sabemos que o nascimento de uma criança com deficiência modifica toda a estrutura e o cotidiano familiar, pode causar uma sobrecarga física e emocional e uma dificuldade em aceitar a nova realidade. Há estudos que mostram o índice de abandono e ausência paterna nas famílias atípicas, ficando os cuidados na sua maioria, centrados na figura da mãe.
Como educadora parental, sei que a presença e o envolvimento do pai são fundamentais na educação dos filhos. O pai desempenha um papel significativo no desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança com deficiência, assim como acontece com as crianças que têm um desenvolvimento típico também.
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Filme mostra mudanças que a paternidade traz
No filme Papai é pop inspirado no livro homônimo de Marcos Piangers, e protagonizado por Lázaro Ramos e Paolla Oliveira, são abordadas questões como masculinidade, licença-paternidade, ausência e abandono paterno. O filme mostra que a ausência paterna pode constituir seres incompletos, sem referencial do que é ser marido e pai, o que acaba fazendo com que os homens se sintam despreparados, assustados e intimidados com a nova realidade que a paternidade traz, causando crises conjugais e até a separação do casal.
O Brasil prevê apenas cinco dias de licença remunerada aos homens logo após o nascimento do filho, enquanto as mulheres têm direito a 120 ou 180 dias. Outra questão que influencia para que as mulheres assumam o total cuidado dos filhos é que, segundo as últimas pesquisas do IBGE, os homens recebem salários, em média, 22% maiores que elas. Somado a isso, vemos homens que não foram educados para sentir e assumir com responsabilidade os desafios da vida.
Para que os pais participem mais na educação dos filhos é preciso mudar toda uma estrutura e promover a equidade de gênero. Isso começa em casa na educação dos meninos. Quando compartilhamos as responsabilidades domésticas e de cuidado de forma igualitária entre todos os membros, criamos um ambiente de respeito mútuo, em que todos são valorizados por suas contribuições e opiniões, o que fortalece os relacionamentos familiares e cria uma base mais saudável para o crescimento e o bem-estar de todos.
Além disso, enquanto sociedade e líderes de empresas, podemos perceber a licença parental para pai e mãe como um investimento social; e os colaboradores como pessoas que podem transformar o mundo através dos seus filhos.
A presença do pai na educação de filhos com deficiência é essencial para proporcionar um ambiente de amor, apoio e desenvolvimento mais saudável. O pai desempenha um papel significativo na construção da autoestima dos filhos e no bem-estar geral da família. Além disso, o pai pode oferecer uma perspectiva única e complementar à mãe no processo de educação. Suas abordagens, interesses e formas de interação podem enriquecer a experiência da criança. Para famílias em que a mãe é a principal cuidadora, o pai pode fornecer apoio prático, financeiro e emocional. Isso ajuda a compartilhar as responsabilidades e a reduzir o estresse no ambiente familiar.
Participar ativamente na educação dos filhos com deficiência, exige do pai estar presente em reuniões escolares, consultas médicas e sessões de terapia. Isso demonstra comprometimento e valorização das necessidades das crianças.
Recomendo que os pais que me leem, assistam ao filme Papai é Pop, que fala sobre a importância dos pais estarem presentes e engajados na vida de seus filhos, e mostra que, mesmo vindo de uma história de ausência paterna, os homens podem estudar para ser pai e aprender maneiras de fazer diferente, valorizando os momentos cotidianos com os filhos. O longa ainda enfatiza que a paternidade pode ser uma jornada de alegria e momentos divertidos, mesmo nas situações mais desafiadoras. E que ao superar desafios e obstáculos que surgem no caminho, pode acontecer um crescimento pessoal e um fortalecimento das relações familiares que ficam mais significativas.
*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.
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Mônica Pitanga
Mônica Pitanga é mãe atípica e rara. Formada em Administração de Empresas. Certificada em Parentalidade e Educação Positivas, Inteligência Emocional e Social e Orientação e Aconselhamento Parental pela escola de Porto, em Portugal. Certificada também em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Fundadora da ONG Mova-se Juntos pela inclusão.
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