Sobe e desce da temperatura: como proteger a saúde das crianças com as mudanças bruscas de clima?

Depois de dias quentes, a queda nas temperaturas pode aumentar o desconforto no nariz e na garganta. Veja como ajudar os pequenos a atravessar a oscilação térmica com mais conforto

A depender da região que você vive, no Brasil, sair de casa é uma aventura. O dia começa frio, depois esquenta, chove, venta, esquenta de novo, esfria… A gente nunca sabe que roupa colocar. O jeito é apelar para o “look cebola”, aquele com várias camadas, sabe?

Mas quem dera se o problema fosse só tirar e colocar os casacos. Quem tem criança em casa sabe que o sobe e desce dos termômetros pode ser especialmente incômodo para a saúde: nariz entupido, garganta irritada, coriza e crises de rinite podem aparecer ou piorar. Mas será que a mudança de temperatura realmente “causa” gripe e resfriado?

Não exatamente. Gripes e resfriados são provocados por vírus, e não pelo frio em si. O que acontece é que a variação de temperatura, o ar mais seco e a permanência em ambientes fechados podem favorecer irritações das vias respiratórias e aumentar a circulação de vírus, especialmente em períodos de maior incidência de doenças respiratórias.

“O nariz tem a função de aquecer e umidificar o ar inspirado. Quando as temperaturas variam muito em pouco tempo, essa adaptação pode ficar mais difícil, favorecendo irritações e inflamações das vias respiratórias”, explica o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros. Em crianças que já têm rinite ou outras condições respiratórias, o impacto pode ser ainda maior. Por isso, segundo o médico, alguns cuidados simples ajudam a atravessar os dias de oscilação térmica com mais conforto:

  1. Mantenha a criança bem hidratada

Água é importante para manter as mucosas hidratadas, especialmente quando o ar está mais seco ou quando a criança passa bastante tempo em ambientes com ar-condicionado ou aquecidos. Não é preciso esperar que seu filho peça água: ofereça líquidos ao longo do dia, principalmente para os menores, que podem não perceber a sede.

  1. Deixe os ambientes ventilados

Em dias frios, a tendência é manter portas e janelas fechadas por mais tempo. O problema é que ambientes fechados e pouco ventilados facilitam a circulação de vírus respiratórios. Sempre que possível, mantenha os cômodos arejados. Em locais com muitas pessoas, como escolas, transporte público e espaços de convivência, esse cuidado é ainda mais importante. No frio, você não precisa ficar o dia inteiro em ambientes fechados. Quando o clima permitir, atividades ao ar livre são bem-vindas.

  1. Lavagem nasal pode ajudar (mas precisa ser feita corretamente)

Para crianças que sofrem com congestão, coriza ou rinite, a lavagem nasal com solução salina pode ajudar a remover secreções e partículas presentes nas cavidades nasais. O procedimento deve ser feito com soro fisiológico ou solução preparada de acordo com orientações adequadas de segurança. Para crianças pequenas, especialmente bebês, é importante conversar com o pediatra sobre a melhor forma e o volume de solução a ser utilizado. Também é preciso evitar jatos muito fortes. A lavagem deve ser suave, respeitando a idade da criança e as orientações do fabricante do dispositivo utilizado.

Outro cuidado importante: não use água diretamente da torneira para preparar soluções destinadas ao nariz. Quando houver orientação para preparar uma solução caseira, a água deve ser previamente tratada de maneira segura, conforme orientação de um profissional de saúde.

  1. Cuidado com o ar-condicionado

O ar-condicionado não precisa ser proibido quando a temperatura cai ou sobe. O problema está principalmente no ar muito frio e seco e nas mudanças bruscas de temperatura. Sair de um ambiente muito quente e entrar imediatamente em outro bastante frio pode aumentar o desconforto nasal e da garganta, especialmente em crianças com rinite. Por isso, quando possível, evite temperaturas extremas e mantenha os aparelhos devidamente higienizados. Também é importante evitar que o fluxo de ar fique diretamente sobre a criança.

  1. Roupas em camadas são uma boa estratégia

Quando a previsão muda muito ao longo do dia, vestir a criança em camadas pode ser mais confortável do que escolher uma roupa muito pesada pela manhã. Assim, é possível retirar uma peça quando esquentar e colocá-la novamente quando a temperatura cair. O objetivo não é manter a criança excessivamente agasalhada, mas evitar que ela passe frio ou fique superaquecida. Observe o conforto da criança, especialmente os bebês, que ainda não conseguem regular a temperatura corporal da mesma forma que crianças maiores.

  1. Sono e alimentação também entram na conta

Uma rotina de sono adequada e uma alimentação variada são importantes para a saúde de maneira geral e ajudam o organismo a funcionar bem. Não existe um alimento específico capaz de “blindar” a criança contra gripes e resfriados. O mais importante é manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras, legumes, proteínas e cereais, além de oferecer líquidos adequadamente.

  1. Atenção redobrada para quem já tem problemas respiratórios

Crianças com asma, rinite alérgica ou outras doenças respiratórias podem apresentar piora dos sintomas durante períodos de mudança de temperatura e ar mais seco. Nesses casos, é importante seguir o tratamento prescrito pelo pediatra ou especialista e não suspender medicamentos por conta própria só porque a criança está melhor. Tosse persistente, falta de ar, chiado no peito, dificuldade para respirar, prostração importante ou febre que preocupa os responsáveis são sinais que merecem avaliação médica.

Aviso de conteúdo

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.

Veja Também