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Anda esquecida e tem dificuldade de concentração? Saiba que não está sozinha
Você entra em um cômodo e esquece o que foi buscar. Abre a geladeira sem lembrar o que pretendia pegar ali. Procura uma palavra simples no meio de uma conversa ou precisa reler várias vezes o mesmo parágrafo para conseguir se concentrar. Quando isso começa a acontecer com frequência, é comum surgir uma dúvida: será que estou ficando maluca?
Primeiro, é importante saber que você não é a única, sobretudo se está na faixa de 40+. Para algumas mulheres, essas mudanças acontecem na perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa. Conhecida popularmente como “névoa mental”, a sensação pode envolver lapsos de memória, dificuldade de concentração e a impressão de que o raciocínio está mais lento.
Uma pesquisa do Grupo Boticário, desenvolvida em parceria com a consultoria Estúdio Eixo, ajuda a dimensionar o tema. O levantamento Ciclos Femininos reuniu 1.200 mulheres de 14 a 65 anos, das classes A, B e C, nas regiões Sudeste e Nordeste. Entre os resultados divulgados, 31% das entrevistadas relataram perda de memória de curto prazo e dificuldade de concentração. Cerca de 70% consideravam a menopausa um tabu e diziam não estar preparadas para as mudanças dessa fase.
Por que a menopausa pode afetar a memória?
Dificuldades de concentração e queixas de memória são comuns durante a transição menopausal e nos anos imediatamente posteriores à menopausa, segundo a The Menopause Society, organização norte-americana especializada no tema.
As mudanças hormonais fazem parte desse processo, mas não explicam tudo sozinhas. Isso porque a cognição também pode ser influenciada por sintomas que acompanham essa fase, como alterações do sono, ondas de calor e mudanças de humor.
Se você desperta várias vezes durante a noite por causa dos fogachos, por exemplo, pode passar o dia cansada e ter mais dificuldade para manter a atenção ou registrar novas informações, porque o sono foi prejudicado e não como uma consequência hormonal direta. Estresse e ansiedade também podem prejudicar a concentração.
É importante lembrar, porém que nem toda mulher terá névoa mental e que nem todo esquecimento a partir dos 40 anos seja causado pela menopausa. A intensidade dos sintomas, o momento em que aparecem e o impacto na rotina ajudam a orientar a avaliação.
Névoa mental ou cansaço acumulado?
Nessa fase da vida, muitas mulheres atravessam a transição para a menopausa enquanto tentam equilibrar trabalho, filhos, cuidados com familiares e tarefas domésticas. A falta de descanso e a sobrecarga podem contribuir para a sensação de estar sempre distraída ou mentalmente exausta.
Outros fatores, como ansiedade, depressão, alterações da tireoide, anemia, efeitos de determinados medicamentos e distúrbios do sono, também entram nessa conta. Por isso, uma avaliação individual é importante quando os sintomas são frequentes ou começam a interferir na vida cotidiana.
Quando os esquecimentos merecem avaliação médica?
Ter lapsos ocasionais não significa, necessariamente, que exista uma doença. Na dúvida, pode ser interessante conversar com um profissional de saúde, principalmente se a sua dificuldade de concentração ou memória é persistente, piora com o tempo, causa sofrimento ou começa a prejudicar atividades habituais.
Procure avaliação também se os esquecimentos vierem acompanhados de mudanças importantes no humor, perda de interesse pelas atividades, insônia persistente ou cansaço intenso. Esses sintomas podem ter diferentes causas e merecem atenção.
Uma mudança súbita na memória ou na capacidade de pensar, especialmente se vier acompanhada de confusão, dificuldade para falar, fraqueza ou alteração da visão, exige atendimento de urgência.
Na consulta, o profissional poderá avaliar o histórico menstrual, outros sintomas da transição menopausal, o sono, o humor, os medicamentos em uso e a necessidade de investigar outras condições, em vez de atribuir tudo automaticamente à menopausa.
No dia a dia
Embora não exista uma solução única para a névoa mental, algumas medidas podem facilitar a rotina e ajudar a cuidar da saúde cognitiva.
- Cuide do sono. Se ondas de calor e suores noturnos interrompem seu descanso, converse com um profissional sobre as opções para aliviar esses sintomas.
- Use lembretes sem culpa. Agenda, alarmes e listas ajudam a reduzir a carga de ter que guardar tudo na memória.
- Faça uma coisa de cada vez. Dividir tarefas grandes em etapas menores pode facilitar a concentração quando a atenção está prejudicada.
- Observe os sintomas. Anotar quando os esquecimentos aparecem e se coincidem com noites mal dormidas, alterações menstruais ou períodos de maior estresse pode ajudar na consulta.
- Mantenha-se ativa. Atividade física regular, estímulo intelectual e convivência social fazem parte das recomendações para preservar a saúde geral e cognitiva.
- Acompanhe outros fatores de saúde. Pressão alta, diabetes e colesterol elevado também merecem atenção. Não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool são medidas que contribuem para a saúde cerebral.
Fontes: The Menopause Society — saúde mental, memória e cognição; NHS — sintomas da menopausa e perimenopausa; revisão científica sobre alterações cognitivas, sono e humor na transição menopausal.
Canguru News
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