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Manteiga para fazer o bebê dormir? Entenda a trend que viralizou nas redes
Qual promessa de uma noite de descanso mais tranquila é uma tentação para pais de bebês ou crianças pequenas, em privação de sono. Talvez por isso uma trend bem esquisita tenha viralizado tanto nas redes sociais. De acordo com os vídeos, que se espalharam rapidamente, oferecer manteiga pura ao bebê pode ajudá-lo a dormir por mais tempo.
A tendência ganhou até nome. Ficou conhecida como Butter Baby. Ela parte da premissa de que, por ser rica em gordura e bastante energética, a manteiga deixaria o bebê mais saciado e, consequentemente, reduziria os despertares na madrugada. Mas será que funciona? E mais: será que traz algum risco para a saúde do bebê?
De acordo com a nutricionista Laura Lorencini, da Estima Nutrição, a manteiga pode, sim, aparecer na alimentação depois do início da introdução alimentar, mas isso é bem diferente de utilizá-la como uma estratégia para melhorar o sono. Após os 6 meses, ela pode ser consumida eventualmente e em pequenas quantidades, dentro de uma refeição variada.
A nutricionista explica que esse tipo de gordura pode ser usado em pequenas quantidades no preparo ou na finalização de alimentos, como legumes, tubérculos, ovos e outras preparações. Não existe, porém, uma recomendação oficial de uma quantidade diária específica de manteiga para bebês. O mais importante é que ela não ocupe o espaço de alimentos mais nutritivos na refeição.
A gordura não só é permitida, como é importante nessa fase. Isso porque fornece energia e participa de processos fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento. Mas a manteiga está longe de ser indispensável e muito menos precisa fazer parte da alimentação diária de crianças pequenas. “A manteiga fornece principalmente gordura e energia, além de pequenas quantidades de vitaminas lipossolúveis, mas não é um alimento particularmente rico em proteínas, ferro, zinco ou outros nutrientes fundamentais nessa fase”, explica Laura.
De acordo com a especialista, a alimentação do bebê deve contar com diferentes fontes de gordura. Entre elas estão azeite de oliva, abacate, peixes, gema de ovo, carnes, castanhas e sementes. A variedade é importante porque nenhum alimento sozinho é capaz de fornecer todos os nutrientes necessários nessa fase.
Manteiga antes de dormir faz o bebê dormir mais?
Não há evidência de que oferecer manteiga antes de dormir seja uma estratégia comprovada para fazer o bebê dormir por mais tempo ou diminuir os despertares noturnos.
A gordura é bastante energética e pode aumentar a densidade energética de uma refeição. No entanto, isso não garante que comer manteiga antes de dormir vá necessariamente prolongar o sono. “Além disso, o sono do bebê não depende apenas da alimentação”, afirma a nutricionista.
Um bebê pode acordar durante a noite por diversos motivos, como necessidade de contato, dentição, mudanças na rotina, desconforto, ambiente, fases do desenvolvimento ou simplesmente pelo padrão de sono esperado para aquela idade.
Sem falar que oferecer grandes quantidades de manteiga pode aumentar bastante a ingestão de calorias sem fornecer, na mesma proporção, os nutrientes de que o bebê precisa. Além disso, pode ocupar o espaço que seria destinado a alimentos mais nutritivos e aumentar a proporção de gordura saturada da alimentação. “Isso também estimula uma prática pouco compatível com a proposta da alimentação complementar, que é justamente ampliar variedade, sabores, texturas e nutrientes”, explica Laura.
O ponto principal é que a manteiga não precisa ser um alimento proibido, porque pode fazer parte eventual de uma alimentação diversificada. Mas ela não é um “truque” para fazer o bebê dormir.
Todo despertar noturno significa fome?
Não necessariamente. Acordar durante a noite é comum na primeira infância e, sozinho, esse comportamento não significa que o bebê esteja com fome. Segundo Laura, os pais podem observar o conjunto de sinais apresentado pela criança.
Procurar o peito ou a mamadeira, levar as mãos à boca, demonstrar interesse por comida e apresentar outros sinais consistentes de fome podem indicar uma necessidade de alimentação. Já despertares acompanhados de busca por colo, dificuldade para voltar a dormir ou relacionados a mudanças na rotina podem ter outras causas.
Também é importante observar como está a alimentação durante o dia, se o bebê recebe refeições adequadas para a idade e se mantém o leite materno ou a fórmula conforme o caso. O acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento também ajuda a avaliar se a alimentação está adequada.
Quando os pais estão preocupados ou têm dúvidas sobre fome noturna, ganho de peso, quantidade de leite ou composição das refeições, a recomendação é conversar individualmente com o pediatra ou nutricionista que acompanha a criança – e não oferecer manteiga pura antes de dormir na tentativa de “segurar a fome”.
Canguru News
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