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Seu filho está entrando na puberdade? Novo projeto prevê consultas de orientação no SUS
De repente, aquela criança começa a mudar. O corpo se transforma, a voz se altera e até o comportamento parece outro. As primeiras mudanças da puberdade costumam vir acompanhadas de muitas dúvidas, tanto para os filhos quanto para os pais. É natural que o crescimento dos seios, o aparecimento de pelos, as mudanças na voz e a chegada da primeira menstruação despertem curiosidade, insegurança e até um certo constrangimento.
E se meninas e meninos e as famílias pudessem contar com orientação médica gratuita, em todo o Brasil, para atravessar essa fase desafiadora com mais informação e acolhimento? É o que prevê um projeto aprovado na Câmara dos Deputados nesta semana.
A proposta, que segue para análise do Senado, estabelece diretrizes para o atendimento a partir das primeiras transformações puberais ou da menarca (sim, este é o nome ‘formal’ da primeira menstruação). A intenção é ampliar o acesso à medicina preventiva e garantir que os jovens recebam informações adequadas à idade e ao estágio de desenvolvimento.
O texto aprovado é um substitutivo apresentado pela deputada Flávia Morais (MDB-GO) ao Projeto de Lei 5239/2025, de autoria da deputada Adriana Ventura (Novo-SP). A nova versão ampliou o alcance da proposta para incluir também os meninos.
O que está previsto no projeto?
As consultas deverão oferecer orientações sobre o desenvolvimento do corpo, o autocuidado e os hábitos saudáveis, além de abordar questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. Entre as diretrizes previstas estão a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), a divulgação de informações sobre a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e o acolhimento das necessidades físicas e emocionais dos adolescentes.
Mas não é só. A proposta também destaca a importância de respeitar a privacidade, a dignidade e as particularidades de cada jovem. Os atendimentos deverão ocorrer preferencialmente na atenção primária, por meio das unidades de saúde, com encaminhamento para especialistas quando houver necessidade clínica.
Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa concluir sua tramitação no Congresso Nacional, passando pelo Senado, e ser sancionado.
Hora certa
Será que existe um momento ideal para puxar a conversa sobre estas mudanças com os filhos? Na verdade, não. Até porque a puberdade não começa na mesma idade para todas as crianças. Nas meninas, um dos primeiros sinais costuma ser o desenvolvimento das mamas, geralmente entre os 8 e os 13 anos. Nos meninos, o aumento do volume dos testículos costuma marcar o início dessa fase, normalmente entre os 9 e os 14 anos.
No entanto, segundo a Academia Americana de Pediatria (AAP), é importante que as conversas sobre o corpo comecem antes que as mudanças aconteçam. Dessa forma, a criança tem a oportunidade de compreender o que está vivendo e fazer perguntas sem medo ou vergonha.
No caso das meninas, a primeira menstruação costuma ocorrer cerca de dois a três anos depois do início do desenvolvimento das mamas, embora exista uma variação individual.
É preciso esperar a primeira menstruação para procurar atendimento?
Não. E vale ressaltar que crianças e adolescentes já podem receber acompanhamento nas unidades de saúde do SUS, mesmo antes da eventual aprovação da nova lei. O atendimento pode ser realizado por profissionais da atenção primária, que avaliam o crescimento, o desenvolvimento e outras necessidades de saúde. Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado a especialistas.
A consulta também é uma oportunidade para conversar sobre mudanças corporais, higiene, alimentação, sono, vacinação e saúde emocional. É importante procurar avaliação médica quando os sinais da puberdade surgem muito precocemente, quando não aparecem na faixa etária esperada ou quando há sintomas que causam preocupação.
Além de acompanhar as transformações físicas, o objetivo é garantir que meninas e meninos compreendam o próprio desenvolvimento e saibam que podem procurar ajuda sempre que tiverem dúvidas.
Canguru News
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