Piadas de pai podem fortalecer o vínculo com os filhos, sugere estudo

As famosas "piadas sem graça", as caretas e as brincadeiras típicas dos pais podem fazer muito mais do que arrancar gargalhadas das crianças. Um estudo recente indica que o humor compartilhado pode contribuir para fortalecer a relação entre pais e filhos e ajudar na construção de um vínculo afetivo mais seguro desde a primeira infância

 

 

— Por que o livro de matemática ficou triste? — Porque tinha muitos problemas.

— O que o zero disse para o oito? — Belo cinto!

— Qual é o café mais perigoso do mundo? — O ex-presso.

As crianças adoram adivinhas e as piadas típicas dos pais (ou dos tios), bem na linha do “é pavê ou ‘pá comer’?”. Os trocadilhos duvidosos fazem muito mais do que divertir os pequenos. O assunto é tão sério, que virou tema de um importante estudo, publicado no Journal of Experimental Child Psychology.

Os pesquisadores envolvidos encontraram uma associação entre o humor compartilhado pelos pais e um vínculo mais seguro com os filhos. A descoberta reforça uma ideia simples, mas poderosa: brincar, rir e entrar no universo da criança também é uma forma de cuidar.

Para chegar a esta conclusão, os autores acompanharam 144 famílias com crianças entre 3 e 5 anos. Em uma atividade, pais e mães foram convidados a brincar livremente com os filhos e tentar fazê-los rir. Depois, a equipe avaliou a qualidade da relação entre adultos e crianças por meio de instrumentos usados para medir o apego infantil.

O resultado mostrou que quanto mais a criança ria durante a interação com o pai, maior tendia a ser a segurança desse vínculo. Isso não significa que as mães não façam os filhos rirem — elas conseguiram provocar gargalhadas com a mesma frequência. No entanto, foi na relação entre pais e filhos que os pesquisadores encontraram uma associação mais consistente entre o riso compartilhado e a segurança do apego. De acordo com os cientistas, o humor funciona como uma importante forma de conexão emocional.

Não são apenas as “piadas de pai”

Embora a pesquisa tenha inspirado manchetes sobre as famosas dad jokes — aquelas piadas cheias de trocadilhos que só os pais parecem achar realmente engraçadas —, o estudo foi além. Os pesquisadores observaram diferentes formas de fazer a criança rir, como: fazer caretas, mudar a voz durante uma brincadeira, inventar personagens. correr ou brincar de pega-pega, fazer cócegas, fingir surpresa ou agir de forma exageradamente engraçada. O que todas essas situações têm em comum é a interação. O pai deixa o celular de lado, presta atenção no filho e compartilha um momento de diversão.

Na primeira infância, brincar é uma das principais formas de comunicação. É durante essas interações que a criança aprende sobre confiança, acolhimento e relacionamento. Quando um pai entra na brincadeira, acompanha as ideias do filho e se diverte junto, ele transmite uma mensagem importante. É como se dissesse: “Eu estou aqui com você”.

Esse sentimento ajuda a construir o chamado apego seguro, que é uma relação em que a criança se sente protegida para explorar o mundo, sabendo que pode recorrer ao adulto sempre que precisar de conforto e apoio.

Não existe pai perfeito; existe pai presente

A pesquisa não sugere que para ser um bom pai você precisa ter uma veia cômica, ser naturalmente engraçado ou um contador profissional de piadas. Na verdade, basta que o pai aceite brincar de faz de conta, faça uma voz diferente durante a leitura de um livro, transforme o caminho até a escola em uma aventura ou conte aquele trocadilho que só ele acha genial. Esses momentos simples, repetidos ao longo dos anos, ajudam a construir lembranças afetivas e fortalecem a conexão.

 

Aviso de conteúdo

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.

Veja Também