Quer que seu filho conte tudo para você? Conheça a regra da “cara de alface”

Um educador parental norte-americano viralizou ao compartilhar uma estratégia simples para fortalecer a confiança entre pais e filhos: evitar reações exageradas quando eles contam algo difícil. Aqui no Brasil, temos uma expressão para isso: a “cara de alface”

Seu filho derrubou o vaso da sala. Tirou uma nota baixa. Brigou com um colega. Fez algo que sabia que não devia. Quando ele decide contar o que aconteceu, qual é a sua primeira reação? A resposta para essa pergunta pode influenciar diretamente o quanto ele se sentirá confortável para ser sincero com você no futuro.

Recentemente, o educador parental norte-americano Michael Whitlock viralizou nas redes sociais ao compartilhar uma estratégia simples para criar um ambiente de confiança entre pais e filhos. Segundo ele, tudo começou quando ele e a esposa observaram algo que os intrigava: um casal de amigos tinha um filho adolescente que parecia contar absolutamente tudo aos pais. Curiosos, perguntaram qual era o segredo.

A resposta foi surpreendentemente simples: desde que os filhos eram pequenos, aqueles pais tinham uma regra. Não importava o que eles viessem contar, a reação inicial dos adultos seria sempre calma, mesmo se estivessem surtados por dentro.

Aqui no Brasil, a reação é conhecida como “cara de alface”. Sabe aquela expressão de “nada”, de que você não está abalado? Então. Por mais difícil que seja, é a ela que você precisa recorrer.

A proposta é simples. Quando a criança ou o adolescente traz uma notícia difícil, o adulto faz o possível para não demonstrar choque, desespero ou indignação imediata. Em vez disso, escuta.

Quando ouvimos algo que nos preocupa, é natural querer interromper, corrigir, dar sermão ou mostrar desapontamento. O problema é que, do ponto de vista da criança, a mensagem pode ser outra. Eles aprendem que contar a verdade gera uma reação desagradável. Com o tempo, isso pode fazer com que ela pense duas vezes antes de compartilhar algo importante. Já quando encontra acolhimento, a criança aprende que pode recorrer aos pais mesmo quando erra.

Isso não significa, é claro, ignorar comportamentos inadequados nem deixar de estabelecer limites. A questão é entender que existe uma diferença entre o momento de ouvir e o momento de orientar. Primeiro vem a conexão. Depois vem a correção.

Imagine que um adolescente conte que foi mal em uma prova ou que se envolveu em uma situação complicada com amigos. Se a primeira resposta for uma explosão emocional, a conversa tende a se encerrar rapidamente. Às vezes, ela nem começa! Mas se ele ouvir algo como “Obrigado por me contar” ou “Vamos entender juntos o que aconteceu”, as chances de manter o diálogo aberto aumentam.

A confiança é construída justamente nesses pequenos momentos. Ao longo da infância e da adolescência, os filhos observam atentamente como os pais reagem às suas falhas, dúvidas e dificuldades. Quando percebem que serão acolhidos mesmo nos momentos mais delicados, sentem-se mais seguros para procurar ajuda quando realmente precisam.

A regra da cara de alface não tem a ver com esconder emoções ou fingir que nada aconteceu. A ideia é mostrar ao seu filho que o vínculo entre vocês é forte o suficiente para suportar conversas difíceis. E talvez essa seja uma das mensagens mais importantes que uma criança pode receber.

 

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