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Pela volta das festas de aniversário como eram nos anos 1990
Muito antes de buffets temáticos e decorações estratosféricas, em um tempo remoto, lá pelos idos da década de 1990, as festas de aniversário infantis eram muito diferentes. Não dá para dizer que não davam uma trabalheira. Mas até isso fazia parte do ritual e da diversão. Quem é que se lembra?
Tudo começava no dia anterior, quando as pessoas se juntavam na cozinha para cozinhar e enrolar os brigadeiros e beijinhos. Na sua festa tinha também cajuzinho e olho de sogra? Eu detestava, mas os adultos curtiam. Então, lembro que entrava, sim, no menu. Você também assoprava as forminhas dos docinhos para separá-las e colocar os doces? A assepsia passava longe.
A decoração era composta por bexigas de cores aleatórias, penduradas com barbante e fita adesiva, alguns enfeites de papelão, uma toalha de plástico na mesa, rodeada por um enfeite de papel crepom – que poderia ser apenas uma borda ou toda uma “saia”. As balas de coco, também embaladas em papel crepom com franjinhas eram sucesso total. Ah, as garrafas de refrigerante e até de bebidas de adulto, como cerveja, também compunham o visual. E todo mundo achava o máximo!
No cardápio? Nada de macarrãozinho, salada, crepe ou “finger food”. O lance era coxinha, bolinha de queijo e rissoles. Tinha também o lanche de carne louca, o cachorro-quente e pipoca no saquinho branco.
Tudo isso acontecia nas garagens. Quando davam de frente para o portão, ele era coberto com uma lona plástica, para frear a bisbilhotagem dos vizinhos. As cadeiras da casa iam todas para o local da festa e eram dispostas em torno do ambiente, lado a lado, encostadas nas paredes. O centro da garagem ficava livre para as crianças correrem de um lado para o outro.
Aliás, as brincadeiras eram elas mesmas que inventavam e se viravam para realizar. Nada de monitores ou de alguém focado em guiar, cuidar ou supervisionar os pequenos. Pega-pega, esconde-esconde, estátua e dança das cadeiras eram algumas das modalidades favoritas.
A ideia era reunir todo mundo e celebrar – e não controlar tanto.
Mas há coisas que melhoraram!
Também não dá para fechar os olhos e viver na nostalgia e no saudosismo, achando que “tudo era melhor na minha época”. Muita coisa melhorou hoje e é preciso lembrar. Hoje, por exemplo, há uma consciência maior sobre o bem-estar das crianças. Era legal, sim, reunir os primos e os amigos para brincadeiras livres, sem intervenção excessiva dos adultos. Mas os riscos existem e, por isso, é positivo que hoje a supervisão seja mais atenta, que os ambientes sejam pensados para serem inclusivos, e haja um cuidado maior com limites e necessidades individuais.
Outro ponto importante para destacar é que, quando falamos, ali, do preparo da festa na noite anterior, tudo ficava a cargo das mulheres. Pelo menos, é o que acontecia com a maioria das famílias. Mães, tias e avós passavam a noite na cozinha e mal tinham tempo de se arrumar para a festa. Quando chegava o momento, elas estavam tão cansadas e estressadas, que se divertiam pouco.
Não dá para dizer que o trabalho deixou de ser concentrado nas mãos delas, em boa parte dos casos. Mas o cenário tem mudado, o assunto tem sido discutido e, aos poucos, a divisão de tarefas vai ficando mais equilibrada.
Voltar no tempo não é possível e nem desejável, porque aconteceram avanços importantes e cada época tem sua magia. Mas dá para olhar um pouco (só um pouquinho mesmo!) para trás, para resgatar o que valia da espontaneidade das festas da década de 1990, com menos preocupação com a perfeição e mais diversão. Ah, e tragam de volta também os bolos maiores, vai?
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