35 lições que as crianças devem aprender, segundo Mauricio de Sousa e Mario Sergio Cortella

A dupla de autores lança terceiro livro em parceria para promover reflexões sobre temas como filosofia, ética e convivência

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“Não é fácil ilustrar textos tão profundos como os do (Mario Sergio) Cortella. Mas ao mesmo tempo eles são sempre positivos e têm a mesma filosofia de nossa turminha”, disse Mauricio de Sousa à Canguru News, referindo-se ao trabalho realizado no livro “Vamos pensar também sobre valores?”, que ele e Cortella acabam de lançar juntos.

A obra, terceira em parceria dessa dupla para lá de especial, traz 35 lições que buscam promover nos jovens leitores reflexões sobre temas como filosofia, ética, convivência, formação, justiça, memória e afeto.

“O exercício da reflexão deve ser algo constante em nossas vidas. Tomamos decisões mais equilibradas quando meditamos antes de agir. Tendemos a ser mais cuidadosos em nossas escolhas”, relata Cortella na introdução do livro. Doutor em educação e um dos filósofos mais aclamados do país, ele já publicou mais de 30 títulos e conta com 4,8 milhões de seguidores no Instagram.

E como é ilustrar um livro que fala sobre valores?

Mauricio de Sousa diz que as histórias em quadrinhos têm outra dinâmica, mas também passam ideias que resvalam em filosofia “como nas historinhas do Horácio, que vive questionando tudo no mundo”. Ele diz, inclusive, que essa afinidade “filosófica” com Cortella pode render outros frutos. “Não vai parar por aí”, comenta o cartunista mais famoso do Brasil, que já criou cerca de 500 personagens, tem mais de 1 bilhão de revistas vendidas, 4 mil produtos licenciados e desenhos animados que passam de 20 milhões de visualizações.

E alguém pode questionar se a Mônica, mesmo com toda sua valentia, é capaz de ensinar valores a seus amigos. Claro que sim, afirma o cartunista. “Mônica passa a ideia de pavio curto, como muitas crianças que conhecemos, mas sempre termina amiga e feliz com seus companheiros de aventuras. Alguns até acham que a briga dela com o Cebolinha vai dar em casamento!”, brinca Mauricio de Sousa, lembrando ainda que as crianças têm suas diferenças e aprendem com isso.

No livro, Mônica surge sorridente usando um computador para ilustrar verbete que trata dos memes – os quais, explica Cortella, quase sempre têm a intenção de nos fazer rir e pensar. Já o dinossauro verde Horácio aparece contemplando o horizonte em lição que fala sobre gratidão à vida. O cachorrinho Bidu, por sua vez, segura um cartaz em que diz “Prefira sempre o original!”, ilustrando texto que ressalta a diferença entre imitar e inspirar-se.

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Fantasma Penadinho: um praticante da ‘escuta atenta’

Com textos curtos e linguagem acessível aos jovens leitores, as 35 lições trazem também frases de pensadores ou pessoas marcantes de diferentes épocas. Um deles é o educador mineiro Rubem Alves, que disse que “No Brasil, temos muito curso de oratória e poucos cursos de escutatória”. Ele é citado no capítulo “Atenção amorosa”, que destaca a importância de uma “escuta atenta”, que tem a intenção de acolher a necessidade de alguém – o amigo, a família ou mesmo aqueles com quem temos inimizade. E sabe qual personagem aparece praticando a escuta atenta no livro? O fantasminha Penadinho e sua namorada, que conversam com a caveira Cranícola em frente ao… cemitério! Afinal, quer lugar melhor do que esse para ouvir bem o interlocutor?

Mauricio de Sousa explica que o principal objetivo da obra é entreter crianças e jovens. “Mas a turminha sempre procura passar ideias como empatia, respeito aos pais e conviver com os diferentes. Tanto que praticamos isso por 60 anos de publicações atingindo mais de 4 gerações e conseguimos sempre ganhar novos leitores”, relata o cartunista.

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‘Contar histórias como minha avó fazia é raridade hoje em dia’, diz o cartunista que acaba de ganhar mais um neto

No primeiro capítulo, intitulado “O que passa pelo coração”, Cortella afirma gostar da palavra “recordar”, que significa fazer passar de novo pelo coração. “Muitas vezes, a recordação nos leva a sentir saudade. Voltamos àquilo que guardamos como uma boa lembrança”, diz o filósofo.

São as lembranças das histórias contadas pela avó e pelo pai que Mauricio de Sousa diz guardar com carinho em seu coração. “Os celulares, redes sociais e as mídias ajudam a conectar pessoas, mas também as afastam. As reuniões de família ou mesmo entre amigos se reduziram. Contar histórias como minha avó fazia é raridade hoje em dia. Mas temos que lutar para não perdermos essa magia de vivenciar bons momentos com nossos avós”.

Para manter essa tradição, sempre que pode, ele diz reunir os 10 filhos, 13 netos e 4 bisnetos em seu sitío, no interior de São Paulo. “Lá, conversamos sem a pressão do dia a dia e aí saem brincadeiras e histórias gostosas.” Neste mês de agosto, Mauricio ganhou mais um netinho, chamado Martin. “Apesar de todos os problemas no mundo, sempre há esperança quando nasce uma criança. E esse, sim, talvez seja um futuro personagem!”, revelou o cartunista Mauricio de Sousa. Ficamos no aguardo!

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2 COMENTÁRIOS

  1. Olá, Ronaldo, tudo bem? Ficamos muito felizes em saber que você gosta dos nossos conteúdos e que se tornou assinante da nossa newsletter. Para nós, é muito importante conhecer a opinião dos nossos leitores. Críticas, sugestões e elogios são sempre bem vindos. Fique à vontade para nos escrever sempre que quiser. Obrigada! Um abraço, Verônica.

  2. Parabéns!
    Me inscrevi no Canguru News, percebi que trata os temas com seriedade , informação e pertinência .

    Se acompanharmos , a metade do conteúdo e dicas que o Canguru apresenta, certamente estaremos colaborando na formação de uma geração mais feliz.
    Grato!
    M Ronaldo Silva
    Porto Alegre-RS

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