Mães atípicas: 7 sinais de que a saúde mental está pedindo ajuda

Sobrecarga, culpa, ansiedade e exaustão podem fazer parte da rotina de quem cuida de uma criança com necessidades específicas. Agora, serviço do SUS oferece até 100 mil teleatendimentos mensais para mães atípicas e outros familiares cuidadores

Cuidar de uma criança com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara pode exigir uma dedicação intensa. São consultas, terapias, escola, adaptações, medicamentos, burocracias e uma rotina que muitas vezes precisa ser reorganizada em função das necessidades do filho. No meio de tudo isso, é comum que a saúde mental de quem cuida fique em segundo plano. Quem cuida de quem cuida?

Para tentar ampliar o acesso a quem precisa dessa atenção, o Ministério da Saúde anunciou, na última segunda-feira (24), a oferta de até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para mães atípicas e também para mulheres em situação de violência, em todo o Brasil. O serviço também contempla outros familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O atendimento pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital.

“Essa iniciativa vai dar esperança a muitas mulheres, especialmente às mães atípicas, que muitas vezes enfrentam a sobrecarga do cuidado sem apoio psicológico ou uma rede com a qual possam contar”, afirmou Thelma Mello, representante da Central de Movimentos Populares, durante o lançamento do programa Acolhe Mais.

A sobrecarga das mães atípicas é real

Se a maternidade já é exaustiva, a rotina de uma mãe atípica tem um peso extra. Além de lidar com todas as tarefas cotidianas, tem a necessidade de acompanhar tratamentos, buscar profissionais, entender diagnósticos, defender direitos, conversar com a escola e planejar constantemente os próximos passos.

Há ainda a chamada carga mental: mesmo quando não está realizando uma tarefa concreta, a mulher fica o tempo todo pensando no que precisa ser feito, no próximo compromisso ou em como lidar com uma nova necessidade do filho.

Nem toda mãe atípica desenvolverá um transtorno mental, mas a sobrecarga prolongada pode afetar o sono, o humor, os relacionamentos e a qualidade de vida. E tudo isso precisa ser levado a sério.

Às vezes, no meio da correria, a mãe acha que é assim mesmo, que ela precisa aguentar, que é só seguir a vida, mesmo quando ela não está bem. Por isso, reconhecer a necessidade de buscar um profissional pode ser algo difícil. Aqui, alguns sinais que podem indicar que é hora de pedir ajuda:

  1. Cansaço que não passa

O cansaço faz parte da maternidade, mas vira um sinal de alerta quando a exaustão se torna constante, mesmo quando existe alguma oportunidade de descanso. A sensação pode ser de estar funcionando “no automático”, sem energia para as atividades mais básicas ou sem conseguir se recuperar depois de uma noite de sono ou de um período de pausa.

  1. Irritação por pequenas coisas

Explodir de vez em quando é normal. Mas irritabilidade frequente, impaciência constante e a sensação de estar sempre no limite podem indicar uma sobrecarga emocional. Quando qualquer imprevisto parece ser a gota d’água, vale olhar para o próprio nível de estresse.

  1. Culpa o tempo todo

“Eu deveria fazer mais”, “Não estou dando conta”, “Será que estou sendo uma boa mãe?”. A culpa pode se tornar especialmente presente quando a mãe acredita que precisa dar conta de todas as necessidades do filho sozinha, mas é importante lembrar que nenhum cuidador consegue estar disponível o tempo inteiro. Sentir culpa constantemente ou acreditar que nunca faz o suficiente é um sinal de que essa cobrança merece atenção.

  1. Ansiedade e preocupação que ocupam o dia inteiro

Pensar no futuro do filho é compreensível, mas quando a preocupação não dá trégua e começa a impedir a mulher de descansar, dormir ou aproveitar momentos do presente pode ser um problema maior. Sensação constante de perigo, pensamentos acelerados, tensão e dificuldade de relaxar são motivos para conversar com um profissional.

  1. Isolamento

Deixar de encontrar amigos, evitar familiares ou perder o interesse por atividades que antes faziam bem pode ser um sinal de sofrimento emocional. A falta de tempo é uma realidade para muitas mães, mas o isolamento também pode acontecer porque a mulher sente que ninguém entende sua rotina ou porque acredita que precisa estar disponível para o filho o tempo todo.

  1. Perda de prazer

Quando atividades que antes traziam satisfação deixam de fazer sentido — conversar com amigas, sair, assistir a um filme, praticar um hobby ou simplesmente ter um momento para si — é importante observar. A perda persistente de interesse e prazer pode aparecer em quadros de depressão e merece avaliação profissional.

  1. Sensação de que não vai conseguir continuar

Esse é um dos sinais que exigem mais atenção. Sentir-se completamente sem saída, pensar que seria melhor desaparecer ou ter pensamentos de morte ou de machucar a si mesma precisam ser investigados. Nessas situações, é importante buscar ajuda profissional imediatamente e não permanecer sozinha.

Pedir ajuda não significa ser uma mãe menos dedicada

Existe uma armadilha comum na maternidade atípica: a ideia de que cuidar de si seria uma espécie de luxo ou que o filho precisa estar sempre em primeiro lugar. Mas a saúde mental da mãe também faz parte da rede de cuidado da família. Procurar psicoterapia, conversar com um médico, aceitar ajuda de familiares ou utilizar serviços de acolhimento não significa abandonar as responsabilidades. Pelo contrário: é reconhecer que ninguém deveria precisar sustentar sozinho uma rotina tão exigente.

A mãe que cuida também precisa de cuidado e você não precisa chegar ao limite para pedir ajuda.

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