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Judoca de 12 anos conquista medalhas e mostra o que as crianças aprendem com o esporte além das competições
Cair, levantar e tentar de novo. No judô, esse movimento faz parte do treino, mas também pode ensinar lições que acompanham as crianças muito além do tatame. É o que vive Maria Luisa Lima, 12, a Malu, uma das jovens promessas do judô paulista.
Neste ano, ela conquistou a medalha de prata no Campeonato Brasileiro Sub-13, disputado em Macapá (AP), e garantiu uma vaga no Campeonato Pan-Americano Sub-13, que será realizado no México, em novembro. A judoca também foi campeã da Copa Minas de Judô, em Belo Horizonte.
“O judô me ensinou que nem sempre as coisas vão acontecer do jeito que eu quero. Às vezes a gente ganha, às vezes perde, mas precisa entender o que aconteceu, continuar treinando e tentar de novo. Também aprendi a ter disciplina, respeitar meus professores e adversários e me concentrar mais no que estou fazendo”, diz ela.
O judô exige que o atleta combine força, equilíbrio, coordenação motora, agilidade e consciência corporal. Para executar os movimentos, também é preciso prestar atenção às orientações, memorizar técnicas e perceber como o próprio corpo se movimenta.
Essas habilidades são desenvolvidas gradualmente, com a repetição dos exercícios e o acompanhamento dos professores. A prática esportiva também pode favorecer a convivência com outras crianças e adolescentes, criando oportunidades para aprender a cooperar, respeitar diferenças e compartilhar objetivos.
Malu conhece bem a importância da persistência nesse processo. “Tem dia em que o treino é mais difícil, em que estou cansada ou uma técnica não está dando certo. Mas você aprende que não pode simplesmente desistir porque não conseguiu de primeira. Tem que repetir, prestar atenção e melhorar um pouco a cada treino”, afirma.
Uma das características da modalidade é a importância dada ao respeito. Os atletas se cumprimentam antes e depois das lutas, seguem regras e precisam reconhecer tanto as orientações dos professores quanto o adversário. Para crianças e adolescentes, essa experiência pode ajudar a compreender que regras não existem apenas para limitar comportamentos: elas também organizam a convivência e contribuem para que todos possam participar com segurança.
“No judô, a gente aprende que precisa respeitar todo mundo, inclusive quem vai lutar contra você. Não importa se ganhou ou perdeu. Quando a luta acaba, existe respeito. Acho que isso é uma coisa muito importante para levar para a vida também”, afirma Malu.
A disciplina também aparece na rotina. Para evoluir no esporte, é necessário comparecer aos treinos, ouvir as orientações e manter a regularidade, mesmo quando os resultados demoram a aparecer. São aprendizados que podem ajudar na organização de outras atividades, como os estudos e as tarefas do dia a dia.
Aprender a perder também faz parte
Se conquistar uma medalha é motivo de comemoração, lidar com uma derrota pode ser um dos desafios mais difíceis para quem compete. Depois de semanas de preparação, o resultado nem sempre corresponde às expectativas. Nessas situações, o esporte oferece uma oportunidade para reconhecer a frustração, refletir sobre o que aconteceu e entender que um resultado não define a capacidade de uma criança.
Malu também fica triste quando perde, mas aprendeu a olhar para a experiência como parte de sua evolução. “Ninguém gosta de perder, principalmente quando treinou muito. Eu também fico triste quando acontece. Mas depois penso no que posso fazer melhor. O judô ensina muito isso: caiu, levanta e continua”, destaca.
Isso não significa que a criança precise esconder a tristeza ou superar a frustração imediatamente. Ter espaço para expressar o que sente, receber apoio dos adultos e compreender que errar faz parte do aprendizado são aspectos importantes dessa experiência.
Toda criança precisa ser atleta?
Federada pelo Círculo Militar de São Paulo, Malu também treina em centros esportivos como o Clube Paineiras e o Palmeiras. A rotina de competições faz parte de sua trajetória, mas ela não acredita que esse precise ser o objetivo de toda criança que começa a praticar um esporte.
“O mais importante é experimentar e se divertir. Eu comecei porque gostava, fiz amigos, fui aprendendo e depois as competições foram acontecendo. Acho que toda criança deveria ter a oportunidade de encontrar um esporte de que goste”, conta.
A recomendação faz sentido também para quem está começando. A atividade física regular contribui para a saúde e o desenvolvimento infantil, mas a escolha da modalidade deve considerar os interesses, a idade e as características de cada criança. O prazer de participar e a possibilidade de experimentar diferentes atividades são tão importantes quanto o desempenho.
A história de Malu é um convite para olhar para o esporte para além dos pódios. Nem toda criança vai conquistar uma medalha, e nem precisa. Às vezes, a maior vitória está em fazer novos amigos, descobrir uma habilidade, ganhar confiança ou aprender a lidar com algo que não saiu como o esperado.
Canguru News
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