Artigos
Crise na matemática: por que tantas crianças estão chegando ao ensino médio sem aprender o básico, no Brasil?
“Eu odeio matemática”. Você costuma ouvir essa frase do seu filho? Muitas crianças começam a acreditar nisso, ainda nos primeiros anos escolares, mas isso pode esconder algo mais significativo do que uma simples preferência. Dados recentes mostram que o desempenho dos estudantes brasileiros na disciplina vem caindo e especialistas alertam que as dificuldades acumuladas desde a infância podem acompanhar os alunos por toda a trajetória escolar.
Segundo o Índice de Inclusão Educacional (IIE), entre 2019 e 2023, nenhum estado brasileiro conseguiu alcançar 30% de jovens com aprendizagem adequada em matemática no ensino médio. No mesmo período, o percentual de estudantes que concluíram essa etapa com o conhecimento esperado caiu de 25,5% para apenas 21,4%.
O cenário acompanha uma preocupação global. No último Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ficou abaixo da média internacional em matemática. Além disso, a pesquisa mostrou a maior queda mundial no desempenho da disciplina desde o início da avaliação, refletindo impactos da pandemia, desigualdades educacionais e dificuldades já existentes antes dela.
Mas o problema vai além das notas. A pedagoga Bruna Duarte Vitorino, especialista em educação da Kumon, explica que a matemática funciona como um eixo para diversas habilidades importantes na infância e adolescência. “A matemática é uma disciplina estruturante, que serve de base para o raciocínio lógico, interpretação de informações e resolução de problemas. Quando o aluno não consolida esse aprendizado, ele pode enfrentar dificuldades não apenas em conteúdos mais avançados, mas também em situações práticas do dia a dia”, diz ela.
Um dos maiores desafios da matemática é que ela funciona de forma progressiva: para aprender conteúdos mais complexos, a criança precisa dominar os anteriores. Ou seja: quando conceitos básicos — como somar, subtrair, interpretar problemas ou entender lógica — não ficam sólidos, as dificuldades tendem a crescer ano após ano.
“Quando há lacunas em conceitos iniciais, o estudante encontra obstáculos crescentes em conteúdos mais complexos. Isso afeta o desempenho acadêmico e a confiança em relação à própria capacidade de aprender”, afirma Bruna.
Essa insegurança, ela alerta, pode aparecer muito cedo. Crianças que passam a acreditar que “não nasceram para matemática” tendem a desenvolver medo de errar, ansiedade diante de provas. Em alguns casos, isso evolui para um desinteresse pela escola.
Fator pandemia
A pesquisa da OCDE também mostrou que alunos de contextos mais vulneráveis foram os mais afetados nos últimos anos. O fechamento das escolas durante a pandemia ampliou desigualdades e interrompeu processos importantes de alfabetização matemática. Muitas crianças avançaram de série sem consolidar habilidades fundamentais e agora enfrentam dificuldades para acompanhar conteúdos mais avançados.
Além disso, diferente de outras disciplinas, baseadas em memorização, a matemática exige prática constante, continuidade, treino e compreensão gradual.
Como ajudar seu filho?
A relação da criança com a matemática também é construída emocionalmente. Pressão excessiva, medo de errar e comparações constantes podem aumentar ainda mais a insegurança. Por isso, o apoio da família faz diferença, mesmo quando os pais não dominam os conteúdos.
Criar uma rotina leve de estudos, mostrar aplicações da matemática no cotidiano e valorizar o processo, e não apenas o acerto, são estratégias que ajudam no aprendizado. “Quanto mais o aluno percebe sentido no que aprende, maior tende a ser o engajamento e a confiança para avançar nos conteúdos”, destaca Bruna.
Ela também reforça a importância de respeitar o ritmo individual de aprendizagem. Revisar conteúdos, praticar regularmente e avançar de forma gradual pode evitar que pequenas dificuldades se transformem em grandes bloqueios ao longo da vida escolar.
A matemática não é só uma matéria escolar, mas uma ferramenta para a vida. Por isso, fortalecer essa aprendizagem desde cedo pode fazer diferença para o desenvolvimento da confiança e da autonomia do seu filho.
Quer saber mais? Acrescenta a Caru nos seus contatos agora (11) 95213-8516 ou CLICA AQUI e fala “oi” para a Caru
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Por que você deveria levar seus filhos ao teatro mais vezes
Mais do que entretenimento, peças infantis ajudam no desenvolvimento emocional, estimulam a imaginação, ampliam o repertório cultural e despertam o...
Burnout materno: por que tantas mulheres estão adoecendo ao tentar dar conta de tudo?
Entre carreira, filhos, casa e cuidado com os pais idosos, mulheres vivem uma sobrecarga silenciosa que já reflete nos índices...
Entre fraldas, prazos e exaustão: como a Caru me lembrou o que é autocuidado de verdade
No meio da sobrecarga mental, da culpa materna e da sensação constante de estar apagando incêndios, fica difícil organizar a...
“Meu filho não quer comer”: o plano de ação da Caru, que me ajudou a passar pela introdução alimentar sem estresse
Com sugestões de cardápio, ideias criativas e até frases de estímulo para usar à mesa, a inteligência artificial me ajudou...










