Casos de sarampo avançam em São Paulo: o que pais e mães precisam saber?

A cidade de São Paulo já registra casos de sarampo em quatro distritos – e a maioria dos pacientes é formada por bebês. Veja quais são os sintomas e quando é preciso procurar atendimento médico
Criança com febre Foto: Magnific

O aumento dos casos de sarampo na cidade de São Paulo acendeu um alerta entre as autoridades de saúde. A doença, considerada uma das mais contagiosas do mundo, voltou a aparecer na capital e já teve registros em quatro distritos: Vila Medeiros, Vila Maria, Jabaquara e Capão Redondo. Ao todo, foram confirmados 11 casos em 2026, incluindo bebês, crianças e adultos. A maior parte das infecções ocorreu em crianças menores de 1 ano, que é justamente um dos grupos mais vulneráveis.

O Brasil continua sem circulação endêmica do vírus. Os casos recentes estão relacionados à importação da doença, ou seja, foram trazidos por pessoas infectadas que vieram de outros países ou que viajaram para locais onde há surtos. Mas isso reforça o alerta sobre a importância da vacinação.

Por que o sarampo preocupa tanto?

O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou até fala. O vírus pode permanecer no ambiente por até duas horas depois que uma pessoa doente sai.

Segundo o Ministério da Saúde, uma única pessoa com sarampo pode transmitir a doença para até 90% das pessoas suscetíveis que tiveram contato próximo com ela. Além disso, a transmissão começa cerca de quatro dias antes do aparecimento das manchas vermelhas na pele e continua por até quatro dias depois.

Embora muitas pessoas se recuperem sem complicações, o sarampo pode evoluir para quadros graves, especialmente em bebês, gestantes, pessoas imunossuprimidas e indivíduos não vacinados. Entre as complicações estão pneumonia, encefalite (inflamação do cérebro), perda auditiva e, em casos mais graves, morte.

Quais são os sintomas?

Os primeiros sinais podem ser bem parecidos com os de uma gripe forte:

  • febre alta;
  • tosse;
  • coriza;
  • olhos vermelhos (conjuntivite);
  • mal-estar intenso.

Alguns dias depois, surgem manchas vermelhas que normalmente começam no rosto, atrás das orelhas, e se espalham para o restante do corpo. Se uma criança apresentar febre acompanhada de manchas na pele, especialmente após contato com alguém doente ou viagem para áreas com circulação do vírus, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes e evitar contato com outras pessoas até a avaliação.

De olho na carteirinha de vacinação!

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, continua sendo a principal forma de prevenção. No calendário nacional, ela é aplicada em duas doses:

  • 1ª dose: aos 12 meses;
  • 2ª dose: aos 15 meses (na vacina tetra viral ou tríplice viral, conforme disponibilidade).

E os bebês menores de 1 ano?

Diante dos casos registrados na capital paulista, a Secretaria Estadual da Saúde e a Secretaria Municipal da Saúde passaram a recomendar uma dose zero para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias que moram em São Paulo e Guarulhos. Atenção: a dose oferece proteção antecipada, mas não substitui as duas doses previstas no calendário infantil. Ou seja, a criança deverá receber novamente a vacina aos 12 e aos 15 meses.

Verifique a carteira de vacinação do seu filho. Também é importante que adolescentes e adultos verifiquem se receberam as duas doses da tríplice viral ao longo da vida. Pessoas sem comprovação vacinal podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e atualização da carteira.

Como proteger os bebês que ainda são pequenos?

Além da vacinação, especialistas recomendam alguns cuidados, principalmente para crianças menores de 1 ano:

  • manter a vacinação da família em dia;
  • evitar contato com pessoas que apresentem febre e manchas pelo corpo;
  • adiar visitas se alguém estiver doente;
  • higienizar as mãos com frequência;
  • manter os ambientes bem ventilados.

O principal recado é: não deixe a vacinação para depois! O sarampo é uma doença que já havia sido eliminada da circulação contínua no Brasil, mas continua representando um risco por causa da circulação do vírus em outros países e da queda das coberturas vacinais. Por isso, diante dos casos registrados em São Paulo, as autoridades de saúde reforçam que a melhor proteção continua sendo a vacina. Ela é gratuita, está disponível nas Unidades Básicas de Saúde e a melhor arma para prevenir uma doença que pode causar complicações graves, especialmente em bebês e crianças pequenas.

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