5 formas de comunicar ao seu filho que ele importa

Quando a criança se sente importante e valorizada pela família, ela se valoriza também

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Realizar atividades prazerosas com o filho é uma forma de contribuir para que se torne seguro

Leia em 5 minutos

Um fator crucial para a saúde psicológica da criança e do adulto que ela irá se tornar é a crença de que ela é importante para os pais. Quando a criança se sente importante para a família, ela internaliza este sentimento na forma de um autoconceito positivo. Ou seja, quando ela percebe que o pai e a mãe a valorizam, ela se valoriza também. O trabalho de Gregory Elliot, pesquisador especialista em autoconceito, aponta que perceber-se importante para os pais é um dos fatores que mais impactam o autoconceito e autoestima da criança. O oposto também é verdade. Se a criança não se sente valorizada, ela tende a desenvolver um autoconceito mais frágil e se tornar mais insegura. Crianças com autoconceito negativo tendem a fazer maior uso de álcool e drogas, ter pior desempenham acadêmico, problemas de conduta, e assim por diante.

É importante se sentir amado. Porém, sentir-se amado e valorizado por alguém é diferente do que ser amado e valorizado por alguém. Os estudos mostram uma incompatibilidade, às vezes mais acentuada e às vezes menos, entre o que a criança percebe que os pais sentem por ela, e o que os pais dizem sentir de fato. E muito dessa incompatibilidade tem a ver com a nossa comunicação, relacionamento e a forma que educamos a criança. Muitas vezes sentimos uma coisa, mas comunicamos outra.


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Conheça 5 formas de comunicar para o seu filho que ele é importante para você

1. Foque no que no que seu filho faz bem. É comum que os pais queiram consertar a criança quando ela tem um comportamento inadequado, ou quando não fazem bem algo que os pais julgam importante. Como resultado, a criança entende que precisa mudar para agradar os pais. Ela entende que não é boa o suficiente para ser aceita e amada como ela é. Mais do que isso, quando focamos nas fraquezas, prejudicamos a motivação das crianças. Quando focamos naquilo que elas não fazem bem, elas se sentem desmoralizadas, ofendidas, se tornam defensivas e irritadas. Estes sentimentos não as motivam a persistir. Pelo contrário, faz com que elas também fiquem obcecadas com as próprias fraquezas em vez de reconhecerem o potencial que elas têm. Claro que muito da parentalidade é sobre ensinar, mas talvez a parentalidade seja mais sobre aprender. Aprender, por exemplo, que não precisamos consertar nossos filhos. Quando focamos primeiro no que nossos filhos fazem bem, nos talentos e qualidades que eles já possuem, eles se sentem aceitos e amados por quem são. Construímos uma relação de confiança. Mais do que isso, quando as crianças se empoderam das próprias qualidades e daquilo que fazem bem, elas se sentem competentes e mais capazes de superar aquilo que incomoda.

2. Conte com o seu filho. Quando você ajuda alguém, ou quando um amigo solicita a sua ajuda, você sente que é importante. Da mesma forma, crianças se sentem importantes quando contribuem com a família. Quando a criança sabe que ela é responsável por tirar a mesa, cuidar do cachorro, lavar os copos de plástico, ela entende que as ações dela fazem diferença no mundo. Quando ela sente que adiciona valor para os outros, e não apenas pra si mesma, ela entende que ela importa. A literatura científica aponta que a criança perde algo quando não tem um papel importante na casa. O papel de filho implica direitos e privilégios, mas também deveres e obrigações. Ou seja, implica um dar e receber. Quando a criança é poupada dos deveres e obrigações, ela deixa de dar e passa apenas a receber. E uma das formas mais eficientes de nos sentimos valiosos é percebermos como o outro aprecia receber aquilo que podemos dar. Além disso, ser encarregada de uma tarefa importante constrói um senso de competência e responsabilidade.

3. Invista em atividades prazerosas juntos. Barbara Fredrickson, pesquisadora referência em emoções positivas, defende que antes do amor se tornar sentimento, ele precisa acontecer na prática. O amor na prática é aquilo que acontece quando nos divertimos com os nossos filhos, quando praticamos juntos um hobbie comum, quando somos segurança e compreensão em um momento difícil. Nos momentos em que sentimos emoções positivas juntos, como alegria e afeto, a nossa fisiologia entra em sincronia com a da criança, até os comportamentos ficam sintonizados. Alguns autores chamam de tempo especial um momento que a mãe ou o pai separam para fazer algo divertido individualmente com cada um dos filhos. O tempo especial não precisa ser diário nem longo. Até porque é importante que o tempo especial seja prazeroso para você também. Pais que praticam o tempo especial relatam que os filhos se tornam mais seguros, mais cooperativos, menos irritáveis e brigam menos. Investir em momentos de amor na prática com os nossos filhos, ajuda com que eles se sintam seguros com relação ao nosso amor.


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4. Não compare. Quem nunca comparou o filho mais novo com o mais velho, ou com outra criança mais comportada, mais dedicada, mais estudiosa? Quando fazemos isso a criança entende que ela não é boa o suficiente pra ter o nosso amor e admiração. Além disso, ensinamos a criança a se comparar com o outro, e esse hábito é um dos piores para a autoestima. Não interessa o quão inteligente, educado, esforçado o seu filho seja, terá sempre alguém melhor. Além disso, ele aprende que para ter amor e reconhecimento, ele precisa ser superior aos demais. Muitas vezes o perfeccionismo e a autocrítica perversa nascem de um ambiente de comparação excessiva e quando a criança sente que o amor dos pais é condicionado à performance. Claro que não é apenas em casa que as crianças aprendem a se comparar, o mundo ensina isso. Mas se em casa ela aprende que ela é amada exatamente como ela é, e que ela não precisa ser diferente pra ter o amor dos pais, então navegar o mundo fica mais fácil.

5. Atenção, na medida. Quando os pais dedicam atenção à criança, respondendo às suas necessidades, conversando e escutando o que ela tem para dizer, a criança entende que ela importa. Quantas vezes falamos com as crianças olhando o celular? Quando a pessoa que nos escuta começa a olhar o telefone, fazer outra coisa, ou não nos deixa terminar a frase, nos sentimos diminuídos. Quando você conversar com seu filho, escute de verdade. E não, você não precisa dar atenção para o seu filho o tempo inteiro para que ele se sinta amado. Contanto que ele saiba que você está atento, e que se importa, pode ser até saudável que ele se frustre na demanda excessiva por atenção. Quando não for possível atender a criança, podemos ao menos reconhecer a sua presença, mesmo que a mensagem seja: “Eu não posso agora, mas vou assim que puder.” Desta forma, a criança entende que ela é não é invisível. E claro, quando terminar o que estava fazendo, cumpra o combinado e dê atenção para o seu filho.

Quando o assunto é sentir-se importante, quanto mais cedo melhor. O que absorvemos cedo, absorvemos profundamente. Pesquisas mostram que crianças que têm a percepção de pertencimento e importância se tornam adolescentes e adultos mais resilientes, crescendo a partir desafios em vez de serem consumidos por eles. A conexão com a família também oferece caminhos para encontrar significado e propósito, inspirando escolhas mais conscientes e a construção de um futuro mais promissor.


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Adriana Drulla é mestre em Psicologia Positiva pela University of Pennsylvania (Estados Unidos), facilitadora do programa americano Mindful Self-Compassion para o desenvolvimento da autocompaixão, pós-graduanda em Terapia Focada na Compaixão pela University of Derby (Inglaterra). Autora do artigo científico Intergenerational Transmission of Self-Compassion, que trata da relação entre autocompaixão e parentalidade, escrito com Karen Bluth, pesquisadora e autoridade mundial nos temas autocompaixão e adolescência. Mãe da Chiara, 9 anos, e do Matteo, 4 anos.

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