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Crescer em ‘solo fértil’ potencializa o desenvolvimento das crianças
No último final de semana passei algumas horas mexendo no meu jardim, um hobby que me enche de prazer, apesar das dores nas costas e nos joelhos.
Decidi plantar mudas de trepadeira para cobrir um muro que tenho em casa. Separei meu banquinho, luvas, ferramentas, terra e comecei a empreitada: abri as pequenas covas, tirei as mudas dos saquinhos, cobri com terra nova, adubei e, por fim, reguei.
Entre um plantio e outro, os pensamentos iam e vinham: “Será que esse solo está adequado?”, “Será que o sol que bate aqui vai ser suficiente?”, “Puxa, vou ter que me lembrar das regas, pelo menos até elas vingarem ou as chuvas voltarem”.
Foi impossível, também, não pensar nas “batatas do Carl Rogers”. Ele foi um psicólogo americano, precursor da Psicologia Humanista e criador da ACP, a Abordagem Centrada na Pessoa. Uma vez, ele fez uma comparação das pessoas com as batatas que a família dele guardava no porão da casa: as batatas ficavam ali no escuro, mas recebiam luz de uma janelinha. Se ficassem no porão por muito tempo, começariam a brotar, mas provavelmente os brotos seriam frágeis e pálidos. Por outro lado, se estivessem na terra, recebendo água, tomando sol, se desenvolveriam muito mais fortes.
Para ele, as pessoas são como as batatas: possuem uma tendência para se desenvolver mesmo em condições desfavoráveis, mas se essas condições forem favoráveis, poderão se desenvolver com muito mais força e vitalidade!
Aposto que o Carl Rogers concordaria que essa comparação também vale para a educação dos filhos: se nós, pais, oferecermos condições favoráveis, nossos filhos crescerão fortes e desenvolverão todo o seu potencial. Em outras palavras, nós podemos ser “facilitadores” desse processo!
Podemos imaginar que esse “solo fértil” tem que ter saúde, segurança, amor e as demais necessidades básicas da Pirâmide do Maslow. Um outro caminho seria pensar que esse “ambiente favorável” pode ser rico em nutrientes como a escuta, o diálogo, o respeito a opiniões diferentes, a comunicação com empatia e gentileza…
Que a gente consiga oferecer, cada vez mais, um bom clima afetivo dentro de casa. Desejo boas jardinagens para você!
Leia também: Afeto e cuidado são importantes para desenvolvimento do cérebro infantil
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Renata Pereira Lima
Renata Pereira Lima é mãe da Luísa, 14 anos, e do Rodrigo, 12 anos. Palestrante TEDx-SP, mestra em Antropologia, pesquisadora de mercado com foco em comportamento e facilitadora de workshops para melhorar a comunicação entre pais e filhos por meio de escuta, empatia, respeito e limites.
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