Artigos
A gente já sabia, mas, pela primeira vez, OMS define o que é bem-estar materno e conclui: sobreviver não basta
Por muito tempo, falar em saúde materna, de acordo com órgãos institucionais, era apenas falar em estatísticas, números e mortalidade. A preocupação central era se a mulher havia sobrevivido à gestação, ao parto e ao pós-parto. Não que isso não seja importante, mas a realidade vai muito além. Agora, pela primeira vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe uma mudança profunda nesse olhar: não basta sobreviver — é preciso viver bem e ter dignidade, respeito, apoio emocional, além dos cuidados com a saúde física da mãe e do bebê.
Um artigo recente publicado na The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health apresenta a primeira definição oficial de bem-estar materno da OMS, um marco histórico que reconhece algo que, nós, mães, sentimos na pele. A maternidade não é feita só de exames, diagnósticos e protocolos, mas é orgânica e muda de forma conforme os sentimentos, vínculos, apoio, contexto social, escuta e respeito.
Segundo essa nova definição, bem-estar materno não é apenas ausência de doenças, mas a possibilidade de atravessar a jornada da gravidez, do parto e do puerpério com saúde no corpo, na mente, segurança, autonomia, suporte emocional, relações afetivas, condições dignas de vida e sensação de pertencimento. Toda mãe precisa ser cuidada enquanto cuida. Mas precisam ser vistas em um momento de transformações profundas e, ao mesmo tempo, delicadas. É necessário que nos enxerguem como mulheres, como indivíduos, e não só como “paciente” ou como “mãe”. Ou ainda pior, como “mãezinha”. Quem aguenta?
O texto reconhece que a experiência materna é profundamente impactada por fatores que vão muito além do corpo, como desigualdades sociais, violência obstétrica, racismo, pobreza, sobrecarga mental, solidão no pós-parto, falta de rede de apoio e a invisibilização da saúde emocional das mulheres. Muitas mães seguem funcionando, cuidando, dando conta. Por dentro, porém, estão exaustas, ansiosas, culpadas por não sentirem a felicidade idealizada que a maternidade costuma exigir.
Ainda precisamos caminhar muito para reconhecer o quanto as mães precisam ser valorizadas, mas é um passo importante. Ao propor esse novo conceito, a OMS valida uma dor silenciosa e, ao mesmo tempo, legitima o desejo coletivo de que a maternidade não seja apenas suportável, mas seja também possível, digna e humana. Precisamos de espaço para fragilidade, para cansaço, para ambivalência, para pedir ajuda. Precisamos de cuidados reais e não só técnicos, mas emocionais.
Mais do que um conceito acadêmico, essa definição é um recado político e social. Para os sistemas de saúde, significa que contar mortes e complicações não basta. Queremos que as experiências das mulheres sejam vistas. A forma como somos tratadas, ouvidas, respeitadas e acolhidas faz a diferença, não apenas para nós mesmas, mas para o bebê que está chegando ao mundo. Uma mãe que tem suas necessidades atendidas integralmente consegue cuidar melhor dos filhos. Gerar uma vida não deveria custar a própria vida emocional e maternar não deveria doer em silêncio.
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Uma nova característica de George, irmão da Peppa Pig, será revelada na próxima temporada do desenho
Nos episódios previstos para as próximas semanas, o personagem será diagnosticado com perda auditiva moderada e ganhará um aparelho. Muito...
3 receitas de air fryer que vão salvar a lancheira das crianças neste ano
Além de ajudar a preparar os alimentos de forma saudável, sem óleo, as fritadeiras elétricas são uma mão na roda...
Ciência descobre como o corpo da mãe detecta que é hora de começar o trabalho de parto
Canais presentes no útero entendem quando é o momento de expulsar o bebê e isso pode ajudar a prevenir nascimentos...
8 cuidados com o uso de maquiagem nas crianças no Carnaval
As cores e o brilho fazem parte das fantasias e brincadeiras. No entanto, é importante lembrar que a pele das...






