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Estas duas palavras não param de pipocar nos grupos de mães
Se você participa de algum grupo de mães — no WhatsApp, no Instagram ou na escola — as chances de ter ouvido ou lido algo como: “Ah, isso é uma questão de função executiva”. Você pode ter ouvido do pediatra, do educador parental, do psicólogo ou da orientação da instituição de ensino que seu filho frequenta. A expressão vem à tona quando uma criança esquece a mochila, demora para se vestir, se distrai no meio da tarefa ou explode emocionalmente diante de uma mudança de planos. O que acontece é que, nos últimos anos, o termo deixou de ficar restrito apenas aos consultórios e pesquisas acadêmicas e passou a ser parte do vocabulário cotidiano de pais e educadores.
Mas afinal, o que está por trás dessas duas palavras que, aparentemente, são capazes de explicar metade dos dilemas da infância?
O que é função executiva?
Função executiva é um conjunto de habilidades cognitivas responsáveis por organizar pensamentos, emoções e ações para atingir um objetivo. Em outras palavras, é o sistema do cérebro que ajuda a planejar, manter o foco, controlar impulsos e resolver problemas. Essas habilidades dependem principalmente do córtex pré-frontal, uma região do cérebro que amadurece lentamente. Tão lentamente, que só termina de se desenvolver no início da vida adulta.
Por isso, muitas das dificuldades das crianças que são desafiadoras para os adultos fazem parte do desenvolvimento esperado. Uma criança pequena pode saber o que precisa fazer, mas ainda não conseguir transformar essa intenção em ação de forma consistente.
É a função executiva que permite, por exemplo:
- Lembrar a sequência de uma tarefa
- Controlar o impulso de interromper alguém
- Lidar com frustração
- Adaptar-se quando algo muda
- Organizar materiais ou compromissos
Sem esse conjunto de habilidades, até tarefas simples podem parecer muito difíceis.
Por que o termo virou moda?
Nos últimos anos, pesquisas sobre o desenvolvimento do cérebro infantil passaram a circular muito mais fora da academia. Livros, podcasts, cursos de parentalidade e conteúdos nas redes sociais ajudaram a popularizar conceitos da neurociência.
Ao mesmo tempo, houve uma mudança na forma de interpretar o comportamento infantil. Em vez de enxergar atitudes como desobediência ou falta de disciplina, muitos especialistas passaram a explicar esses comportamentos como parte do desenvolvimento neurológico e emocional. A função executiva acabou virando uma espécie de lente para compreender dificuldades comuns da infância.
Outro fator que contribuiu para a popularização do termo foi o aumento das discussões sobre transtornos do neurodesenvolvimento, como o TDAH. Problemas nas funções executivas estão entre as principais características desse diagnóstico, o que fez o conceito aparecer com frequência em conversas sobre aprendizagem e comportamento.
Quando o conceito ajuda (e quando pode confundir)
Entender o papel da função executiva pode ajudar os adultos a ajustar expectativas. Crianças pequenas ainda estão construindo habilidades que os adultos já dominam há décadas, como planejamento, autocontrole e organização.
Por outro lado, alguns especialistas alertam para o risco de transformar o termo em uma explicação universal para qualquer dificuldade. Não, nem todo comportamento infantil é um “déficit de função executiva”! Crianças também se distraem, esquecem coisas e resistem a tarefas simplesmente porque são crianças e simplesmente porque essas habilidades levam anos para amadurecer.
O que realmente ajuda?
É importante que os adultos entendam que a função executiva se desenvolve com prática. Rotina, brincadeiras, interação com adultos e oportunidades de resolver pequenos problemas do cotidiano ajudam a fortalecer essas habilidades ao longo da infância.
Atividades simples, como jogo da memória, brincadeiras de faz de conta, organização de tarefas e participação nas atividades da casa, é que estimulam o cérebro a planejar, esperar e tomar decisões. Ou seja, basta oferecer aos pequenos os desafios comuns, permitir que brinquem e incentivá-los a adquirir autonomia, além de inseri-los na rotina da família (o que você, provavelmente já faz), para que ele possa desenvolver plenamente – e a seu tempo – a tal da função executiva.
Canguru News
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