“Grupo do assovio”: o que é e por que preocupa pais e especialistas

Fenômeno que circula em aplicativos como WhatsApp e Telegram levanta preocupação por expor crianças e adolescentes a desconhecidos
Crianças no celular Foto: Magnific

Começa com uma proposta que parece uma simples brincadeira ou “trend”. Mas assim que seu filho entra no grupo começa a receber conteúdo inadequado e fica com o contato exposto, ao alcance de milhares de desconhecidos. É o que tem acontecido com o “grupo do assovio”, em aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. O nome parece inofensivo, mas é aí que mora o perigo.

Funciona assim: as crianças e adolescentes são adicionados no chamado “grupo do assovio”, que tem milhares de participantes desconhecidos. Eles entram e pedem que a criança adicione outras crianças, todos os amigos. A proposta é um grupo em que é proibido falar. Só se pode enviar áudios assoviando. Só que não demora para que as crianças comecem a receber conteúdos inapropriados, com conteúdo violento e sexual, entre outros. Isso sem falar no contato dos jovens, expostos ali, ao alcance de milhares de pessoas que ninguém sabe quem são ou quais são as intenções.

O apelo desses grupos está diretamente ligado ao momento de desenvolvimento. Nessa fase, experimentar, testar limites e fazer parte de um grupo são necessidades importantes, mas que podem ser exploradas de forma negativa no ambiente digital. A combinação de curiosidade, impulsividade e menor percepção de risco faz com que muitos jovens entrem nesses grupos sem avaliar as consequências.

O que observar e como agir

Para pais e responsáveis, o caminho mais eficaz ainda é o diálogo. Demonizar ou proibir sem conversa pode afastar a criança e dificultar a confiança. É preciso explicar para as crianças o que são esses grupos e quais são os riscos, além de orientar como agir.

Vale também configurar o WhatsApp para não permitir que seu filho seja adicionado automaticamente em qualquer grupo, por qualquer pessoa, sem convite. Ensine também que o ideal é mostrar eventuais convites aos pais ou a um adulto de confiança, antes de aceitar, ainda que parta de um amigo ou pessoa conhecida.

A conversa e a educação digital são as melhores formas de proteger as crianças.

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