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8 “brincadeiras” que podem machucar a autoestima da sua filha
Você acha que bullying acontece só na escola? Nada disso. Muitas das primeiras feridas emocionais podem surgir dentro de casa, no local em que as crianças mais deveriam se sentir protegidas e amadas. O abuso vem disfarçado, em forma de piadas aparentemente inocentes sobre o corpo, os sentimentos ou o comportamento de uma criança. Só que tudo isso machuca e deixa marcas duradouras.
Frases ditas “na brincadeira” por pais, mães, irmãos, tios, primos ou amigos podem impactar de forma particularmente profunda a construção da autoestima de uma menina na pré-adolescência ou adolescência. Isso porque é justamente nesta fase que elas formam uma imagem sobre quem são e como são vistas pelos outros, muitas veze, associando isso ao seu valor.
Mais do que evitar comentários, é importante ensinar a filha a reconhecer quando uma piada ultrapassa limites e aprender a se posicionar diante disso. Aqui, 8 “piadinhas” comuns, que devem ser evitadas:
- Odor corporal
Com a chegada da puberdade, mudanças hormonais tornam o suor mais intenso e o odor corporal passa a fazer parte da rotina. Fazer piadas sobre isso pode gerar vergonha e ansiedade. Em vez de constranger, o ideal é conversar de forma natural sobre higiene, explicando os cuidados necessários sem associar o assunto a humilhações.
- Pelos
Pelos nas pernas, braços, axilas ou rosto fazem parte do desenvolvimento natural. Muitas meninas sequer se incomodavam com isso até ouvirem comentários de outras pessoas. Quando alguém tira sarro dos pelos, transmite a mensagem de que há algo errado com o corpo da menina. O resultado pode ser uma insegurança que antes nem existia.
- Coxas, quadris e estrias
Na pré-adolescência, o corpo feminino passa por mudanças importantes. É comum que o quadril fique mais largo, as coxas ganhem volume e até apareçam as primeiras estrias. Essas transformações são naturais e saudáveis. No entanto, comentários sobre pernas grossas, celulite ou marcas na pele podem fazer com que a menina enxergue algo negativo em um processo normal de crescimento.
- Tamanho dos seios
Algumas meninas desenvolvem os seios mais cedo, outras mais tarde. Algumas terão seios maiores, outras menores. Nenhuma dessas situações deveria ser motivo de comentários ou brincadeiras. A puberdade já costuma ser uma fase de vulnerabilidade. Piadas sobre o corpo podem aumentar o desconforto e a vergonha que muitas adolescentes sentem nesse período.
- Quanto ela come
“Vai comer tudo isso?” ou “Nossa, já está repetindo?” são frases que podem parecer inofensivas, mas ajudam a criar uma relação negativa com a alimentação. Meninas que crescem ouvindo comentários sobre a quantidade de comida que consomem podem desenvolver culpa, vergonha ou comportamentos alimentares prejudiciais.
- O humor e as emoções
Dizer que uma menina está “dramática”, “sensível demais” ou “de TPM” toda vez que demonstra emoções ensina que seus sentimentos não merecem ser levados a sério. Em vez de ridicularizar suas reações, vale acolher o que ela está sentindo e ajudá-la a compreender e expressar suas emoções de maneira saudável.
- As amizades
Quando uma menina faz amizade com um menino, é comum ouvir brincadeiras sobre namoro. Embora muitos adultos considerem isso engraçado, essas provocações podem gerar constrangimento e afastar amizades importantes. Crianças e adolescentes precisam ter liberdade para construir vínculos sem que cada interação seja transformada em motivo de piada.
- Os dentes
Dentes tortos, aparelhos ortodônticos, espaços entre os dentes ou qualquer característica do sorriso jamais deveriam ser alvo de brincadeiras. O sorriso é uma das primeiras coisas que mostramos ao mundo. Quando uma criança passa a sentir vergonha dele, pode evitar fotos, conversas e até situações sociais.
Por que as provocações machucam tanto?
Quando uma menina escuta repetidamente comentários negativos sobre seu corpo ou sua personalidade, ela pode começar a acreditar que aquelas características definem quem ela é. O problema é que muitas dessas inseguranças permanecem na vida adulta. Aquela brincadeira sobre as pernas, os dentes ou o jeito de sentir pode se transformar em uma voz interna crítica que a acompanha por anos.
Como proteger sua filha — e ensiná-la a se proteger
- Não participe de brincadeiras que a coloquem como alvo.
- Intervenha quando familiares ou amigos fizerem comentários inadequados.
- Mostre que o corpo dela merece respeito em todas as fases.
- Valide seus sentimentos, mesmo quando parecerem exagerados para um adulto.
- Ensine que ela pode dizer “não gostei dessa brincadeira”.
- Reforce que amizades e relacionamentos devem ser baseados em respeito.
- Elogie características que vão além da aparência física.
- Seja exemplo: evite fazer comentários negativos sobre o próprio corpo ou o corpo de outras pessoas.
Fonte: Nurtured First Parenting
Canguru News
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