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Mensalidade escolar pode subir até 11% em 2027: como se preparar e negociar com a escola?
Essa semana eu já senti todos os arrepios quando a escola enviou pelo aplicativo de comunicação o aviso de que a proposta de rematrícula já seria enviada. Como assim? Mas já? A gente nem terminou ainda de suar para pagar um ano e já vem o lembrete de que tem mais – e, provavelmente, com um aumento de valor.
O susto ficou ainda maior quando li que a mensalidade escolar pode pesar ainda mais no orçamento em 2027, em um levantamento feito pela consultoria Meira Fernandes. De acordo com os dados obtidos, nove em cada dez escolas particulares pesquisadas pretendem reajustar os valores no próximo ano. Entre as instituições que preveem aumento, 80,66% devem aplicar reajustes entre 7% e 11%. Socorro!
Para deixar a mensagem mais clara, imagine que uma mensalidade que hoje está em R$ 2 mil passaria a custar entre R$ 2.140 e R$ 2.220. Ao longo de 12 meses, isso representa R$ 1.680 a R$ 2.640 a mais por filho. Sem contar todo o resto: uniforme, material escolar, alimentação, transporte, passeios e atividades extras…
Embora o reajuste faça parte do planejamento das escolas, nós, pais, temos o direito de entender melhor esses novos valores. É possível (e muito importante!) conversar com a instituição, conhecer as condições oferecidas e se antecipar à rematrícula. De repente, dá para negociar e conseguir condições que se adequem melhor ao orçamento da sua família. Não custa tentar.
Por que a mensalidade sobe?
Mas antes de pensar em como negociar, vale entender o que está por trás do preço cobrado pela escola. Segundo Mariana Ruske, pedagoga, especialista em educação Montessori e diretora da Senses Montessori School (SP), a mensalidade é calculada a partir de uma série de despesas e projeções para o ano seguinte.
É nessa conta que entram os salários e encargos dos funcionários, a contratação e permanência de profissionais, a alimentação, a manutenção, os investimentos pedagógicos, a segurança digital e outros custos de funcionamento.
A inadimplência, que é quando as famílias deixam de pagar em dia, também pode afetar o planejamento financeiro das instituições, já que a escola continua tendo compromissos mesmo sem receber os valores acordados.
“Quando o número é alto, as escolas também sofrem. Não é do interesse de ninguém aplicar reajustes abusivos. A perda de alunos e a desconfiança das famílias afetam diretamente a sustentabilidade de uma instituição”, afirma Mariana.
“As escolas precisam prever o cenário econômico de mais de um ano à frente. Essa decisão é tomada ainda em setembro, e o valor precisa sustentar todas as contas até dezembro do ano seguinte”, explica. Por isso é que a gente já recebe esse aviso da rematrícula logo cedo. Apesar do susto, é bom porque dá tempo para todo mundo se planejar melhor.
“Nosso maior custo é humano. E é justo que professores motivados, preparados e bem remunerados façam parte do investimento que as famílias escolhem para os filhos”, defende a educadora. E, disso, não dá mesmo para discordar.
De qualquer forma, ao receber a informação sobre o reajuste, a família pode perguntar quais fatores levaram à definição daquele percentual e quais investimentos ou mudanças estão previstos para o próximo ano.
Nem toda escola trabalha com negociação individual — e não existe garantia de desconto, mas não custa tentar conversar sobre valores e condições de pagamento.
O primeiro passo é não deixar essa conversa para a última hora. Quanto antes os responsáveis souberem qual será o valor para 2027, mais tempo terão para avaliar o impacto no orçamento e discutir alternativas.
Algumas possibilidades oferecidas pelas instituições podem incluir desconto para irmãos matriculados; condições especiais para rematrícula antecipada; descontos ou benefícios vinculados à forma de pagamento; negociação de outras taxas ou serviços, quando a política da escola permitir e condições específicas para pagamento antecipado.
As regras variam de uma instituição para outra. Por isso, a recomendação é perguntar diretamente quais condições estão disponíveis para a família.
Também é importante calcular tudo. Uma escola que cobra R$ 2 mil por mês não necessariamente custa R$ 2 mil para a família. Se houver material, uniforme, alimentação, transporte, atividades extracurriculares, passeios e outras cobranças, o valor anual pode ser bastante diferente do que aparece na mensalidade.
Fazer essa conta ajuda a entender quanto do orçamento realmente pode ser comprometido e quais limites não devem ser ultrapassado.
Cuidado com o pagamento antecipado
Uma alternativa que pode aparecer na negociação é antecipar mensalidades em troca de algum desconto. Pode ser interessante, mas é preciso fazer as contas. Se a família tem dinheiro disponível e o desconto oferecido for significativo, a antecipação pode representar uma economia. Por outro lado, usar toda a reserva financeira para garantir um desconto pode deixar os responsáveis sem margem para lidar com emergências ou despesas inesperadas ao longo do ano.
Para Mariana, transparência dos dois lados é fundamental. A família pode explicar sua situação, perguntar como o reajuste foi calculado e conhecer as alternativas disponíveis. Do outro lado, cabe à instituição comunicar de forma clara as mudanças e as condições de rematrícula. “O ideal é que as famílias se planejem com antecedência, avaliem as opções e conversem com as escolas”, orienta.
A negociação pode ser uma oportunidade para tomar uma decisão consciente sobre a permanência ou não da criança naquela escola. Quando se trata da educação dos nossos filhos, que é uma prioridade, a conta vai muito além do financeiro. É importante entender se esse valor cabe, de fato, no seu bolso e de quais outros gastos você poderia abrir mão para contemplar este, se for o caso.
Para se preparar para a rematrícula de 2027
- Descubra o novo valor da mensalidade – Não espere o último momento para saber quanto a escola pretende cobrar.
- Calcule o custo anual completo – Inclua todas as despesas além da mensalidade.
- Veja o impacto no orçamento familiar – Compare o novo valor com o que a família já gasta hoje e com outras despesas previstas para 2027.
- Pergunte pelas condições disponíveis – Verifique descontos para irmãos, rematrícula antecipada, formas de pagamento e outras possibilidades oferecidas pela instituição.
- Faça as contas antes de antecipar pagamentos – Desconto não é vantagem se comprometer a reserva financeira da família.
- Converse antes de decidir – Uma negociação feita com antecedência tende a ser mais tranquila do que uma decisão tomada às pressas diante do prazo de rematrícula.
Canguru News
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