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Videogames: um pequeno manual para pais e mães aprenderem a jogar com os filhos (sim, isso é importante)
Já ouviu falar do “Minecraft”? E do “Goose Game”, “Overcooked” ou “Roblox”? Bem-vindo ao mundo dos games. Esse universo que tanto atrai a criançada, mas que para muitos pais é algo quase desconhecido.
Para tentar desvendar os mistérios dos jogos, pedimos a uma especialista no assunto que nos ajudasse a preparar um pequeno manual para mães e pais aprenderem a jogar videogames com os filhos.
Paula Onofre Oliveira, paulistana que vive em Toronto, no Canadá, é uma profissional dos games. Na verdade, ela é bióloga, doutora pesquisadora em genética humana, mas desde criança é apaixonada por jogos e a diversão virou um hobby praticado em família – ela, o marido, e os filhos: Alice, 9 anos, Daniel, 5, e Lucas, 2. De tanto jogar,decidiu criar um canal nas redes sociais para discutir o assunto com outros pais e apaixonados por jogos, o Minhoca Games.
“Meu marido também curte e mesmo antes dos filhos (nascerem), nos reuníamos com amigos em casa para jogar. Meu primeiro videogame foi um “Phantom System” e minha maior frustração era ter que desligar e perder todo o progresso que eu tinha feito no Mario Bros (naquela época os jogos não salvavam: desligou, já era!). Depois também passei a jogar no computador”, lembra Paula.
No guia que preparou para a Canguru News (veja mais abaixo), ela indica cinco jogos que acha mais interessantes para uma diversão em grupo, e que permitem vários jogadores ao mesmo tempo, o chamado “multiplayer”.
Leia também: Aluguel de jogos de tabuleiro – uma boa opção para divertir e ensinar habilidades às crianças
Como escolher os jogos
Para ajudar os pais na escolha, ela explica qual o objetivo de cada jogo, detalha a faixa etária recomendada pelo fabricante e a “ajustada”, que leva em conta a habilidade da criança ao jogar e as adaptações possíveis de serem feitas no jogo. Ela também incluiu detalhes como se são divertidos, violentos, têm sangue, conteúdo educativo, exigem compras extras ou ainda têm a possibilidade de irritar as crianças menores devido ao grau de dificuldade do jogo. Todas as indicações permitem jogar videogame, no computador e, em alguns casos, no celular.
“Cada faixa etária e cultura familiar influencia na escolha dos jogos. Deixo aqui minha sugestão dos cinco de mais sucesso na minha casa, porém, vale a pena conhecer cada um e ver se está adequado aos valores que cada família possui”, ressalta.
Leia também: Os videogames são um bom exemplo de que, na vida, errar faz parte do jogo
As “dificuldades técnicas” dos pais
Falta de coordenação motora e familiaridade com os controles não devem ser motivo para desespero. A solução é simples: praticar. “A prática leva à perfeição – a melhor forma de melhorar no jogo é jogando. Sem medo de errar. Pelo menos no jogo, as vidas são infinitas”, diz a especialista. Procurar informações sobre o jogo na internet também é válido. Ler sobre o assunto, ver vídeos no Youtube e conversar com pessoas que jogam pode ajudar muito nesse momento.
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Os benefícios do jogo em família
Nestes tempos de isolamento social, entender mais dos videogames é também uma forma de se comunicar com os filhos na “linguagem” deles – e estar próximo para se certificar de que estão em um ambiente seguro e protegidos contra assédio, bullying, golpes e outras formas de agressão virtual.
“O vínculo se fortalece, como ao brincar junto. Podemos também aprender com eles – e eles adoram ser professores dos pais. São raros os momentos em que os pais assumem o papel de alunos dos filhos e pode ser uma experiência incrível para todo mundo”, comenta Paula. É ainda um momento para conversar, exercitar cooperação, trabalho em equipe e divisão de tarefas. “Atualmente o mercado de jogos é diversificado, é possível encontrar o jogo perfeito para cada situação que se imagine. E, acima de tudo, rir junto, passar tempo de qualidade junto.”
Claro que é preciso estar atento ao tempo gasto com as telas. Passar o dia inteiro jogando não é indicado, mas ter horários combinados para esse programa, pode fazer muito bem a todos. “Como mãe, além de cientista, acredito que é possível achar um caminho do meio, que traga um equilíbrio entre o tempo de tela e o tempo na vida real. Videogames podem sim ser saudáveis e divertidos, é só balancear com outras atividades e tempo na natureza e ar livree”, conclui Paula. Vamos jogar?
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Pequeno manual dos videogames
Nome do jogo: Minecraft
Faixa etária recomendada (fabricante): 10+ (violência leve)
Faixa etária ajustada: 5+
Descrição: O Minecraft pode ser jogado de três formas: jogo de criação, sobrevivência ou aventura. No modo sobrevivência, o objetivo é sobreviver, conseguir recursos e derrotar o Dragão do Fim. No modo criativo, o objetivo é explorar sua criatividade e construir – pode ser uma casa, um castelo, uma escultura, ou seja, qualquer coisa que o jogador quiser. No modo aventura, geralmente o mapa traz seus próprios objetivos – os mapas podem ser comprados e baixados na própria loja do Minecraft (alguns são gratuitos e muitos têm conteúdo educativo). O Minicraft não tem sangue e pode ser jogado em modos sem criaturas hostis e sem a necessidade de matar nada. Atenção para os mapas do Minecraft Education, que possuem conteúdo educativo: matemática, programação, biologia e outros temas muito interessantes!
Nome do jogo: Goose Game
Faixa etária recomendada (fabricante): Livre
Faixa etária ajustada: Livre
Descrição: Você é um ganso com missões divertidas e seu principal objetivo parece ser perturbar uma pequena cidade. Para isso você precisa resolver mistérios e desvendar quebra-cabeças. Um jogo que faz a família dar muitas risadas! Algumas críticas dizem que o jogo estimula o mau comportamento.
Nome do jogo: Overcooked
Faixa etária recomendada (fabricante): Livre
Faixa etária ajustada: 6+
Descrição: Junte-se com seus amigos para cozinhar! Cumpra as missões no tempo certo e agrade seus clientes. Pode ser bastante desafiador – e um exercício também – para crianças com dificuldade em perder nos jogos.
Nome do jogo: Lego Dimensions
Faixa etária recomendada (fabricante): 10+
Faixa etária ajustada: 5+
Descrição: Personagens variados, em forma de Lego, precisam salvar todos os universos existentes de um poderoso vilão. É Lego! Vale a pena dar uma olhada. Crianças mais novas talvez fiquem irritadas nas fases em que é necessário mais coordenação com os controles ou naquelas em que os quebra-cabeças sejam mais difíceis de montar.
Nome do jogo: Roblox
Faixa etária recomendada (fabricante): 10+
Faixa etária ajustada: 7+
Descrição: A essência do Roblox é uma plataforma online para projetar, construir e compartilhar seus próprios jogos e experiências em 3D. Um alerta! Dentro do Roblox existem uma infinidade de jogos! Cada um pode ter uma classificação etária diferente. Além disso, a plataforma permite conversa entre os jogadores. Roblox é muito legal mas exige atenção cuidadosa dos responsáveis. É possivel fazer um controle parental dentro da plataforma para filtrar as conversas, limitar os pedidos de amizade e barrar compras online, entre outras funções.
Leia também: Videogames violentos não fazem com que crianças fiquem agressivas, diz estudo
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Verônica Fraidenraich
Editora da Canguru News, cobre educação há mais de dez anos e tem interesse especial pelas áreas de educação infantil e desenvolvimento na primeira infância. Tem um filho, Martim, sua paixão e fonte diária de inspiração e aprendizados.
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