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Quando o hospital acolhe: arquitetura humanizada faz diferença para crianças com câncer
Um projeto desenvolvido na Universidade de São Paulo propõe repensar a arquitetura hospitalar para tornar o tratamento de crianças com câncer mais acolhedor, não apenas do ponto de vista clínico, mas também emocional. A ideia é criar espaços que reduzam o estresse, favoreçam o bem-estar e incluam familiares no processo de cuidado.
O trabalho, chamado Arquitetura que Cuida, foi desenvolvido pela estudante Luiza Carneiro de Oliveira, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU-USP), com foco em um edifício anexo ao hospital do Graacc, referência no tratamento oncológico infantojuvenil. A proposta busca ampliar a capacidade de atendimento e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência de pacientes e acompanhantes.
Segundo a orientadora do projeto, a professora Sheila Walbe Ornstein, a humanização precisa ser central nesse tipo de ambiente. “No campo da saúde, especialmente em tratamentos de longo prazo e envolvendo crianças, é preciso que o arquiteto tenha um olhar muito apurado, sem esquecer a necessidade de humanização dos espaços”, afirmou.
Brinquedoteca, áreas verdes e espaço para famílias
Entre as propostas estão ambientes voltados ao bem-estar das crianças e adolescentes, como brinquedoteca, playground externo acessível e uma “adoleteca” com sala de música e jogos. Também foi previsto um “Espaço da Família”, pensado para acompanhantes que passam longos períodos durante o tratamento.
Na cobertura, o projeto inclui jardins terapêuticos e áreas ao ar livre, com atividades como cultivo de plantas, com o objetivo de favorecer a recuperação emocional e reduzir o estresse.
Arquitetura baseada em evidências
O trabalho segue os princípios do chamado projeto baseado em evidências, abordagem que usa pesquisas científicas para orientar decisões arquitetônicas em ambientes de saúde. A autora explica que o objetivo é mostrar como o espaço físico pode contribuir diretamente para o cuidado, especialmente em contextos sensíveis como o tratamento oncológico pediátrico.
A proposta também reorganiza fluxos de circulação dentro do hospital, separando acessos de pacientes, emergência, logística e equipe, o que pode facilitar a orientação e melhorar o funcionamento do atendimento.
Embora seja um projeto acadêmico, a expectativa é que a ideia contribua para o debate sobre o papel da arquitetura no cuidado em saúde. Como destaca a autora, a intenção é demonstrar “como a arquitetura pode contribuir de maneira concreta para o cuidado” em hospitais pediátricos.
Fonte: Jornal da USP
Canguru News
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