Artigos
Só uma mentirinha boba? Estudo liga mentiras dos pais a ansiedade e culpa na vida adulta
“Se você não comer tudo, o policial vai te levar” ou “vou embora e você vai ficar aqui sozinho”. Frases ameaçadoras e mentirosas como estas ainda fazem parte do repertório de muitas famílias. Elas parecem inofensivas e, supostamente, são usadas com o objetivo de educar. Mas o que será que elas ensinam, de verdade?
Um estudo publicado na revista Journal of Experimental Child Psychology sugere que esse tipo de “mentirinha” usada para disciplinar pode ter efeitos duradouros. E eles não são nada positivos. Segundo os pesquisadores, crianças expostas com frequência a mentiras parentais tendem a apresentar mais dificuldades emocionais e maior propensão a mentir na vida adulta.
A pesquisa analisou a relação entre mentiras contadas pelos pais durante a infância e comportamentos posteriores. Os resultados indicaram que adultos que relataram ter sido enganados com frequência quando crianças também apresentavam mais tendência a mentir para os próprios pais e para outras pessoas, além de níveis mais altos de dificuldades emocionais, como ansiedade e sentimento de culpa.
Essas mentiras costumam surgir em situações do dia a dia, quando os adultos tentam controlar comportamentos ou evitar conflitos. Exemplos comuns incluem ameaças que não serão cumpridas, histórias inventadas para convencer a criança a obedecer ou promessas falsas. Embora pareçam estratégias rápidas, elas podem confundir a criança sobre o valor da sinceridade.
“Esses efeitos estão relacionados ao que a criança aprende sobre confiança e moralidade. Quando os pais mentem, especialmente em situações que pedem sinceridade dos filhos, a mensagem transmitida se torna contraditória”, diz a especialista em neurodesenvolvimento Luana Stangherlin, em uma publicação sobre o trabalho científico em seu perfil no Instagram. Segundo ela, a partir desse tipo de estratégia, os pequenos compreendem que mentir é aceitável em certas circunstâncias, o que acaba comprometendo a construção de um senso ético coerente. E tem mais: “A quebra de confiança enfraquece o vínculo afetivo e pode gerar insegurança emocional”, aponta.
Na vida adulta, essas experiências precoces se refletem em comportamentos mais complexos. É mais comum que quem passou por isso utilize a mentira em situações sociais, o que afeta amizades, relacionamentos amorosos e o ambiente de trabalho, perpetuando um padrão aprendido desde a infância.
“Falar a verdade com empatia, explicar regras e consequências e admitir erros fortalece a confiança e ensina valores de forma mais saudável. A sinceridade, quando aliada ao cuidado, contribui para que a criança cresça segura, íntegra e capaz de construir relações baseadas no respeito e na verdade”, explica Luana.
Os pesquisadores reforçam que não se trata de culpabilizar os pais, já que essas mentiras são comuns e muitas vezes surgem em momentos de cansaço ou pressa. No entanto, é importante saber que a forma como os adultos se comunicam com as crianças influencia diretamente a construção da confiança e da moralidade, que elas levarão para a vida.
Em vez de recorrer a ameaças ou histórias inventadas, o ideal é explicar limites de forma clara, validar emoções e manter a coerência entre o que se pede da criança e o que o adulto faz. A longo prazo, essa postura ajuda a fortalecer o vínculo e a construir relações baseadas em confiança, algo que, segundo o estudo, pode acompanhar os filhos até a vida adulta.
Tem dúvidas sobre este assunto? Já acrescenta a Caru nos seus contatos agora (11) 95213-8516 ou CLICA AQUI e fala “oi” para a Caru
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
“Canetas” para emagrecer em adolescentes? OMS lança novas diretrizes para obesidade
Nova orientação recomenda medicamentos apenas para alguns adolescentes, após acompanhamento estruturado; para crianças menores de 10 anos, remédios e cirurgia...
30 milhões de crianças estão expostas a riscos climáticos. O que isso tem a ver com seu filho?
El Niño pode aumentar o risco de calor extremo, falta de água, fumaça, interrupção das aulas e outros impactos que...
A importância do brincar livre no desenvolvimento infantil
Em meio a agendas cada vez mais cheias de escola, inglês, natação, reforço, ballet, uma pergunta simples tem ficado para...
Sem tempo para pensar no look? 7 truques para parecer arrumada em 5 minutos
Da terceira peça ao brinco, veja estratégias simples para deixar o visual mais interessante sem nem pensar muito









