Muito além da mensalidade: quanto custa educar um filho?

Uniformes, material escolar, transporte, alimentação, passeios e atividades extracurriculares fazem parte da conta de quem tem filhos em idade escolar. Planejar custos é essencial para evitar surpresas ao longo do ano
Criança estudando Foto: Magnific

 

 

Quando uma família pensa no custo da educação dos filhos, a primeira despesa que vem à cabeça é a mensalidade escolar. Embora seja mesmo uma das mais pesadas, ela está longe de ser a única. Ao longo do ano letivo, uma série de gastos menos visíveis, como material didático, uniforme, alimentação, transporte, passeios pedagógicos e atividades extracurriculares, tem um peso importante no orçamento doméstico.

A importância desse planejamento aparece também nas pesquisas sobre consumo das famílias brasileiras. Segundo o IBGE, por meio da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), os gastos com educação fazem parte das despesas de consumo das famílias e se somam a outros custos essenciais, como moradia, alimentação e transporte. O levantamento é utilizado justamente para compreender como os brasileiros distribuem seu orçamento e como esses hábitos de consumo mudam ao longo do tempo.

Para Andréa Piloto, diretora pedagógica da escola Vereda (SP), um dos erros mais comuns é considerar apenas o valor da mensalidade na hora de calcular quanto custa manter um filho na escola.

“Quando os pais fazem as contas, normalmente olham apenas para a mensalidade, mas a educação envolve diversas despesas que aparecem ao longo do ano. São custos que, muitas vezes, surgem aos poucos e acabam comprometendo o planejamento financeiro da família”, afirma. Os pequenos gastos fazem diferença

Uma mochila nova, um tênis para educação física, uma excursão da escola, a renovação do uniforme, a festa de encerramento, as aulas de inglês, esportes ou música. Individualmente, essas despesas podem parecer pequenas. Somadas, porém, representam uma parcela significativa do orçamento anual.

A última edição consolidada da Pesquisa de Orçamentos Familiares mostrou que as despesas com educação representavam cerca de 4,7% dos gastos de consumo das famílias brasileiras, percentual que cresceu em relação à pesquisa anterior.

Além disso, o início de cada ano letivo costuma pressionar ainda mais o orçamento. Levantamentos de entidades de defesa do consumidor mostram que os gastos com material escolar podem variar significativamente de uma loja para outra, reforçando a importância da pesquisa de preços e do planejamento antecipado.

Outro desafio enfrentado pelas famílias é lidar com despesas inesperadas ao longo do ano. Passeios, eventos escolares e cobranças extras podem dificultar a organização financeira, principalmente para quem já trabalha com o orçamento apertado.

Segundo Andréa, quanto maior a previsibilidade dos custos, mais fácil é organizar as finanças familiares. “Quando a família consegue saber antecipadamente quanto irá investir na educação ao longo do ano, ela consegue se planejar melhor e evita que pequenas despesas recorrentes se transformem em um problema financeiro”, afirma.

Nos últimos anos, algumas escolas passaram a reunir serviços como alimentação, material didático e atividades complementares na própria mensalidade. A proposta, segundo a especialista, é reduzir cobranças extras e facilitar o planejamento das famílias.

Planejamento também faz parte da educação financeira

Especialistas em finanças pessoais recomendam que os custos da educação sejam planejados para além da matrícula e da mensalidade. Colocar na conta despesas como uniforme, transporte, alimentação, tecnologia, passeios e atividades extracurriculares ajuda a construir um orçamento mais realista e evita o uso frequente do cartão de crédito para gastos inesperados.

“A educação dos filhos é um investimento de longo prazo. Quanto mais clareza a família tiver sobre todos os custos envolvidos, maiores são as chances de tomar decisões financeiras com tranquilidade e preservar o equilíbrio do orçamento”, conclui Andréa.

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