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Crescer dói? Às vezes, sim
Por Cristiane Miranda / Ilustração: Juliane Ferreira O seu filho vai dormir e começa a se queixar de dores nas pernas, principalmente atrás dos joelhos, na região da panturrilha e nas coxas? É possível que ele faça parte do contingente de crianças que sentem as chamadas dores do crescimento. A seguir, o ortopedista pediátrico Marcelo Sternick, do Hospital Felício Rocho e ex-presidente da seção Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, responde a seis dúvidas sobre esse diagnóstico, que muitos acreditam se tratar de um mito da medicina.
#1 – Em que idade esse quadro clínico é mais comum?
Crianças de 4 ou 5 anos são mais propensas a apresentá-lo, mas a garotada entre 2 e 9 anos de idade pode se queixar.
#2 – Em qual horário essas queixas ocorrem?
Normalmente à noite, e não é raro a criança acordar de madrugada reclamando de dor, principalmente atrás dos joelhos, na região da panturrilha e nas coxas.
#3 – O que causa a dor?
Algumas teorias indicam que o crescimento dos ossos é maior que o dos músculos e tendões, o que os sobrecarrega. Outras, como a das linhas de crescimento Fise, afirmam que os ossos apertam a cartilagem por onde crescem. Mas não há um consenso na medicina.
#4 – Qual o tratamento?
A dor do crescimento não é uma doença, mas sim uma ocorrência benigna. No meu consultório, eu brinco muito com os pais dizendo que umas gotinhas de analgésico trazem de volta a paz noturna. Se chegarmos à conclusão de que a criança tem alguma contratura muscular, a orientação é fazer exercícios de alongamento.
#5 – Algo pode agravar os sintomas?
Muitos pais contam que após um dia mais agitado os filhos tendem a sentir mais dor. Na maioria das vezes, ela se alterna entre os membros: num dia aparece na perna direita, em outro, na esquerda. Também pode se manifestar com maior intensidade em uma das duas. Não existe prazo determinado, mas normalmente as dores ocorrem uma vez por semana ou a cada quinze dias.
#6 – Como saber que não se trata de outra doença mais grave?
Criança que sente dor deve ser levada ao consultório médico, onde é aconselhada a fazer exames complementares para afastar outros diagnósticos. É imprescindível observar se o menino ou a menina não tem nenhum sintoma associado como febre e falta de apetite, assim como alterações em análises laboratoriais e de imagem. Também é necessário observar o padrão, se a dor muda de horário, se o filho aponta outras partes do corpo. Não desprezar as queixas dos pequenos é importante para um diagnóstico preciso e rápido. Já recebi uma criança que havia sido diagnosticada com dor do crescimento mas na verdade tinha leucemia.
Canguru News
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