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Crianças mais velhas transmitem coronavírus da mesma forma que adultos, diz estudo
Há muito debate sobre a retomada das aulas presenciais – afinal, as escolas devem reabrir ou não? A questão chave em relação ao assunto é a capacidade das crianças de transmitir a Covid-19 e, apesar de pesquisas sendo realizadas e de experiências de reabertura em alguns países, não há consenso nem mesmo entre os especialistas. Agora, um estudo realizado na Coreia do Sul traz mais informações sobre o tema: a pesquisa concluiu que crianças com menos de 10 anos de idade propagam menos o coronavírus (ainda assim, o risco não é zero), enquanto crianças mais velhas e adolescentes podem transmitir o coronavírus tanto quanto os adultos.
A pesquisa identificou 5.706 pessoas na Coreia do Sul que relataram sintomas da Covid-19 entre 20 de janeiro e 27 de março – os “pacientes-índice”. Depois, os pesquisadores rastrearam 59.073 contatos desses pacientes-índice. Foram testados todos os contatos domiciliares de cada paciente, independentemente dos sintomas. Fora do domicílio, foram testados apenas os contatos sintomáticos. Os resultados apontaram que as crianças menores de 10 anos têm 50% da capacidades de disseminação dos adultos – dado que está em linha com conclusões de outros estudos – e que crianças mais velhas e adolescentes, que têm entre 10 e 19 anos, possuem a mesma capacidade dos adultos de propagar o coronavírus.
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Hipóteses sobre o motivo para essa diferença na capacidade de disseminação incluem o fato de que crianças geralmente exalam menos ar (exalando, portanto, uma menor quantidade do vírus) e o fato de que elas exalam esse ar mais perto do chão, tornando menos provável que outras pessoas o respirem. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo foram liderados por Young Joon Park, médico que também é responsável por uma equipe do Centro Nacional de Resposta de Emergência à Covid-19, órgão que elabora estratégias para combater a pandemia na Coreia do Sul.
Os autores alertam que a reabertura das escolas pode, portanto, causar novos focos de infecção. “As crianças pequenas podem apresentar taxas mais altas de infecção quando as escolas reabrirem, contribuindo para a transmissão comunitária da Covid-19”, diz a pesquisa. O grupo mais preocupante, é claro, é o das crianças mais velhas e adolescentes, que têm maior capacidade de transmissão do coronavírus.
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Os pesquisadores alertam que é necessária então uma readaptação das escolas, para evitar a propagação da Covid-19, com implementação de medidas como distanciamento social, higiene das mãos, uso de máscaras, testagem de alunos e funcionários, afastamento de infectados e também planos de contingência caso seja necessário fechar os estabelecimentos novamente. Tudo isso envolve decisões, no entanto, que são complexas, reconhecem os especialistas, já que as evidências sobre a transmissão em escolas são inconclusivas até o momento.
Apesar de ter sido feita em larga escala, o estudo também tem suas limitações. Os autores destacam que a primeira pessoa sintomática de uma família nem sempre é a primeira que foi infectada. Eles ainda apontam que as crianças são, de forma geral, menos propensas a apresentar sintomas da Covid-19 – o que significa que a pesquisa pode ter considerado um número menor de crianças do que o real como responsáveis pela cadeia de transmissão em suas famílias.
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Heloisa Scognamiglio
Jornalista formada pela Unesp. Foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo e colaboradora em jornalismo da TV Unesp. Na faculdade, atuou como repórter e editora de internacional no site Webjornal Unesp e como repórter do Jornal Comunitário Voz do Nicéia. Também fez parte da Jornal Jr., empresa júnior de comunicação, e teve experiências como redatora e como assessora de comunicação e imprensa.
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