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Copa do Mundo e bets: como proteger crianças e adolescentes das propagandas de apostas
A cada Copa do Mundo, milhões de crianças e adolescentes acompanham partidas, torcem por seleções e se aproximam do universo do futebol. O que deveria ser uma experiência ligada ao esporte, porém, vem sendo cada vez mais acompanhada por outro fenômeno: a presença massiva das apostas esportivas.
Anúncios de bets aparecem nas transmissões, nos intervalos, nas redes sociais e até nos conteúdos produzidos por influenciadores digitais e atletas. O resultado é que crianças e adolescentes são expostos repetidamente a mensagens que associam apostas à diversão, emoção, sucesso e dinheiro fácil.
Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 53% das crianças foram expostas a algum tipo de publicidade de apostas entre março e setembro do ano passado. Já um levantamento do Ipsos apontou que uma em cada dez crianças e adolescentes brasileiros entre 10 e 17 anos realizou apostas em 2025.
Diante desse cenário, organizações de defesa dos direitos da infância, como a Criança e Consumo, alertam que a proteção não pode ficar apenas nas mãos das famílias. Ainda assim, pais e responsáveis têm um papel fundamental para ajudar crianças e adolescentes a desenvolver um olhar crítico sobre esse tipo de conteúdo.
Não apresente apostas como brincadeira
Uma das principais recomendações é evitar tratar apostas esportivas como algo inofensivo ou como parte natural da torcida. Muitas campanhas publicitárias vendem a ideia de que apostar é divertido, emocionante e uma forma simples de ganhar dinheiro. Conversar com as crianças sobre os riscos envolvidos ajuda a desfazer essa narrativa. É importante explicar que apostar não é um jogo infantil nem uma brincadeira, mas uma atividade que envolve perdas financeiras e pode causar problemas sérios para algumas pessoas.
Fique atento aos influenciadores
Outra orientação é observar os conteúdos consumidos por crianças e adolescentes nas redes sociais. Influenciadores que divulgam plataformas de apostas podem contribuir para normalizar esse comportamento, especialmente entre os mais jovens. Quando a publicidade é direcionada a crianças e adolescentes, ela pode configurar uma prática ilegal e deve ser denunciada. Além de acompanhar quem os filhos seguem, é fundamental conversar sobre os interesses comerciais por trás dessas publicações.
Ensine a questionar a publicidade
A educação midiática é uma ferramenta poderosa de proteção. Diante de um anúncio de aposta, os adultos podem estimular reflexões simples, como:
- Por que essa propaganda apareceu para mim?
- O que ela está tentando me convencer a fazer?
- Quem ganha dinheiro quando alguém aposta?
- O que essa publicidade não está mostrando?
Essas perguntas ajudam crianças e adolescentes a entender que a propaganda tem objetivos comerciais e nem sempre apresenta todos os riscos envolvidos.
O exemplo dos adultos importa
As atitudes dos adultos também influenciam diretamente a forma como os mais jovens enxergam as apostas. Quando reuniões familiares, conversas entre amigos ou momentos de assistir aos jogos são constantemente acompanhados por comentários positivos sobre apostas, crianças podem interpretar essa prática como algo comum, divertido e sem consequências. Por isso, especialistas recomendam cautela ao falar sobre o tema na frente dos filhos.
A responsabilidade é de todos!
Embora o diálogo em casa seja essencial, especialistas e organizações de defesa da infância reforçam que a responsabilidade não pode recair apenas sobre as famílias. Quando crianças e adolescentes são expostos diariamente a anúncios de apostas em transmissões esportivas, plataformas digitais e redes sociais, trata-se também de uma questão regulatória e de proteção de direitos.
A Copa do Mundo é uma oportunidade perfeita para aproximar os mais jovens do esporte, da convivência e da celebração cultural que o futebol proporciona. Garantir que essa experiência não seja dominada pela lógica das apostas é um desafio que envolve famílias, empresas, plataformas digitais e poder público.
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Canguru News
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