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Banho quente faz mal? O que os pais precisam saber sobre a pele no frio
Quando o frio chega, os banhos ficam mais quentes, a água é consumida em menor quantidade e o hidratante acaba ficando de lado, por causa da correria e da pressa para vestir a roupa. Mas tudo isso pode ter um impacto direto na saúde da pele, especialmente as mais sensíveis, como a das crianças.
Durante o outono e o inverno, a combinação de temperaturas mais baixas e ar seco favorece o ressecamento e pode desencadear ou agravar problemas dermatológicos. Vermelhidão, coceira, descamação e irritação tornam-se mais frequentes nos consultórios.
Segundo a dermatologista Maria Paula Del Nero, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), alguns fatores explicam por que a pele fica mais vulnerável nessa época do ano. “A pele perde água com mais facilidade durante o outono e inverno. Quando essa barreira protetora fica fragilizada, aumentam os quadros de inflamação, coceira, descamação e até infecções”, explica.
Entre os quadros mais comuns está a dermatite atópica, uma condição inflamatória bastante frequente na infância. As lesões costumam aparecer em regiões de dobra, como atrás dos joelhos, nos braços e no pescoço, provocando coceira intensa e desconforto.
Os banhos muito quentes, tão gostosos e reconfortantes nos dias frios, podem piorar o problema. “A dermatite atópica piora muito com o banho quente e prolongado. O calor excessivo remove a camada de proteção natural da pele e facilita a entrada de agentes irritantes”, alerta a médica. Crianças que já convivem com rinite, asma ou outras alergias costumam ser ainda mais sensíveis.
O couro cabeludo também merece atenção. Nessa época do ano, a dermatite seborreica — conhecida popularmente como caspa — pode se intensificar. “O couro cabeludo tenta compensar o ressecamento produzindo mais óleo. Isso favorece a proliferação de fungos e intensifica a inflamação, provocando coceira e descamação”, afirma.
Para quem tem psoríase, os meses frios também são desafiadores. A menor exposição ao sol, que possui ação anti-inflamatória natural, favorece o aparecimento ou agravamento das lesões. “Muitos pacientes percebem claramente essa piora no inverno. A hidratação ajuda a reduzir o desconforto e evitar fissuras”, destaca a especialista.
Para amenizar o cenário, algumas medidas simples fazem diferença. Banhos mais rápidos, água morna, uso diário de hidratantes e a redução do uso de buchas e esfoliantes ajudam a proteger a barreira natural da pele. “O hidratante deve ser aplicado imediatamente após o banho, quando a pele ainda está úmida. Esse hábito faz muita diferença na proteção da barreira cutânea”, finaliza a dermatologista.
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