Cyberbullying: o que fazer se seu filho estiver sendo vítima?

Cada vez mais famílias têm procurado ajuda após descobrir que seus filhos estão sofrendo ataques pela internet. Protocolo Eu Te Vejo explica quais são as primeiras providências para proteger a criança ou o adolescente, preservar provas e buscar apoio
Adolescente no celular Foto: Magnific

As ofensas nem sempre terminam quando o sinal da escola toca. Para muitas crianças e adolescentes, elas continuam pelo celular, em grupos de mensagens, redes sociais e jogos online. É o chamado cyberbullying, que pode provocar ansiedade, isolamento, queda no rendimento escolar e até problemas mais sérios de saúde mental.

Diante do aumento dos relatos de famílias que enfrentam esse tipo de violência, o “Protocolo Eu Te Vejo”, iniciativa da juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro. O projeto é voltado ao enfrentamento do bullying e do cyberbullying e reuniu um passo a passo com as principais orientações para pais e responsáveis. O objetivo é ajudar as famílias a agir rapidamente, proteger a vítima e responsabilizar os envolvidos.

A recomendação dos especialistas é evitar agir por impulso e seguir algumas etapas importantes, que são as seguintes:

  1. Guarde todas as provas

Antes de apagar mensagens ou bloquear o agressor, salve tudo o que comprova o ocorrido: capturas de tela, fotos, vídeos, mensagens de aplicativos, publicações em redes sociais e os links (URLs) das páginas onde as ofensas foram feitas. Tudo isso pode ser fundamental caso seja necessário acionar a escola ou registrar uma ocorrência.

  1. Avise a escola por escrito

Mesmo quando os ataques acontecem fora da sala de aula, eles podem configurar violência escolar, quando envolvem alunos da instituição. Por isso, a orientação é comunicar formalmente a escola, preferencialmente por e-mail, relatando os fatos e solicitando providências. Também é importante pedir confirmação de recebimento da mensagem. A recomendação está alinhada à Lei nº 14.811/2024, que reforça o dever das escolas de prevenir e enfrentar o bullying e o cyberbullying.

  1. Converse com a família do agressor, com mediação da escola

Se for possível, a escola pode promover uma reunião entre as famílias para esclarecer o ocorrido, buscar a reparação dos danos e definir medidas educativas. Esse diálogo deve ocorrer com mediação da instituição de ensino, evitando confrontos diretos entre as famílias.

  1. Se necessário, procure a polícia

Se a situação não for resolvida ou se a gravidade do caso justificar, a família pode registrar um boletim de ocorrência. Desde janeiro de 2024, a prática de bullying e cyberbullying passou a ter previsão específica na legislação brasileira, e adolescentes com 12 anos ou mais podem responder por atos infracionais equivalentes.

  1. Avalie a mudança de escola, se o sofrimento persistir

Quando as agressões continuam e a criança apresenta sofrimento emocional importante, mudar de escola pode ser uma alternativa para preservar sua saúde mental. Mas, atenção! Essa decisão não deve substituir a responsabilização dos agressores nem as medidas que cabem à instituição de ensino.

E qual é o papel da escola?

O Protocolo Eu Te Vejo lembra que o cyberbullying entre estudantes também pode ser considerado uma forma de violência escolar. Por isso, a escola deve atuar para prevenir novos episódios, acolher a vítima e adotar medidas previstas em seus protocolos internos. Em situações de omissão, a instituição pode até responder civilmente pelos danos causados.

Supervisão faz diferença

Além de saber como agir quando o problema acontece, os especialistas reforçam a importância da prevenção. A gente não cansa de falar: é fundamental que pais e responsáveis acompanhem o uso que crianças e adolescentes fazem do celular e das redes sociais.

Essa supervisão não serve apenas para identificar quando um filho é vítima, mas também para perceber se ele está participando das agressões ou mesmo assistindo e compartilhando conteúdos ofensivos. Não dá para combater o cyberbullying sem educar crianças e adolescentes para um uso mais responsável da internet – e esta é uma responsabilidade que precisa ser compartilhada entre pais, responsáveis, família, escola, órgãos públicos e toda a sociedade.

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