Artigos
Como as relações familiares afetam a saúde mental da criança
Por José Martins Filho*
Se uma criança não é bem acolhida, se ninguém a pega no colo quando chora ou se ela é simplesmente ignorada, as consequências emocionais e biológicas são imprevisíveis e podem aparecer a qualquer momento da infância ou da vida adulta.
Estamos falando do chamado estresse tóxico precoce infantil, que hoje começa a ser muito estudado por neurocientistas e principalmente por pesquisadores em grandes universidades, interessados em conhecer como o estresse e o abandono podem influenciar no desenvolvimento cerebral, muitas vezes causando lesões no sistema nervoso.
O estresse é uma reação de defesa do organismo contra ameaças e agressões. Por isso, quando estamos diante de um perigo, nosso corpo se prepara para reagir, aumentando a frequência cardíaca, dilatando as pupilas, preparando os músculos para ataque ou fuga. Esse preparo é feito principalmente por dois hormônios, a adrenalina e o cortisol. Ambos atuam em nível cerebral. Se o estresse se torna crônico, acaba por lesar as sinapses neuronais, ligações entre os neurônios fundamentais para o desenvolvimento psíquico e para o bom controle emocional.
Independentemente dessas explicações biológicas e bioquímicas, o que podemos entender disso tudo? Que amor, afeto, vínculo, carinho e presença calorosa dos pais são fundamentais no desenvolvimento da personalidade e do bem- estar na infância e na vida adulta. Mas até que idade uma criança precisa da presença real dos pais ao seu lado? Muitos pais e mães, infelizmente, saem para trabalhar às 7 horas da manhã e voltam às 18h ou 19h. Precocemente, crianças são enviadas para as creches, às vezes antes dos 4 meses de idade.
O que é incrível, e não divulgado, é que uma criança só vai ter a imunidade bem desenvolvida por volta dos 2 anos. Assim, ao ser colocada numa creche precocemente sem a imunidade biológica e psicológica bem desenvolvida, todos os fenômenos infecciosos e emocionais aumentam. Eu atuo para tentar conseguir uma melhora no tempo de licença da mãe, se possível para um ano, e pelo menos um mês para o pai. Já é tempo de começarmos a pensar na importância da presença dos pais no desenvolvimento de nossas crianças. E todos sabemos que cuidar da infância e prevenir danos futuros é um trabalho que só trará benefícios para a família, para a sociedade e para a humanidade como um todo.
*Martins Filho é médico pediatra e professor titular emérito de pediatria pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi chefe do Departamento de Pediatria, diretor da Faculdade de Medicina e reitor da Unicamp. É presidente da Academia Brasileira de Pediatria, conferencista nacional e internacional e autor de vários livros, entre os quais A Questão da Amamentação no Brasil (Editora Brasiliense) e Lidando com Crianças, Conversando com os Pais (Editora Papirus).
Canguru News
Desenvolvendo os pais, fortalecemos os filhos.
VER PERFILAviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Uma nova característica de George, irmão da Peppa Pig, será revelada na próxima temporada do desenho
Nos episódios previstos para as próximas semanas, o personagem será diagnosticado com perda auditiva moderada e ganhará um aparelho. Muito...
3 receitas de air fryer que vão salvar a lancheira das crianças neste ano
Além de ajudar a preparar os alimentos de forma saudável, sem óleo, as fritadeiras elétricas são uma mão na roda...
Ciência descobre como o corpo da mãe detecta que é hora de começar o trabalho de parto
Canais presentes no útero entendem quando é o momento de expulsar o bebê e isso pode ajudar a prevenir nascimentos...
8 cuidados com o uso de maquiagem nas crianças no Carnaval
As cores e o brilho fazem parte das fantasias e brincadeiras. No entanto, é importante lembrar que a pele das...






