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Mãe de menino: livro discute os dilemas de criar garotos na era da “masculinidade impossível”
Criar meninos em um tempo de tantas mudanças e transformações, sobretudo quanto às discussões que envolvem gênero, tem sido cada vez mais desafiador. É justamente este o ponto de partida de “Mãe de menino”, novo livro da jornalista britânica Ruth Whippman, publicado no Brasil pela Editora Planeta. Com uma mistura de relatos pessoais, entrevistas com adolescentes e análise de estudos, a autora tenta responder a uma pergunta: o que significa educar garotos em meio à chamada “era da masculinidade impossível”?
Mãe de três meninos, Ruth consegue ver de perto como os papéis de gênero estão mudando, mas nem sempre de forma equilibrada. Para a autora, enquanto meninas têm sido incentivadas a ampliar os comportamentos e as possibilidades, muitos meninos continuam presos a modelos rígidos de masculinidade, que valorizam força, autossuficiência e controle emocional.
Esse descompasso ajuda a entender fenômenos cada vez mais discutidos, como a solidão masculina e o crescimento de comunidades na internet, marcadas por discursos misóginos. A autora defende que a dificuldade de lidar com vulnerabilidade, intimidade e empatia não é uma falha individual, mas resultado de uma socialização que ainda limita o repertório emocional dos meninos.
O livro também analisa os impactos de movimentos como o #MeToo (uma forte mobilização global de denúncia ao assédio e à violência sexual), apontando como eles ampliaram debates importantes, mas também geraram inseguranças e confusão sobre o que se espera dos meninos e homens hoje.
Com uma abordagem que combina jornalismo investigativo e reflexão cultural, “Mãe de menino” percorre temas como saúde mental, educação, sexualidade, pornografia, consentimento e cultura do cancelamento. O resultado é um retrato complexo de uma geração que cresce sob pressão para mudar, mas sem referências claras de como fazer isso.
Sem abrir mão de um tom sensível e, em muitos momentos, bem-humorado, Ruth propõe uma reflexão que dialoga diretamente com o universo da parentalidade: como oferecer aos meninos modelos mais saudáveis de masculinidade? E, sobretudo, como criar espaço para que eles desenvolvam empatia, vínculos e uma relação mais aberta com as próprias emoções?
O livro não oferece respostas prontas, mas convida pais, mães e cuidadores a revisarem e questionarem aquelas certezas cristalizadas e a participarem ativamente da construção de novas narrativas sobre o que significa ser homem hoje.

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