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Co-parentalidade sem relacionamento amoroso ganha espaço: você toparia?
O desejo de ser pai ou mãe nem sempre vem acompanhado de um parceiro fixo, que cumpra os requisitos necessários para um relacionamento amoroso saudável e que também tenha a intenção de ter filhos. Embora seja o que a sociedade espera, nem sempre é fácil combinar tudo isso numa mesma pessoa. Então, por que não separar essas expectativas? É o que vem acontecendo pelo mundo.
Uma reportagem recente do New York Times trouxe o tema para reflexão e mostrou que várias pessoas têm buscado uma parceria para ter filhos sem um relacionamento afetivo. Uma das entrevistadas pelo jornal americano relatou que conheceu uma outra pessoa com o mesmo interesse por meio de um aplicativo e eles combinaram um jantar – não romântico, para conhecer, falar sobre valores, metas, quantos filhos pretendem ter e que tipo de educação gostariam de dar para essas crianças, que ainda não existiam. Tudo para saber se dariam um “match” de parentalidade.
Os principais desafios da co-parentalidade
A proposta da co-parentalidade separa duas decisões que, historicamente, sempre caminharam juntas: com quem se relacionar afetivamente e com quem ter filhos. “Isso me permitiu tirar a pressão de que uma única pessoa precise ser tudo: parceiro, amante e pai”, contou a moça, que vive em Los Angeles, nos Estados Unidos, na entrevista ao jornal.
À medida que mais adultos chegam aos 30 e 40 anos sem um parceiro, mas com o desejo de ter filhos, esse modelo vem se tornando mais visível — especialmente após a pandemia. Plataformas especializadas em conectar pessoas interessadas em formar famílias fora de um relacionamento romântico têm registrado crescimento expressivo nos últimos anos.
A ideia funciona como uma resposta a uma angústia comum: o medo de adiar demais a maternidade ou paternidade enquanto se espera “a pessoa certa”. Apesar de parecer uma ideia radical, a prática não é nova. “Esse tipo de arranjo existe há muito tempo, especialmente na comunidade LGBTQIA+”, explicou a psicóloga Vasanti Jadva, pesquisadora da Universidade de Cambridge, que estuda famílias formadas por co-pais que se conheceram pela internet. Segundo um estudo recente conduzido por sua equipe, crianças criadas nesse modelo apresentam desenvolvimento psicológico semelhante ao de crianças que crescem outros tipos de família.
Existem muitas maneiras de formar uma família — e de amar
Segundo a pesquisadora, o maior desafio não está dentro de casa, mas fora dela: o julgamento social e falta de rede de apoio. Especialistas em saúde mental e direito reprodutivo reforçam que a co-parentalidade exige planejamento e diálogo constante. Advogados que atuam na área relatam aumento na busca por contratos que definem guarda, convivência e responsabilidades financeiras. Psicólogos também recomendam acompanhamento profissional antes da decisão, pensando não apenas nos adultos, mas nas crianças, que podem crescer fazendo perguntas diferentes das que surgem em famílias mais tradicionais.
Há quem critique o modelo, sob o argumento de que as crianças precisam de uma família, formada por pais casados. Do outro lado, os defensores da prática lembram que estabilidade emocional, cuidado consistente e vínculos seguros importam mais do que o formato familiar em si.
Seja qual for o arranjo familiar, o principal é pensar bem na decisão de ter ou não um filho e com quem você vai dividir essa missão. “Existem muitos jeitos de criar uma criança — e muitos jeitos de amar”, resume uma mãe que adotou o modelo da co-parentalidade e afirma ser muito feliz dessa forma.
Canguru News
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