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Bebês de apenas 2 meses já começam a “organizar” o mundo na mente, mostra estudo
Será que os bebês entendem o que estão vendo? Um novo estudo sugere que a resposta para essa pergunta, que é comum os adultos se fazerem nos primeiros meses de vida de uma criança, é positiva. Pelo menos, parece que eles compreendem tudo de uma forma muito mais sofisticada do que se imaginava, desde bem cedo.
Pesquisadores da Trinity College Dublin descobriram que bebês de apenas dois meses de vida já conseguem organizar visualmente o mundo em categorias diferentes, como animais, árvores, brinquedos e objetos do cotidiano. Mesmo antes de falar, apontar ou demonstrar claramente o que pensam, os bebês já começam a criar uma espécie de “mapa mental” do ambiente ao redor.
O estudo foi publicado na revista científica Nature Neuroscience e tem sido considerado um avanço importante para entender como funciona o cérebro nos primeiros meses de vida.
O que os cientistas descobriram?
Para a pesquisa, os cientistas acompanharam 130 bebês de dois meses de idade. Durante os testes, eles ficaram acordados, confortavelmente deitados em almofadas macias e usando fones que reduziam ruídos enquanto observavam imagens coloridas.
Entre as figuras mostradas estavam:
- gatos;
- pássaros;
- árvores;
- patinhos de borracha;
- carrinhos de compras;
- e outros objetos familiares.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores registravam a atividade cerebral dos bebês usando ressonância magnética funcional (fMRI), uma tecnologia que permite observar quais áreas do cérebro são ativadas diante de determinados estímulos.
Os pesquisadores, então, perceberam que o cérebro reagia de maneira diferente diante de cada categoria de imagem apresentada. Isso indica que os bebês não estavam apenas “vendo formas e cores”, mas começando a entender que determinados objetos pertencem a grupos diferentes.
Segundo a pesquisadora Cliona O’Doherty, autora principal do estudo, os resultados mostram que as bases da cognição visual surgem muito cedo. “Mesmo aos dois meses, quando os bebês ainda têm comunicação limitada pela falta de linguagem e controle motor, a mente deles já consegue não apenas representar como as coisas parecem, mas também identificar a qual categoria pertencem”, explica.
O trabalho comprova algo que muitos pais acabam percebendo de maneira intuitiva na convivência mesmo: os bebês estão aprendendo o tempo inteiro, mesmo quando parecem apenas observar o ambiente.
Os pesquisadores compararam os sinais observados nos cérebros dos bebês com modelos computacionais de reconhecimento visual usados em IA. Isso ajudou na compreensão de como o cérebro infantil começa a organizar informações tão cedo.
Segundo o professor Rhodri Cusack, coautor da pesquisa, a descoberta também abre portas para novas formas de acompanhar o desenvolvimento infantil. “A atividade cerebral capturada oferece uma maneira totalmente nova de medir o que os bebês estão pensando muito cedo na vida”, afirmou.
O primeiro ano de vida é um período de desenvolvimento cerebral extremamente rápido e entender melhor essa fase pode ajudar tanto na educação infantil quanto na identificação precoce de possíveis dificuldades no neurodesenvolvimento.
A pesquisa também reforça algo importante para as famílias: a interação importa desde o começo. Conversar com o bebê, mostrar objetos, cantar, brincar e permitir que ele observe o ambiente são experiências que ajudam o cérebro a criar conexões fundamentais para a aprendizagem futura.
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