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Férias escolares aumentam a sobrecarga das mães e podem afetar a saúde mental
A pausa nas aulas é um dos momentos mais aguardados pelas crianças, mas, para muitas mães, começa uma verdadeira maratona. Com os filhos em casa, é preciso reorganizar horários, encontrar alternativas para preencher os dias, conciliar o trabalho e, muitas vezes, administrar a expectativa de oferecer férias inesquecíveis.
O resultado é um aumento da carga mental e emocional, que pode comprometer o bem-estar de muitas mulheres. De acordo com a psicanalista Mônica Donetto, o que acontece é que esse período acaba escancarando uma cobrança que já vem junto da maternidade, a qualquer época do ano: a necessidade de dar conta de tudo.
“Existe uma cobrança silenciosa para que a mãe esteja sempre disponível, emocionalmente equilibrada, produtiva no trabalho e ainda proporcione experiências memoráveis aos filhos. Durante as férias escolares, essa pressão tende a ficar ainda mais evidente”, diz Mônica.
Além da rotina mais intensa, muitas mães se cobram por não conseguirem acompanhar o ritmo idealizado das férias. As atividades profissionais precisam ser mantidas, mas, basta uma passeada pelo feed, nas redes sociais, para se deparar com aquelas imagens de viagens, passeios e brincadeiras que parecem perfeitas.
Segundo a especialista, essa comparação costuma ser injusta. “As redes sociais mostram recortes da realidade. Quando a mãe compara sua rotina com esse universo idealizado, é comum surgir a sensação de que está fazendo pouco ou falhando com os filhos”, aponta.
Essa percepção ajuda a explicar por que tantas mulheres chegam às férias já emocionalmente esgotadas. Uma pesquisa “De Mãe em Mãe”, realizada por pesquisadores da USP, mostrou que 97% das mães brasileiras relatam sentir sobrecarga frequente e 94% afirmam viver desgaste constante. O levantamento também revelou que duas em cada três avaliam sua saúde mental como regular ou ruim.
Para Mônica, é importante lembrar que boas lembranças da infância não dependem de viagens caras ou de uma programação cheia de atividades. “As crianças não precisam de mães perfeitas. Precisam de vínculos seguros, presença possível e relações construídas com afeto e autenticidade”, explica.
Dividir responsabilidades, ajustar expectativas e abandonar a ideia de férias perfeitas é o que torna esse período mais leve para toda a família. Brincadeiras simples, refeições preparadas juntos, uma sessão de cinema em casa ou uma caminhada no parque podem ser tão significativas quanto grandes passeios.
Lembre-se: você não precisa preencher cada minuto das férias. O que realmente fortalece o vínculo entre pais e filhos é a qualidade da convivência. E isso começa quando as mães entendem que também têm direito ao descanso, aos próprios limites e a viver uma maternidade possível — e não perfeita.
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Canguru News
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