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Alergia à proteína do leite de vaca: diagnóstico pode demorar mais de três meses, diz estudo
Estudos indicam que os diagnósticos de alergia à proteína do leite de vaca, condição conhecida pela sigla APLV, podem ser demorados e demandar diversas visitas ao pediatra. É o que mostrou, por exemplo, uma pesquisa realizada pela Danone Nutricia. Segundo o estudo, 56% dos pais cujos filhos têm a alergia levaram mais de três meses para obterem a identificação do problema e 52% deles precisaram consultar pelo menos três médicos diferentes para chegar ao diagnóstico. A investigação foi desenvolvida por meio da entrevista de 617 pais e responsáveis por crianças com a alergia e e incluiu consultas a 207 escolas públicas e privadas quanto à existência de alunos com alergias, a maneira como as instituições lidavam com isso, se ofereciam aulas de nutrição aos alunos e se contavam com profissionais preparados pra atendê-los em caso de crises.
A maior parte das escolas relatou que possui pelo menos uma criança com alergias, mas menos da metade dos estabelecimentos (41%) conta com pessoas treinadas para identificar reações alérgicas.
O principal objetivo da análise era gerar informações sobre o impacto da alergia na vida das crianças e das famílias, assim como chegar a um parecer em relação ao preparo das escolas e creches ao lidarem com as alergias, trazendo informações para auxiliar na adaptação, conscientização e inclusão das crianças no ambiente escolar.
A ocorrência de alergia alimentar vem aumentando no mundo inteiro. A alergia à proteína do leite de vaca é o tipo de alergia alimentar mais comum na infância. Estima-se que a prevalência de alergias alimentares seja em torno de 6% em crianças menores de 3 anos e 3,5% em adultos.
A alergia à proteína do leite de vaca é o tipo de alergia alimentar mais comum na infância.
Entenda a alergia
A alergia a proteína do leite de vaca é uma reação do sistema de defesa do corpo quando em contato com a proteína do leite. Essa alergia ocorre porque o organismo da criança interpreta a proteína láctea como um corpo estranho, liberando células inflamatórias que desencadeiam reações gastrointestinais, de pele, respiratórias e sistêmicas.
Apesar de passarem a impressão de serem iguais, a alergia à proteína do leite e a intolerância a lactose são distúrbios diferentes. A alergia é uma reação do sistema imunológico, sendo mais comum em bebês e crianças. Qualquer contato com a proteína do leite já é suficiente para causar sintomas como: coceira, descamação da pele, cólicas, diarreias, intestino preso, vômitos, refluxo, dificuldade de respiração e, em casos mais graves, anafilaxia.
Já a intolerância a lactose se dá pela falta ou diminuição da enzima lactase, responsável por digerir a lactose. É mais comum em adultos e idosos, e provoca apenas sintomas gastrointestinais, como diarreia, cólicas, flatulência e inchaço abdominal.
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Diagnóstico
Como a pesquisa indica, a identificação costuma ser demorada e demanda diversos exames e análise do histórico clínico da criança para se chegar a uma conclusão. De acordo com Arthur Lorenzetti, diretor da unidade de pediatria da Danone Nutricia, “a demora no diagnóstico e, consequentemente, no tratamento adequado à APLV, faz com que as alergias se tornem cada vez mais persistentes e prevalentes”.
A dificuldade em obter um diagnóstico assertivo é ocasionada por alguns fatores – diversidade dos sintomas e a falta de conhecimento da doença são os principais. Esse atraso no diagnóstico pode impactar a vida da criança e da família de diversas formas: desaceleração no ganho de peso (49%), isolamento/exclusão social (23%), raiva ou não aceitação relacionadas a dificuldade alimentar (22%) e traumas relacionados a alergia (21%) são algumas das situações enfrentadas pelas crianças com APLV.
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Desafios da doença
A falta de preparo de outras pessoas para lidar com a condição e a dificuldade em encontrar alimentos sem a proteína do leite foram os pontos mais destacados pelos pais durante as entrevistas. Quando a criança atinge a idade escolar, os desafios costumam ser ainda maiores. Muitos pais sentem insegurança em deixar o filho em ambientes diferentes, pelo medo de outras pessoas não saberem lidar com a APLV.
Apesar de a maior parte das escolas terem relatado que possuem pelo menos uma criança com alergias, menos da metade (41%) conta com pessoas treinadas para identificar reações alérgicas. Além disso, apenas 15% das escolas ou creches particulares possuem profissionais treinados para primeiros socorros disponíveis durante todo o período. Esse cenário é ainda pior em escolas públicas.
Segundo Arthur, diversos fatores dificultam o entendimento amplo das dietas restritivas e como, com o tratamento e alimentação adequados, as crianças alérgicas também podem levar uma vida normal. “Diante disso, a pesquisa aborda a importância da ampliação de discussões sobre o tema dentro das escolas, com o intuito de auxiliar na conscientização de todos e, assim, promover maior inclusão dos alérgicos nos ambientes sociais”, finaliza o médico.
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Alimentação
Amamentação – A criança que tem alergia à proteína do leite de vaca não deve ser privada do aleitamento materno, mas a mãe precisa ter cuidado com a própria alimentação, excluindo o leite de vaca e seus derivados da dieta, para que não sejam passados ao filho por meio da amamentação. Se a criança estiver em aleitamento artificial é recomendável que as fórmulas infantis utilizadas atendam às necessidades nutricionais da criança e que sejam apropriadas para o tipo de alergia.
Dieta alimentar – Para o bebê que já ingere outros alimentos, é preciso tomar total cuidado para que ele não tenha contato com a proteína do leite de vaca. Por isso, produtos como iogurte, manteiga, requeijão, queijo e outros derivados do leite não podem fazer parte da rotina alimentar da criança. Dentre os alimentos permitidos se encontram aos frutas, carnes, ovos, legumes, verduras, grãos e oleaginosas. Além disso, também é recomendado o consumo de leites de origem vegetal, como o leite de soja, aveia, coco e similares.
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Alergia tende a desaparecer com a idade
A APLV não é tratada com medicamento específico mas ao seguir a correta, a tendência é que as crianças, com o passar do tempo, deixem de ser alérgicas. Isso costuma acontecer até os 5 anos de idade. Há inclusive situações em que a criança se torna tolerante à proteína do leite de vaca por meio de técnicas de dessensibilização, as quais fazem com que o organismo da criança passe a aceitar os alimentos que rejeitava a partir da introdução de pequenas quantidades do mesmo.
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Michele Custódio
Jornalista formada pela Unesp, tem experiência na redação de temas como Saúde, Ciência e Cultura. Atualmente, pesquisa sobre Educomunicação, Marketing e Acessibilidade.
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