Amamentação: esclareça as principais dúvidas sobre o assunto

Pediatra dá orientações para ajudar as mamães durante o período de aleitamento materno
Mãe amamentando bebê sentada no sofá
Quanto mais saudável for a dieta da mãe, melhor será a qualidade do seu leite

Será que meu filho está mamando o suficiente? Quanto ele deve mamar, em média? E com que frequência? Ao iniciar a amamentação, muitas questões podem surgir sobre o leite ofertado, a rotina das mamadas e a alimentação da mãe, entre outros aspectos. Abaixo, esclareço as principais dúvidas sobre a amamentação. Confira!

Como saber se meu bebê está mamando bem? 

Quando o bebê está sendo exclusivamente alimentado através da amamentação no seio materno, é impossível saber quantos mililitros de leite ele ingeriu, o que gera insegurança na maioria das mães. 

Para saber se o seu bebê está mamando bem, o parâmetro mais confiável é o ganho de peso. Durante a consulta com o pediatra, isso certamente será avaliado. Outros parâmetros que podem ser avaliados são: seu bebê dorme após as mamadas? Ele está ficando mais bochechudo? As roupas estão ficando apertadas ou menores? Ele parece satisfeito? Ele faz bastante xixi? Há pelo menos uma evacuação volumosa por dia? As respostas a essas perguntas devem ser, em sua maioria, sim, demonstrando que seu bebê está bem e com um provável e adequado ganho ponderal. 

Quanto leite o meu bebê mama em média? 

Seria fantástico se pudéssemos saber exatamente quanto o bebê está mamando em cada refeição, mas infelizmente isso não é possível! Para aqueles curiosos e que desejam ter uma boa estimativa, aqui está uma tabela prática dividida por faixa etária. 

Idade  Volume por refeição  Número de refeições por dia 
Do nascimento aos 30 dias  60 – 120 ml  6 a 8 
30 a 60 dias   120 – 150 ml  6 a 8 
2 a 3 meses   150 – 180 ml  5 a 6 
3 a 6 meses   180 – 200 ml  5 a 6 
Maiores que 6 meses  180 – 200 ml  2 a 3 

A descida do leite – apojadura 

Assim que o bebê nasce, começa o processo de apojadura, conhecido popularmente como descida do leite. O leite demora, em média, de 3 a 5 dias para descer, mas algumas mães (< 8%) têm essa descida tardia e o processo pode demorar até 10 dias.  

Para o leite materno descer é recomendável que o bebê, logo após o parto, já seja estimulado a mamar e ficar em contato pele a pele com a mãe. Conforme ele for sugando o seio materno, o cérebro da mãe vai entendendo que precisa produzir leite e aumentando a produção.  

Quando o leite desce, as mamas ficam duras, doloridas e um pouco mais quentes. Se você estiver muito desconfortável, pode fazer compressas frias que ajudam a diminuir o desconforto. Normalmente, nos primeiros dias, o corpo ainda não sabe quanto o bebê vai querer mamar, por isso envia uma grande quantidade para garantir a nutrição do recém-nascido, que em geral é ajustada para a quantidade ideal em três dias. 

Em caso de sangramento, febre, dor, vermelhidão, mamas muito endurecidas ou cheias de “pedras”, consulte seu médico. Você pode estar com algum problema mais sério, como uma infecção ou fissura das mamas, e deve receber avaliação e tratamento adequados. 

Colostro x leite maduro 

O colostro é o leite do seio materno nos primeiros cinco dias de amamentação. É mais rico em proteínas, imunoglobulinas (substâncias que previnem doenças) e vitamina A. Possui um aspecto mais amarelado e transparente, e é fundamental para a nutrição do seu bebê nestes primeiros dias. 

Do 6º ao 14º dia, o colostro vai se transformando em leite maduro e recebe o nome de leite de transição. Já o leite maduro é composto por três fases: 

  1. Início da mamada (anterior): é ralo e doce, com muitas proteínas e lactose para matar a sede do bebê. 
  2. Meio da mamada: é rico em caseína para deixar o bebê saciado por mais tempo. 
  3. Fim da mamada (posterior): possui grande quantidade de gordura para saciar a fome do bebê e fazer com que ele ganhe peso adequadamente. 

De quanto em quanto tempo tenho que amamentar meu bebê? 

Hoje, a recomendação é que o bebê seja alimentado em um processo de livre demanda, ou seja, quando ele estiver com fome. No entanto, é importante lembrar que os recém-nascidos só possuem o choro como fonte de comunicação e, por isso, às vezes fica difícil saber se ele está chorando por fome ou algum outro motivo. Com o tempo, você será capaz de reconhecer cada tipo de choro e conseguirá amamentar sempre que seu bebezinho precisar. 

DICA DA PEDIATRA: um recém-nascido mama aproximadamente a cada duas horas e meia a partir do início da mamada. Esses intervalos não precisam ser perfeitos, mas se o seu bebê começar a chorar trinta minutos após a mamada, talvez ele esteja precisando de alguma outra coisa. 

Meu leite pode ser fraco? 

O organismo materno estará sempre se adaptando para que não falte nada para o bebê, mesmo que ele retire substâncias que farão falta para você, por isso é muito importante uma dieta balanceada e rica em cálcio durante a amamentação. Quanto mais saudável e balanceada for a sua dieta, melhor será a qualidade do seu leite. 

Um alerta às mães vegetarianas: é importante ficar de olho na qualidade das gorduras consumidas e suas proporções. As gorduras ômega 6 e 3 devem ser consumidas em um equilíbrio de 5:1 para garantir o melhor desenvolvimento cognitivo do bebê. Dietas que incluem carne, em geral, garantem essa proporção facilmente.  

Posso beber café, comer chocolate ou feijão enquanto estou amamentando? 

É claro que pode! Não existe nenhum alimento proibido, mas vale ressaltar que exageros não são recomendáveis e que cada bebê responde de um jeito ao que a mãe consome. Portanto, sempre observe seu filho para descobrir o que o deixa mais confortável. 

Sobre o café e outros alimentos ricos em cafeína, prefira consumi-los com moderação e no período da manhã até o início da tarde para que o sono da noite do seu bebê não seja prejudicado. Além disso, alguns bebês são muito sensíveis à cafeína e podem ficar irritados. Se esse for o caso do seu filho, opte por evitar a cafeína durante a amamentação. 

*Este texto é de responsabilidade do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Canguru News.

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Marcela Ferreira Noronha

Pediatra, educadora parental e nefrologista infantil. Mãe do Lucas e da Isabela. Formada em medicina pela Universidade São Francisco (SP) em 2006, com residência em pediatria pelo Hospital Menino Jesus de São Paulo, e especialização em nefrologia infantil pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Educadora Parental certificada pela Positive Discipline Association. Fez pediatria por vocação e tem como missão de vida tornar crianças e adultos felizes, respeitosos, com inteligência emocional, senso comunitário, física e emocionalmente saudáveis.

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