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Você já pediu para o seu filho te ensinar algo hoje?
Seu filho sabe construir uma casa inteira no Minecraft, mas reclama quando precisa fazer uma conta de matemática? Sabe o nome de dezenas de dinossauros, explica as regras de um esporte que você mal acompanha ou consegue editar um vídeo no celular muito mais rápido do que você? Em vez de apenas dizer “você é muito inteligente” ou “você é bom nisso”, tente perguntar: “Você pode me ensinar?”
Permitir que a criança assuma, por alguns minutos, o papel de “especialista”, enquanto o adulto se coloca na posição de aprendiz pode ajudar a criança perceber que sabe fazer algo que seu pai ou sua mãe não sabem. Vale ensinar uma brincadeira, explicar como funciona um jogo, mostrar uma técnica de desenho ou contar tudo o que sabe sobre um assunto de que gosta.
Elogiar uma criança é importante, mas é diferente ouvir que é inteligente e experimentar a própria competência. Quando os pais perguntam como determinada coisa funciona e demonstram interesse genuíno pela resposta, a criança precisa recuperar informações, organizar as ideias e encontrar uma maneira de explicá-las. Isso transforma o conhecimento em uma experiência compartilhada.
Isso pode ser ainda mais importante para crianças que nem sempre se destacam no ambiente escolar ou têm alguma dificuldade. Afinal, as competências de uma criança são muito maiores do que aquilo que aparece em provas e boletins. Uma criança pode ter dificuldade para escrever uma redação e, ao mesmo tempo, ser excelente em montar Lego. Pode não gostar de matemática, mas saber criar mundos inteiros em um videogame. Pode ter pouca paciência para os deveres de casa e uma memória impressionante para decorar músicas, nomes de animais ou estatísticas do time de que gosta. Quando o adulto demonstra curiosidade por essas habilidades, amplia também o olhar sobre quem é aquela criança.
Imagine que a criança esteja fazendo um desenho. Em vez de apenas dizer “que lindo!”, o pai pode perguntar: “Como você conseguiu fazer esse efeito?” Ou, se ela estiver jogando: “Por que você escolheu esse personagem?” Se estiver montando alguma coisa: “Como você descobriu que precisava colocar essa peça aqui?” São perguntas pequenas, mas que comunicam algo muito maior: “Eu quero conhecer aquilo que você sabe”.
Quando a criança explica algo para um adulto que realmente está prestando atenção, ela percebe que seu conhecimento tem valor para alguém. Mas sem excessos! Você não precisa fazer isso o tempo todo ou transformar cada conversa em uma aula. Pelo contrário. A ideia funciona melhor quando surge espontaneamente, a partir de interesses reais da criança.
Um detalhe importante: colocar-se no lugar de quem não sabe pode ser mais difícil do que parece. Adultos estão acostumados a orientar, corrigir, ensinar e responder às perguntas dos filhos. Aqui, a proposta é inverter os papéis.
Se a criança estiver explicando como jogar determinado game, por exemplo, não é necessário interromper para mostrar uma maneira “melhor” de fazer. Se estiver ensinando uma receita, talvez ela não siga exatamente o jeito que o adulto faria. E tudo bem! A experiência não precisa ser perfeita. A ideia é que a criança tenha espaço para explicar, demonstrar, experimentar e até corrigir o adulto.
À medida que crescem, crianças e adolescentes constroem interesses que nem sempre são compartilhados pelos pais. Um jogo, uma banda, um esporte, um desenho, uma tendência na internet ou mesmo uma brincadeira entre amigos pode parecer completamente distante do universo adulto. Eles vão conhecendo o mundo lá fora e se relacionando com ele de maneiras diferentes dos pais.
Perguntar sobre isso pode ser uma porta de entrada. “Me explica por que todo mundo gosta desse jogo?” ou “Como funciona essa brincadeira?” ou “O que você acha tão legal nessa série?”
Nem sempre a pergunta precisa ter o objetivo de ensinar uma habilidade prática. Ensinar também pode significar contar, explicar, mostrar ou compartilhar uma paixão. Para o adolescente, talvez seja justamente uma maneira de os pais conhecerem um pouco mais de seu mundo sem transformar a conversa em interrogatório.
Não é necessário estabelecer uma “hora semanal para o filho ensinar alguma coisa aos pais” nem cobrar que a criança escolha um assunto toda semana. O mais interessante é aproveitar os momentos que já acontecem no cotidiano.
Seu filho está empolgado falando sobre um dinossauro? Pergunte mais. Está tentando ensinar uma dança? Entre na brincadeira. Está fazendo uma construção? Peça para explicar. Está jogando? Pergunte como funciona. Está editando um vídeo? Deixe que mostre como faz.
Às vezes, cinco minutos de atenção e interesse de verdade significam muito mais do que elogios ou um discurso sobre autoestima. Para os pais, fica uma descoberta importante e fascinante: por trás daquele filho que talvez ainda precise de ajuda para organizar a mochila, lembrar de escovar os dentes ou fazer a lição, mora uma pessoinha cheia de conhecimentos, interesses e habilidades que eles nem sempre têm a chance de conhecer.
Fonte: Time
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