Dor do crescimento: seu filho sente dor nas pernas à noite?

Comum na infância, condição pode causar dor nas duas pernas, principalmente no fim do dia, desaparecendo pela manhã. Veja como aliviar o desconforto e quais sinais indicam que é hora de procurar o pediatra

Você já ouviu seu filho reclamar de dor nas pernas no fim do dia ou durante a noite? Às vezes, a queixa aparece depois de um dia cheio de brincadeiras e parece desaparecer do nada. Há casos em que a dor é tão intensa, que chega a acordar a criança no meio da madrugada.

O quadro assusta, mas, na verdade, pode ser bem comum na infância. Na maioria das vezes, é o que costumamos chamar de “dor do crescimento”, embora o nome seja duvidoso, já que, por enquanto, a condição não tem relação comprovada com o crescimento dos ossos.

O que chamamos de dor do crescimento é uma das causas mais comuns de dor musculoesquelética em crianças e pode atingir até 20% das crianças em idade escolar, embora os números variem entre os estudos.

As características são bem específicas: a criança sente dor nas duas pernas, principalmente na parte da frente das coxas, nas panturrilhas ou atrás dos joelhos. O desconforto geralmente aparece no fim da tarde ou durante a noite e some pela manhã. A criança volta a caminhar, correr e brincar normalmente, sem apresentar limitações. Esse padrão diferencia a dor do crescimento de outras condições que também podem provocar dores nas pernas.

Por que isso acontece?

Apesar de ser conhecida há décadas, a causa da dor do crescimento ainda não está totalmente esclarecida. “Existem algumas hipóteses, como fadiga muscular, fatores genéticos e até associação com deficiência de ferro ou vitamina D em alguns casos, mas nenhuma delas explica todos os pacientes”, explica a ortopedista pediátrica Susana dos Reis Braga, do Einstein Hospital Israelita, à Agência Einstein.

Até hoje, não há evidências de que a dor seja causada pelo crescimento dos ossos ou por períodos em que a criança cresce mais rapidamente.

O que fazer quando a criança sente dor?

Como ainda não existe um tratamento específico, o jeito é tomar medidas para aliviar os sintomas. Você pode fazer:

  • Massagem na região dolorida
  • Aplicar calor local, como uma compressa morna;
  • Fazer alongamentos antes de dormir.

 

Quando a dor é mais intensa, o médico pode recomendar o uso de analgésicos. Mas atenção: nesse caso, o medicamento deve ser utilizado com orientação profissional.

Embora atualmente o tratamento seja principalmente para controlar o desconforto, existe esperança para o futuro. É que pesquisadores brasileiros estão investigando uma possível alternativa. Um estudo piloto realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Instituto de Física da USP de São Carlos (IFSC/USP) avaliou a combinação de laser de baixa intensidade e ultrassom.

A pesquisa envolveu apenas nove crianças com diagnóstico confirmado de dor do crescimento. Parte recebeu uma sessão da terapia e outra parte passou pelo mesmo procedimento, mas com o equipamento desligado, funcionando como placebo. Nem as crianças, nem os responsáveis ou pesquisadores sabiam quem havia recebido o tratamento ativo.

Os pesquisadores observaram redução da dor nas crianças que receberam a terapia e não identificaram efeitos adversos relacionados à técnica. O objetivo principal do estudo piloto foi avaliar a segurança do método. “Ainda precisamos de estudos maiores para saber se ela realmente é eficaz e poderá fazer parte da prática clínica”, afirma Susana.

Quando a causa é outra

Se a criança reclama de dor, é comum os pais já associarem ao crescimento, mas pode haver outras causas. Como não existe um exame específico capaz de confirmar a condição, o diagnóstico é feito principalmente a partir da história da criança e da avaliação médica.

Alguns sinais fogem do padrão esperado e precisam ser investigados, porque podem estar relacionados a outras condições ortopédicas, reumatológicas, infecciosas ou hematológicas. Procure avaliação médica se a criança apresentar:

  • Dor sempre em uma única perna;
  • Dor que continua durante o dia;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Inchaço nas articulações;
  • Febre;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Manchas roxas;
  • Cansaço excessivo.

 

É preciso se preocupar?

Na maioria dos casos em que o quadro apresenta as características típicas, a dor do crescimento é uma condição benigna, que não causa lesões, nem compromete o desenvolvimento da criança. Além disso, é algo que tende a desaparecer espontaneamente. Ainda assim, é natural que a família se preocupe.

A melhor orientação é observar o padrão: a dor acontece nas duas pernas, aparece no fim do dia ou à noite, desaparece pela manhã e não impede a criança de brincar e se movimentar normalmente?  Se houver algo diferente disso, especialmente dor persistente durante o dia ou acompanhada de outros sintomas, vale conversar com o pediatra, para tirar a dúvida.

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