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Seu filho consome muitos ultraprocessados? Isso pode interferir não só na saúde, mas no comportamento dele
O que uma criança come vai muito além do prato. Um estudo publicado em março deste ano na revista científica JAMA Network encontrou uma associação importante: o consumo de alimentos ultraprocessados na primeira infância pode estar ligado a alterações de comportamento até dois anos depois.
Para quem acompanha de perto a alimentação infantil, esta não é, exatamente, uma notícia nova. Na prática clínica, especialistas já observam há algum tempo que o que a criança consome influencia não só o crescimento, mas também a forma como ela se relaciona com a comida e até como regula emoções.
O cenário brasileiro ajuda a entender por que essa preocupação vem ganhando força. Hoje, os ultraprocessados representam cerca de 20% a 23% das calorias consumidas no país, um número que só cresce. Entre as crianças, o impacto é ainda mais expressivo: até 80% consomem esse tipo de alimento com frequência, e a maioria já tem contato com eles antes dos 2 anos de idade. Em muitos casos, eles fazem parte da rotina diária.
O problema começa antes da primeira mordida. Ele se inicia na forma como esses produtos são apresentados, não apenas para as crianças, mas para os pais. “Muitos ultraprocessados são vendidos como opções saudáveis”, explica a nutricionista materno-infantil Renata Riciati. “Rótulos com promessas como ‘fonte de fibras’, ‘rico em vitaminas’ ou ‘integral’ passam uma ideia positiva, mas não mudam o fato de que são produtos com excesso de açúcar, aditivos e baixo valor nutricional”, afirma.
É por isso que saber entender o rótulo faz diferença. A ordem dos ingredientes revela a composição real do alimento e não é raro encontrar açúcar, xaropes e gorduras entre os primeiros itens da lista, mesmo em produtos considerados “do bem”.
Isso sem falar na forma de chamar a atenção dos pequenos. Basta uma ida ao supermercado, à padaria ou a uma loja de conveniência qualquer acompanhando de uma criança para entender o impacto das embalagens coloridas, personagens, brindes e mensagens, que associam o alimento a diversão, energia e crescimento.
O ambiente também influencia. Nos supermercados, ultraprocessados costumam estar ao alcance dos olhos das crianças ou próximos ao caixa, enquanto alimentos in natura ficam menos visíveis. Essa organização é um truque de venda, que favorece escolhas rápidas e, muitas vezes, menos saudáveis.
Como se o risco de doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares não fossem o bastante, o consumo frequente desses produtos pode afetar o paladar, a saúde intestinal e a relação com a comida, fatores que também influenciam comportamento e bem-estar. “O que a criança come hoje ajuda a formar não só o corpo, mas também a forma como ela percebe a comida e reage a ela”, explica Renata. “Por isso, é importante olhar com mais atenção para o que parece saudável, mas não é”, orienta.
A gente sabe que nem sempre é fácil priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, mas é um hábito importante para o presente e para o futuro do seu filho. Desconfie de listas longas de ingredientes e evite associar praticidade à ideia de saúde. Comida de verdade é sempre a melhor escolha.
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Canguru News
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