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Semenarca: ninguém fala sobre a “primeira ejaculação” dos meninos – e isso precisa mudar!
Até pouco tempo, a primeira menstruação, conhecida como menarca, era um enorme tabu. Ninguém falava sobre isso e muitas meninas passavam por isso sozinhas, sem nem entender o que estava acontecendo. Felizmente, isso tem mudado. Hoje, há mais diálogo e algumas famílias até comemoram quando isso acontece. Mas… e os meninos?
Eles, obviamente, não ficam menstruados. Mas também passam por um marco importante, mas pouco comentado, na pré-adolescência: a semenarca. Ninguém fala sobre o assunto e algumas famílias nem sabem do que se trata.
A semenarca é a primeira ejaculação e um dos marcos da puberdade masculina. É bem diferente, mas, assim como a menarca indica o início do ciclo menstrual nas meninas, ela sinaliza que o corpo do menino está amadurecendo do ponto de vista reprodutivo.
Segundo o pediatra Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), costuma acontecer entre 11 e 15 anos, mas isso pode variar conforme o ritmo de cada criança. “A diferença é que, enquanto a menstruação é mais visível e discutida, a semenarca é íntima e silenciosa — e muitas vezes cercada de constrangimento”, explica.
Na maioria dos casos, a primeira ejaculação acontece à noite, durante o sono. São as chamadas poluções noturnas, ou “sonhos molhados”. Para muitos meninos, é uma experiência inesperada: acordar com a roupa íntima molhada sem entender o que aconteceu. “É fundamental explicar que não é xixi, não é doença, não é algo que ele controla. É o corpo funcionando”, orienta o especialista.
Sem essa explicação, o susto pode virar insegurança. “Quando não há informação, esse momento pode gerar dúvida, medo ou vergonha”, completa a pediatra Elisabeth, também da SBP.
A semenarca não é só uma mudança física. Ela também mexe com o emocional, porque pode gerar curiosidade, estranhamento e até orgulho. Mas a vergonha ainda é um sentimento frequente. Isso acontece porque o corpo começa a amadurecer antes que o menino tenha repertório emocional para entender o que está vivendo.
O papel dos adultos é central. “Não precisa de um discurso complicado. É normalizar, sem piadas, sem julgamentos”, orienta Telles. Elisabeth complementa: “A forma como o adulto reage transforma um momento de medo em segurança”.
Quando e como começar essa conversa
Esperar acontecer não é o melhor caminho. Especialistas recomendam abordar o tema antes da semenarca, de forma simples e natural. Entre 9 e 12 anos, muitos meninos já conseguem compreender o básico, desde que a linguagem seja adequada à idade.
Para a educadora parental Maya Eigenmann, a partir de uns 9 anos, já dá para contar. “Não porque eles já terão a semenarca, mas para avisar que, quando acontecer, vai ser normal. Talvez molhe a roupa de cama — e tudo bem. É só trocar, pedir ajuda. É naturalizar”, explica.
E não precisa ser uma “grande conversa”. Às vezes, uma frase já abre portas:
“Na puberdade, pode sair um líquido pelo pênis, até dormindo. Isso é normal”. Outra estratégia eficaz é aproveitar situações do cotidiano, como filmes ou séries, para introduzir o assunto sem pressão. “Conversas leves e progressivas funcionam melhor do que abordagens formais”, diz a pediatra Elisabeth.
O risco do silêncio
Quando ninguém fala, o corpo muda do mesmo jeito, mas seu filho pode enfrentar isso sozinho. Sem informação, ele pode achar que há algo errado ou buscar respostas em fontes pouco confiáveis, como a internet ou amigos. “O problema não é só a falta de informação, é a informação errada”, alerta Paulo Telles. Segundo os especialistas, o silêncio pode impactar a forma como esse jovem vai se relacionar com o próprio corpo e com a sexualidade ao longo da vida.
Incluir os meninos nas conversas sobre corpo e puberdade é um passo importante para criar segurança e confiança. “Para os homens, pais, pode ser até mais fácil, porque eles passaram por isso. Mas o mais importante é não transformar em tabu”, diz a educadora parental Maya Eigenmann.
A semenarca não é um assunto constrangedor, porque faz parte do desenvolvimento. Quanto mais natural for a conversa, mais tranquilo será o processo.
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